ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: BATALHA DE RASEINIAI, PRIMEIRA BATALHA DE TANQUES NA OPERAÇÃO BARBAROSSA - 1941!!!

Ir em baixo

ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: BATALHA DE RASEINIAI, PRIMEIRA BATALHA DE TANQUES NA OPERAÇÃO BARBAROSSA - 1941!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qua Mar 28, 2018 8:47 pm

Compartilho com os colegas, "Batalha de Raseiniai, Primeira Batalha de Tanques na Operação Barbarossa - 1941".



                                                 BATALHA DE RASEINIAI,
                                           PRIMEIRA BATALHA DE TANQUES
                                              DA OPERAÇÃO BARBAROSSA.
                                                22-27 DE JUNHO DE 1941.                        


Enfrentando os poderosos tanques KV soviéticos, até então desconhecidos, os alemães da 6ª Divisão Panzer experimentam os rigores de um combate feroz, na "Primeira Batalha de Blindados da Operação Barbarossa" e tem uma visão sobre o tipo de guerra que seria travada no Leste. A luta em torno de Raseiniai na Lituânia, 75 km a noroeste de Kaunas, segunda maior cidade da Lituânia e antiga capital temporária do país, foi uma das principais batalhas da fase inicial da Operação Barbarossa. A Werhmacht iniciou a campanha em 22 de junho de 1941 esmagando, capturando e desorganizando as unidades do Exército Vermelho que se batiam em seu caminho. Com uma Força Aérea inexperiente, pulverizada no primeiro dia de campanha, e com o despreparo do Exército Soviético para travar uma guerra moderna, os alemães tiveram suas tarefas facilitadas no início da campanha. Porém, esses sucessos iniciais só foram alcançados por meio de muita coragem e sangue frio. O Grupo de Exércitos Norte, comandado por Ritter von Leeb, varreu os Estados Bálticos com rapidez. Sua ponta de lança, o 4º Exército Panzer, era comandado pelo velho cavalariano Erich Hoeppner que tinha duas tenazes, o XLI e o LVI Corpos Panzers. O LVI Corpo Panzer de von Manstein, encontrou pouca resistência, tomando as pontes do rio Dvina sem dificuldades. Já para o XLI Corpo Panzer, a tarefa foi um pouco mais complicada, já que este encontrou resistência pesada na área de Siauliai. A resposta soviética veio pela tarde com o Coronel General Fyodor Kuznetsov, ordenando que o 12º Corpo Mecanizado se juntasse com o 3º Corpo Mecanizado e ocupasse posições para o contra ataque. A 23ª e 28ª Divisões de Tanques do 12º Corpo se juntou a 2º Divisão de Tanques do 3º Corpo Mecanizado para um ataque contra os flancos das forças alemãs na região de Raseiniai. No dia 23, foi ordenado ao 12º Corpo Mecanizado que avançasse a sudeste e o 3º Corpo Mecanizado atacasse rumo a noroeste. Seu alvo era o LVI Corpo Panzer que estava totalmente espalhado. A 1º Divisão Panzer se batia na cidade de Tauroggen, onde os russos transformaram cada prédio em uma fortaleza. Pela tarde do dia 23, a 1ª Divisão Panzer acabou por conquistar uma importante ponte rodoviária sobre a cidade de Tytuvenai. A 6ª Divisão Panzer, depois de algumas escaramuças no primeiro dia, rumou para leste, afim de prevenir que os soviéticos tomassem posições na elevada região ao sul de Raseiniai e atingissem a importante região do rio Dubyssa, onde duas pontes rodoviárias, entre as cidades de Betygala e Kybaryteliai, eram atribuídas à 6ª Divisão Panzer. Os contra-ataques soviéticos começaram a se materializar no final do dia 23 com a aproximação de elementos avançados da 2º Divisão de Tanques em Raseiniai e de unidades do 12º Corpo Mecanizado na área de Kaltinenay. A 6ª Divisão Panzer avançava a velocidade plena por todas as estradas disponíveis. Divididos em dois grupos de combate (Kampfgruppe von Seckendorff e Raus), seus tanques e artilharia avançavam implacavelmente, prontos para esmagar qualquer oposição. Porém, de súbito, foram atacados por artilharia e metralhadoras. Destacamentos avançados confirmaram