ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

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ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Sab Out 28 2017, 07:47

Compartilho com os colegas, "Operação Nazista Bernhard, Mega Falsificação de Libras - 1942".


                                                  OPERAÇÃO BERNHARD,
                                             MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS.

No verão de 1942, os alemães empreenderam a Operação Bernhard, em que um grupo qualificado de prisioneiros judeus falsificadores se reuniu no campo de concentração de Sachsenhausen para falsificar notas do banco britânico, ou seja, libras. Sob muita pressão, fizeram peças de arte! Notas de £5, 10, 20 e 50 são consideradas as melhores falsificações do dinheiro britânico já feitos, e foram passadas ​​com sucesso por vários países, e mesmo até circuladas na Inglaterra. Essas notas passaram até em testes no Banco da Inglaterra!
Os nazistas tentaram vencer a Grã-Bretanha com a força aérea, mas os ingleses tinham uma nova tecnologia, o radar, que evitou a vitória alemã. Os alemães afundaram navios mercantes, para evitar o abastecimento da Inglaterra, seus aviões bombardearam indústrias e cidades inglesas, para diminuir a produção britânica e enfraquecê-la. Mas a Grã-Bretanha resistiu. Então, os nazistas tiveram de pensar em outras táticas para destruir a Grã-Bretanha, e uma delas era inusitada, pois não envolvia ataques, confrontos militares, bombardeios ou a criação de novas armas. Em 1942, um grupo de 142 falsificadores judeus e poloneses, companheiros no campo de concentração Sachsenhausen, em Oranienburg, a 22 milhas ao norte de Berlim, no bloco 18 e 19, e alguns vindos de Auschwitz-Birkenau, foram reunidos pelo major Bernhard Krüger para dominar as técnicas de falsificação de libras esterlinas e passaportes. O objetivo era “quebrar” a economia britânica, lançando no mercado milhares de libras falsificadas. Foi em 1942 que Heinrich Himmler (Reichsführer das Schutzstaffel, Comandante Militar da SS) encarregou o major (Sturmbannführer) SS Friederich Walter Bernhard Krüger, para executar o plano. Como Krüger teve dificuldades em obter técnicos alemães, foram selecionados judeus especialistas no tema com habilidades específicas: tipógrafos, ilustradores, pintores, retocadores, químicos, gravadores, impressores, encadernadores, trabalhadores bancários, falsificadores, etc, dentre esses, Salomon Smolianoff (1899-1976) e Adolf Burger (1917-2016). Esses prisioneiros eram classificados como “trabalhadores altamente essenciais” e alguns privilégios lhes eram concedidos como a segurança de sobrevivência e um tratamento melhor do que os demais prisioneiros. Inicialmente, as notas seriam lançadas por aviões sob solo britânico, onde se esperava que os cidadãos recolhessem o dinheiro e o gastassem, inflacionando a economia do país. Mas, devido ao baixo número de aviões, optaram por um plano mais discreto. O dinheiro seria distribuído pelas embaixadas e consulados para compra de materiais e bens em países neutros, assim como o pagamento de seus espiões e agentes. Os primeiros “produtos” foram repartidos entre as embaixadas e consulados alemães na Turquia, Espanha, Suécia e Suíça. No final de 1943, eram impressos aproximadamente um milhão de notas por mês. Grande parte desse dinheiro foi transferida para um hotel perto de Meran, na província de Trentino-Alto, na Itália. Acredita-se que o resgate do ditador italiano Benito Mussolini foi pago com esse dinheiro, mas não há provas. Foi impresso um total de 8.965.080 cédulas que somam um valor de £134.610.810. No final da guerra havia, também, prensas para impressão de francos e dólares. Entre 1942 a 1945, foram impressas mais libras do que as reservas do Banco da Inglaterra possuíam em seus cofres, o equivalente a 15% de todo dinheiro original em circulação. Após a evacuação de Sachsenhausen, no início de 1945, a unidade foi movida para o campo de concentração de Mauthausen-Gusen na Áustria, depois para a série de túneis de Redl-Zipf e finalmente para o campo de concentração de Ebensee. Em abril de 1945, os moradores próximos do lago Toplitz (Toplitzsee, em alemão) foram acordados às 4 horas da manhã por soldados alemães e obrigados a deixarem as pressas suas casas, e forçados a retirar de caminhões, cinquenta caixas de madeira pesadas, colocá-las em suas carroças e transportá-las até a margem do lago, tudo sob a mira de metralhadoras. Os alemães tinham tentado mover tal carga sozinhos, mas os veículos pesados ficaram presos na lama, forçando-os a confiar nas carroças dos moradores, mas que também ficaram presas e então usaram os moradores para transportar nos braços, tais caixas. Em maio de 1945, uma ordem foi expedida para a transferência do grupo para o campo de concentração de Ebensee, onde todos deveriam ser executados na chegada. Havia apenas um caminhão disponível para o transporte e por isso, foram necessárias três viagens. Na terceira viagem, o caminhão quebrou e os prisioneiros tiveram que caminhar até Ebensee, chegando no dia 4 de maio. Os guardas fugiram, após uma revolta dos prisioneiros. Os falsificadores se misturaram com os outros prisioneiros e, graças a isso, não foram executados. Em 05 de maio de 1945, os prisioneiros do campo de Ebensee foram libertados pelos soldados americanos. Após alguns anos, em julho de 1959, uma equipe financiada pela revista alemã Der Stern, conseguiu recuperar grande número de caixas de madeira com 72 milhões de libras em notas falsas do fundo do lago, e todas em excelente estado de conservação, que chegaram a serem usadas no mercado, a tal ponto que o Banco da Inglaterra retirou de circulação todas as notas maiores que £5 para fazer novas emissões. Foi apenas em 1960 que a nota de £10 foi reiterada, £20 em 1970 e £50 em 1980. Também encontraram, uma prensa de impressão, equipamento de laboratório, armas e controles de foguetes. Em 1983, Hans Fricke, um biólogo alemão, explorou o lago e os terrenos adjacentes e encontrou também caixas de dinheiro falso, munição, armas, peças de foguetes e partes de um avião explodido. Em novembro de 2000, a rede de televisão CBS, juntamente com a Oceaneering Technologies, a mesma empresa de salvamento submarino que descobriu o Titanic e o Simon Wiesenthal Center, tentaram recuperar documentos relativos a bens roubados pelo regime nazista. Em vez disso, eles encontraram evidências e equipamentos da Operação Bernhard e uma caixa contendo "centenas de tampas de garrafas de cerveja" que moradores jogaram no lago de forma irônica, dias antes da exploração da equipe. Em outubro de 2009, o governo austríaco, a fim de proteger a integridade do meio ambiente, anunciou planos para proibir novas pesquisas na área por 99 anos. Houve uma parte do dinheiro que foi usada pelos judeus para compra de material bélico para o iniciante Exército Israelense e para ajudar no exílio para a Palestina de muitos judeus. A Operação Bernhard é considerada a maior falsificação de dinheiro já ocorrida no mundo.

