ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

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ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Ter 17 Out 2017, 20:59

Compartilho com os colegas, "A Viagem Marítima dos Condenados - 1939".


                                           A VIAGEM DOS CONDENADOS - 1939.

Após a subida de Hitler ao poder, a Alemanha se tornara um verdadeiro inferno para os judeus. Dos 600 mil judeus que viviam na Alemanha em 1933, metade deixara o país. Dezenas de milhares de judeus passaram a procurar os consulados estrangeiros à procura de vistos. Em 13 de maio de 1939, o luxuoso transatlântico St. Louis da Hamburg-American Line, partia do porto de Hamburgo, na Alemanha, com destino à Cuba com 937 passageiros - 930 deles refugiados judeus. Inscrito em cada passaporte um carimbo "J" vermelho de "Judeu", e em cada mente, a memória de seis anos de terror cada vez maior. Todos os refugiados conseguiram juntar US$ 262 para a passagem para Havana, mais US$ 81 como garantia para a tarifa de retorno no caso de Cuba não aceitá-los. Mas esta era uma formalidade, uma vez que todos possuíam certificados oficiais de desembarque, assinados pelo coronel Manuel Benites, Diretor-Geral de Imigração de Cuba. Um decreto existente em Cuba, "parecia" indicar que aceitaria refugiados. Alguns dos passageiros se viram obrigados a deixar suas famílias, esperando poder mandar buscá-las algum dia. A maioria tinha, também, requerido vistos para os EUA, planejando ficar em Cuba até ter permissão para entrar no país vizinho. Ao zarparem de Hamburgo, nenhum deles sabia que oito dias antes, o presidente Federico Laredo Brú, de Cuba, havia assinado o Decreto nº 93 que invalida seus certificados de desembarque. A partir de agora, os refugiados deveriam transportar vistos aprovados pelos departamentos cubanos do Estado, do Trabalho e do Tesouro. Os milhares de certificados de desembarque em branco vendidos para a Hamburg-American Line para revenda aos refugiados desesperados, agora não valem nada. O novo regulamento cubano tinha sido cominicado a empresa, antes do navio zarpar, mas de alguma forma, os passageiros nunca foram notificados - nem o capitão Gustav Schröder, o comandante do St. Louis. O navio com judeus a bordo, deixava a Alemanha na esperança de escapar do nazismo que já lançava sua sombra negra sobre a Europa. Preocupados, perguntavam-se como seriam tratados em um navio de tripulação alemã, com uma suástica na bandeira. Um quadro com a foto de Hitler, pendurado no salão principal, parecia confirmar todos os seus receios. Mas o capitão do navio, Gustav Schröder, alertara a tripulação que os passageiros judeus haviam pago as passagens integralmente e, portanto, deviam ser tratados como os demais, com consideração e respeito. Schröder fez de tudo durante a viagem para ajudar seus passageiros. O capitão chegou mesmo a dar um passo, sem precedentes e extremamente perigoso, de remover o quadro com a foto de Hitler da parede do salão principal para que os judeus o utilizassem como local de orações. Em seu diário de bordo, o Capitão Schröder descreve aqueles momentos: “Há certo nervosismo a bordo. Apesar disso, todos parecem convencidos de que não retornarão à Alemanha. Cenas comoventes de despedida ocorreram no cais. Enquanto uns lamentavam profundamente a perda de seus lares, outros se sentiam aliviados. No entanto, o bom tempo, a brisa marinha, a boa comida e os bons serviços conseguirão criar o tradicional clima descontraído de todas as viagens. As lembranças dolorosas desaparecerão rapidamente e, em breve, serão apenas sonhos distantes”. Sempre que necessário, o Capitão Schröder procurava ajudar os passageiros. Em 23 de maio, um deles faleceu e teve que ser lançado ao mar. Seu corpo, no entanto, não foi enrolado na bandeira nazista como determinava o protocolo da marinha alemã, mas na bandeira da linha marítima. Mas, ao chegar a Havana, o sonho de liberdade daquela gente se transformou em pesadelo. A maioria dos países – e principalmente os Estados Unidos – mantinham rígidas quotas de imigração e era cada vez mais difícil para um judeu obter um visto de emigração. No meio de uma forte recessão, Cuba já absorvera um grande fluxo de refugiados, entre os quais cerca de 4 mil judeus, e os recém-chegados eram vistos pela população local como concorrentes a suas próprias vagas no mercado de trabalho. Goebbels, Ministro de Propaganda de Hitler, enviara agentes à Havana para fomentar o antissemitismo na ilha e organizar protestos. Poucas horas depois do navio atracar, funcionários da Imigração subiram a bordo e, sem nenhuma explicação, vistoriaram o navio e desceram, deixando para trás guardas para impedir o desembarque. Familiares e amigos que tentavam aproximar-se em barcos não puderam fazê-lo. O pânico se espalhou rapidamente. Inutilmente, o capitão Schröder tentou acalmar os ânimos, assegurando que não os levaria de volta à Alemanha. No dia 30, o drama daquela gente chega a um trágico crescente, quando o Dr. Max Loewe, um judeu veterano da 1ª Guerra Mundial, condecorado com a Cruz de Ferro, corta os pulsos e se atira ao mar. Loewe havia sido prisioneiro dos nazistas em Buchenwald. Um tripulante pulou na água e conseguiu resgatá-lo. Após tentar pular novamente, finalmente Loewe é levado para um hospital. Sua esposa não pode acompanhá-lo, sequer visitá-lo. Uma pergunta pairava no ar: o que eles fariam se fossem levados de volta à Alemanha? Com certeza seriam enviados aos campos de concentração. O clima de terror a bordo era tal que o capitão Schröder temia suicídios em massa, pois muitos passageiros haviam declarado preferir a morte a voltar. Para evitar tal situação, passageiros e tripulantes criaram uma patrulha que circulava, principalmente à noite. Sem alternativa a não ser levantar âncoras, o St. Louis se afastou de Cuba e o capitão dirigiu-se à costa da Flórida. Tinha esperança de que os EUA aceitariam a entrada dos refugiados judeus no país. Na manhã seguinte, o desmentido. Os Estados Unidos também deixaram de ser uma opção. Em 5 de junho, anunciaram que ninguém poderia descer do navio na costa da Flórida. No Canadá não foi diferente. Quando foi perguntado a um oficial canadense quantos judeus em fuga da Alemanha nazista poderiam ser admitidos no Canadá, ele respondeu: “Nenhum deles já seria muito”. Ainda havia alguma esperança de que algum país europeu os recebesse. Enquanto as negociações prosseguiam nesse sentido, o capitão Schröder atrasou o quanto pôde a viagem de volta, recusando-se a regressar à Alemanha, até encontrar um porto seguro para seus passageiros. Chegou ao extremo de criar um plano contingencial no qual o St. Louis deveria naufragar “espetacularmente” perto da costa inglesa, para forçar as autoridades britânicas a agir. Quando tudo parecia perdido, após árduas negociações, organizações judaicas conseguiram convencer alguns países a receber pequenos grupos de passageiros. A Holanda concordou em receber 181; a França, 228; a Inglaterra, 288 e a Bélgica, 214. Em 7 de junho, o St. Louis rumou à Europa, a países que breve seriam ocupados pelas tropas nazistas. Entre 16 e 20 de junho, os passageiros do St Louis foram transferidos para outros navios e levados a seu novo destino. Depois de ter atravessado o oceano duas vezes em menos de 40 dias, os judeus sentiam-se sós e rejeitados pelo mundo. Com a eclosão da 2ª Guerra Mundial, poucos meses depois, e com a ocupação dos países europeus nos quais os refugiados  haviam sido autorizados a desembarcar, muitos acabaram sendo enviados para campos de concentração. Uma pesquisa do Museu do Holocausto, revelou que a maioria dos 288 enviados à Inglaterra sobreviveram. No entanto, o destino dos que desembarcaram na Europa continental foi mais sombrio: 254 morreram, a maioria em campos de concentração. Apenas 365 sobreviveram; desses, 87 conseguiram emigrar para os Estados Unidos, antes da Alemanha invadir os países que os acolheram. Um foco de luz ilumina esse negro quadro do St. Louis: o capitão Gustav Schröder, que emergiu da tragédia como o herói que realmente foi. O capitão foi condecorado com a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha, quando a guerra terminou, dois anos antes de sua morte em 1959. Em 11 de março de 1993, o Instituto Yad Vashem de Israel, Museu do Holocausto, o reconheceu postumamente como "Justo entre as Nações". Tivesse o navio voltado diretamente a um porto alemão, todos seus passageiros judeus certamente teriam acabado seus dias em campos de morte nazistas. Foi graças, antes de tudo, à coragem e determinação desse homem de não abandonar seus passageiros à sua sorte que muitos deles puderam escapar vivos do Holocausto. Gustav Schröder que comandou o transatlântico St. Louis na saga para salvar judeus do nazismo é um "Justo entre as Nações". Esses eventos foram dramatizados em um romance de 1974 e no premiado filme de 1976, “A Viagem dos Condenados”.
 