que os soviéticos já ocupavam a alta região ao sul de Raseiniai. Eram soldados do 2º Regimento Motorizado de Rifles, da 2º Divisão de Tanques, que depois de uma marcha de aproximação de 96 km, se entrincheiraram no solo de tal maneira que ficaram diretamente na rota do Kampfgruppe von Seckendorff, distribuídos de modo a constituir um baluarte, em frente à cidade. Após um breve reconhecimento da situação, todo o Kampfgruppe von Seckendorff entrou em ação, com o 114º Regimento de Infantaria Motorizado, adjunto a um Batalhão de Panzers, atacando os soviéticos entrincheirados. O terreno aberto, a falta de munição para a artilharia e a tenaz resistência dos soviéticos dificultou o ataque, obrigando os Panzers a buscar um caminho em meio as florestas e pântanos na intenção de pegar o inimigo pelos flancos e retaguarda. Depois de penetrar nas fracas defesas soviéticas, os Panzers de von Seckendorff se juntaram com o Kampfgruppe Raus na cidade de Raseiniai e, depois de "limpá-la", acabou por se apoderar das duas pontes sobre o rio Dubyssa que estavam a 6 quilômetros ao norte, consolidando duas cabeças de ponte. Mas vôos de reconhecimento da Luftwaffe, apontavam para uma forte concentração de forças blindadas soviéticas que se aproximavam, provenientes da área de Jonava-Kadainiai. Os alemães observaram que esta concentração de tanques, em torno de 200, depois de atingir a localidade de Kroki, se dividiu em duas colunas rumando diretamente para as duas pontes em poder da 6ª Divisão Panzer, em Betygala e Kybaryteliai, ameaçando a cabeça de ponte da 6ª Divisão Panzer no rio Dubyssa. O General Landgraf, comandante da Divisão, tentou reforçar os dois Kampfgruppen o mais rápido possível, porém, o resto da Divisão estava impedido de agir na cidade de Erzvilkas, onde o avanço da 6ª Divisão Panzer estava emaranhado com a 269º Divisão de Infantaria e elementos da 1º Divisão Panzer. Por isso, além dos dois Kampfgruppen não terem sido reforçados, também não tiveram suporte de defesa nos flancos. O General Landgraf estava preocupado com flanco direito da ponta em Betygala, onde a 269º Divisão de Infantaria deveria estar. Assim, as pontas avançadas da Divisão, que era o 4º Regimento Motorizado com apoio de alguns Panzers na cabeça de ponte ao norte, em Kybaryteliai e o 6º Batalhão de Motociclistas mais ao sul em Betygala, deveriam agüentar o choque inicial contra as forças soviéticas. O ataque soviético começou nas primeiras horas do dia 24. A artilharia martelou as posições do Kampfgruppen von Seckendorff, que ocupava a cabeça de ponte mais ao sul. Em resposta, a artilharia alemã abriu fogo contra a massa blindada que se aproximava. Depois de 20 minutos de um silêncio mortal, o crepitar de fuzis e metralhadoras se fez ouvir. A massa blindada em questão, que vinha do leste, era a 2ª Divisão de Tanques do General Solyankin que tinha como objetivo recapturar Raseiniai e expulsar a 6ª Divisão Panzer da região. Os soldados de von Seckendorff ficaram em uma situação difícil, pois além de estarem em desvantagem numérica, foram atacados por tanques super-pesados modelo KV-1 e KV-2. Estes tanques – de 43 e 54 toneladas e canhão de 75mm e 152mm respectivamente, com blindagem de 85mm na parte frontal, capaz de suportar o disparo de uma arma anti-tanque de 75mm – eram desconhecidos pelos alemães e sua aparição causou um tremendo choque nas tropas. Cerca de 50 destes tanques romperam as posições do 6º Batalhão de Motociclistas. O ataque foi devastador. Os KVs aceleravam ao máximo, esmagando não só as motocicletas mas, também, os pilotos, forçando o batalhão a se retirar para a margem oeste do Dubyssa. Mais tarde foram descobertas as atrocidades cometidas pelos soviéticos contra os feridos alemães. Todos foram mortos e mutilados cruelmente, com os olhos e genitais arrancados. Esta era a primeira experiência da Divisão com as atrocidades da Frente Leste. E não seria a última. Depois de