DINHEIRO (LAGERGELD) CAMPO DE CONCENTRAÇÃO ORANIENBURG.


MAJOR FRIEDRICH WALTER BERNHARD KRÜGER.


FICHA DA POLÍCIA DE SALOMON SMOLIANOFF.


CARTÃO PRISIONEIRO SALOMON SMOLIANOFF CAMPO MAUTHAUSEN.


FOTO LIBERTAÇÃO DOS "FALSÁRIOS", EBENSEE. SMOLIANOFF, 1º A ESQ. DE CAMISA BRANCA.


NOTAS DE LIBRAS FALSIFICADAS.


MERGULHADOR TRAZENDO AS CAIXAS COM LIBRAS FALSIFICADAS DO LAGO TOPLITZ.


CAIXAS DE LIBRAS RETIRADAS DO LAGO TOPLITZ.


CAIXAS DE LIBRAS DO LAGO TOPLITZ.


LAGO TOPLITZ - ÁUSTRIA.


CARTAZ DO FILME "OS FALSÁRIOS".
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

Mensagem por EDUARDO HOFSTATTER em Qua Abr 11 2018, 20:21

muito boa esta postagem, antonio. quando comentei com uma prima sobre o filme 'os falsarios', ela me passou a seguinte informação: o chefe da equipe de falsarios, que o filme encerra mostrando-o gastando suas libras falsas em um cassino e com mulheres, na verdade mudou-se para Porto Alegre, onde montou um atelier de fotografia e pintura e viveu discretamente (nem sua empregada domestica conhecia sua verdadeira identidade) até que uma das revistas brasileiras mais importantes da época (não lembro se manchete ou cruzeiro) 'rastreou' sua verdadeira identidade e transformou-o em reportagem. parece-me que inclusive faleceu em Porto Alegre, mas não lembro de todos os detalhes. se alguem souber detalhes, por favor compartilhe.

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qua Abr 11 2018, 20:31

Prezados,

complementando a informação:

Salomon Smolianoff (Kremenchuk, 1897 - Porto Alegre, 1976) foi um falsificador russo sobrevivente ao Holocausto. Sally, como era conhecido, ficou conhecido mundialmente como um dos maiores falsificadores da sua época, tendo estado envolvido na famosa Operação Bernhard, onde os prisioneiros dos campos de concentração eram obrigados a criarem notas, passaportes, dentre outros documentos falsos. Todos os traços de falsificação de Smolianoff foram perdidos, após a sua libertação. Ele foi citado no "Wanted" como falsário, mas também é creditado por falsificar documentos de emigração de judeus, tentando ir para a Palestina. Em seguida, ele emigrou para o Uruguai, onde falsificou ícones russos. Acabou sendo pego pela polícia uruguaia e se mudou para o Brasil nos anos 1950, onde entrou no ramo de brinquedos. Salomon Smolianoff morreu em Porto Alegre perto de completar oitenta anos, sendo enterrado no Cemitério Israelita Porto-Alegrense.
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

Mensagem por EDUARDO HOFSTATTER em Qui Abr 12 2018, 09:39

mais uma vez grato pelas excelentes informações, Antonio

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qui Abr 12 2018, 13:32

Prezado,

agradecido...
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO BERNHARD, MEGA FALSIFICAÇÃO DE LIBRAS - 1942!!!

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