ENVELOPE AMERICANO VIAGEM TRANSATLÂNTICO ST. LOUIS - 1939-1999.


CARTÃO POSTAL COLORIDO TRANSATLÂNTICO ST. LOUIS.








INÍCIO DA VIAGEM.


PASSAPORTE COM "J" DE JUDEU, NORMA NAZISTA.




PRESIDENTE CUBANO FEDERICO LAREDO BRÚ (ESQ.)



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Antonio C. Pulsy

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

Mensagem por FRITZEN em Ter 17 Out 2017, 21:27

Cartão Postal do MS St. Louis (Hamburg - America Line), de Hamburg 31.07.1933



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FRITZEN

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

Mensagem por H Roberto em Ter 17 Out 2017, 21:30

Parabéns Antonio...sua narrativa leva a sensações de desespero em certos momentos e alívio
em outros. Como se estivesse olhando o filme.
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Ter 17 Out 2017, 21:43

Prezado,

o filme A Viagem dos Condenados, quem não viu, vale a pena ver...
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Antonio C. Pulsy

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

Mensagem por Marcelo Zampa Filgueiras em Qua 18 Out 2017, 06:56

Obrigado Antônio.
Fica difícil imaginar a sensação de não ser recebido, acolhido por ninguém. Uma situação tão desesperadora que o suicídio rondava estas pessoas. Justa homenagem ao capitão do navio.
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Marcelo Zampa Filgueiras

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qua 18 Out 2017, 07:39

Prezado,

há milhares de "Justos entre as Nações" para serem recordados...
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Antonio C. Pulsy

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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: A VIAGEM MARÍTIMA DOS CONDENADOS - 1939!!!

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