recuar para a margem oeste e agora tendo a cobertura da força principal do Kampfgruppen von Seckendorff, o Batalhão de Motociclistas se preparou para uma forte resistência. Os tanques soviéticos, assim que atravessaram o rio, rugiram em direção aos alemães. Sem se importunar com a chuva de projéteis, esmagaram uma barricada na estrada e viraram em direção as posições de artilharia. O contra-ataque alemão não tardou. Cerca de 100 tanques do 11º Regimento Panzer do Coronel Koll, um terço destes modelos PzKw IV, entraram em ação. Alguns destes tanques, corajosamente, enfrentaram os soviéticos de frente. A maioria, entretanto, atacou pelos flancos. Os Panzers alemães combatiam os colossos russos por três lados diferentes, mas falharam e as baixas começaram a aumentar, obrigando o Regimento Panzer a bater em retirada, a fim de evitar sua destruição. Para tornar as coisas piores, o 114º Regimento Motorizado – que defendia as florestas a oeste do Dubyssa contra a infantaria soviética que vinha atrás dos tanques russos – acabou sofrendo pesadas baixas, principalmente pelo fogo de artilharia. Era evidente para Coronel von Seckendorff que suas armas não eram suficientes para  destruir os enormes tanques soviéticos. O Capitão Quentin, comandante de Batalhão, queria retrair suas forças aos poucos. Ele mesmo empunhou uma metralhadora e defendeu as posições do Batalhão contra repetidos ataques de infantaria soviética. Apesar da surpresa causada pelos KVs e do recuo das forças alemãs, os soviéticos foram incapazes de forçar a passagem de seus tanques rumo a Raseiniai. Novos tanques russos surgiram vindos do leste. Os KVs circulavam normalmente, apesar do fogo dos Panzers e da artilharia. A única solução tática encontrada pelo Capitão Quentin foi deixar que o 2º Grupo de Blindados soviético atingisse sua linha defensiva e, assim, permitir a fuga de suas forças pelos flancos, na intenção de tentarem estabelecer contato com 114º Regimento Motorizado, se ele ainda estivesse lá. Os soldados se escondiam nas plantações, apenas observando os monstros de aço avançarem. Um KV avistou um Panzer de 35t que estava atolado em um alagadiço e o destruiu. O mesmo fim teve um canhão anti-tanque que não conseguiu escapar a tempo. Quando os KVs se aproximaram, sua guarnição abriu fogo, sem importunar os tanques soviéticos, o que obrigou sua guarnição a fugir, antes da arma ser destruída. O Coronel von Seckendorff esteve desde o inicio da ação no Quartel General da Divisão, implorando por ajuda. Entretanto, o General Landgraf não possuía mais nada para enviar, depois que seus Panzer se tornaram ineficientes contra a ameaça. Logo se iniciou uma crise, o que tornou necessária a intervenção do comandante do Corpo Panzer, o General Hans Georg Reinhardt, que prometeu ação imediata de várias baterias antiaéreas de canhões de 88mm que estavam em serviço nas cercanias de Tauroggen. Neste ponto, todos supunham que só os poderosos canhões 88mm poderiam destruir os "mamutes" soviéticos. O contra-ataque empreendido pelo 11º Regimento Panzer não causou danos sérios aos KVs, mas os forçou a parar e se espalharem para repelir a ameaça, causando uma queda no ímpeto do ataque. Apesar de todo o seu poder, os KVs ficavam muito expostos, quando isolados dos outros tanques e da infantaria. Por isso começaram a vacilar. O Coronel von Seckendorff, aproveitou esse momento para reagrupar suas tropas, inclusive o destacamento do Capitão Quentin em torno da cota 106, reunindo todos os escalões para a defesa anti-tanque. Nesta fase da batalha, os alemães começaram a usar novas táticas para destruir os mamutes de aço. Uma delas era atirar nas lagartas para imobilizá-los e depois destruí-los com artilharia. O Tenente Eckhardt, da 6º Companhia do Batalhão do Capitão Quentin, eliminou um destes tanques com uma carga de cinco minas anti-tanque, um método de combate nada convencional e que colocava em risco a vida de muitos soldados. Outra forma era o tiro a queima roupa de uma bateria de 100mm, que conseguiu também aniquilou alguns tanques. Essas ações deixaram os tanques soviéticos ainda mais cautelosos. No começo da tarde, eles se reuniram em uma região de florestas e iniciaram um ataque decisivo contra a cota 106, com os KVs atuando como ponta de lança da formação blindada. Muitos já estavam sem combustível e as munições já estavam no final. Com a chegada de algumas baterias de 88mm que se juntaram às peças de 100mm alemãs, os soviéticos começaram a ser repelidos. Em posições bem camufladas, as baterias começaram a disparar contra os mamutes soviéticos, destruindo-os e obrigando-os a suspender o ataque e fugir. Isso facilitou os Panzers que começaram a atirar e acertar os tanques pela retaguarda, parte mais frágil de um tanque. Agora os soviéticos lutavam pela sua sobrevivência. Depois de serem atacados na retaguarda pelos Panzer da 6ª Divisão e pelos flancos por unidades recém chegadas da 1ª Divisão Panzer vindas do norte, os soviéticos foram repelidos. Os alemães foram severamente testados nessa batalha. O surgimento dos tanques pesados KV-1 e 2 causou choque nas fileiras alemãs. Eles não possuíam um engenho com armamento e força suficientes para se equipararem com o tanque soviético. Tanto o KV-1 quanto o KV-2 possuíam uma blindagem tão espessa que eram invulneráveis á maioria das armas anti-tanques existentes no início da Operação Barbarossa. Apesar de pesados, imprimiam uma boa velocidade, chegando a atingir 35 km/h na estrada. Sua combinação de mobilidade, blindagem espessa e poder de fogo, o tornava o tanque mais poderoso existente até então. Porém, seus ataques eram mal coordenados e suas guarnições mal treinadas. Em Raseiniai, eles tiveram a oportunidade de infligir pesadas baixas aos alemães e alcançarem seus objetivos, mas foram incapazes, devido à falta de coordenação entre os tanques e a infantaria. Poucos tanques possuíam rádio e isso acarretava a falta de comando e controle dos soviéticos em combate. A 6º Divisão Panzer combateu bravamente os soviéticos, apesar de seus tanques serem inferiores. Quando iniciou a campanha, alinhava 223 tanques, mas a grande maioria eram de obsoletos tanques tchecos "Skoda" de 35 toneladas. Estes possuíam algumas vantagens quando da operação no terreno soviético, como seu peso leve, sua extrema facilidade de manobra e a habilidade de atravessar pequenas pontes com capacidade de no máximo 8,5 toneladas. Mas possuíam uma blindagem frontal de apenas 25mm. O fato da 6ª Divisão Panzer ter chegado às portas de Leningrado e Moscou, a despeito da grande superioridade numérica dos soviéticos, é tida como um "milagre". E isso se deveu, principalmente, a liderança combinada com excelente treinamento e moral. A Batalha de Raseiniai foi o primeiro combate de tanques da campanha soviética. O desenrolar dos combates mostraram a dificuldade de lutar em um terreno extremamente difícil, contra um inimigo inteligente e decido. As Divisões Panzer alemãs lutaram na areia, nos pântanos, nas florestas, cruzando rios e caminhos intransponíveis até então. A 6ª Divisão Panzer cobriu 800 quilômetros, desde o Báltico até os portões de Leningrado, batendo-se na Linha Stalin e nos rios Dvina e Luga. E a guerra estava apenas começando!!


SELO POSTAL TANQUE KV - 1.


PANZER IV COM CANO CURTO.


TANQUE KV-1 E KV-2 (AO FUNDO).


MAPA DAS AÇÕES NA BATALHA DE RASEINIAI - 1941.


TANQUES PANZER IV COM CANO CURTO.


TANQUE PANZER IV COM CANO CURTO.


TANQUE SKODA DE 35 TON.


TANQUE KV - 1.


TANQUE KV - 2.


LINHA DE DEFESA SOVIÉTICA. A FRENTE TANQUES KV - 1.


TANQUE KV - 1 DESTRUÍDO.


TANQUE KV - 1 DESTRUÍDO. A DIR., BURACO PENETRAÇÃO OBUS CANHÃO 88MM.


TANQUE KV - 2 DESTRUÍDO.
avatar
Antonio C. Pulsy

Idade : 62
Localização : Canoas/RS.
Data de inscrição : 24/04/2014

http://antonio.pulsy@bol.com.br

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum