PORTUGAL - 1ª GUERRA MUNDIAL: A PARTICIPAÇÃO DE PORTUGAL NA 1ª GUERRA MUNDIAL - 1916!!!

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PORTUGAL - 1ª GUERRA MUNDIAL: A PARTICIPAÇÃO DE PORTUGAL NA 1ª GUERRA MUNDIAL - 1916!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qui Set 28 2017, 07:28

Compartilho com os colegas, "A Participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial - 1916".


                                           PORTUGAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.

No dia 28 de julho de 1914, teve início a Primeira Guerra Mundial, uma guerra global centrada essencialmente na Europa. Por um lado estavam os Aliados, cuja base era a Tríplice Entente (aliança militar entre Reino Unido, França e Império Russo); por outro lado estavam os Impérios Centrais, cuja base estava na aliança militar entre a Alemanha e a Áustria-Hungria. Inicialmente Portugal não se envolveu diretamente nesse conflito, apesar de ter enviado tropas para Angola e Moçambique em 1914, com o propósito de defender suas colônias contra a presença ameaçadora que a Alemanha tinha na África, e que assim colocava em risco o domínio português sobre suas colônias. Em Portugal havia quem defendesse a entrada do país na guerra e outros que se opunham a essa ideia. Os que defendiam a entrada de Portugal na guerra, apresentavam vários argumentos, tais como a necessidade de preservar as colônias portuguesas, e também invocavam a antiga aliança que Portugal tinha com a Inglaterra, entre outros argumentos. Em fevereiro de 1916, a pedido dos britânicos, Portugal apreendeu cerca de setenta de navios alemães que estavam estacionados na costa portuguesa. Este incidente acabaria por levar a Alemanha a declarar guerra contra Portugal em 9 de março de 1916, sendo esse o desejo do governo português. Assim, Portugal entrava na Primeira Guerra Mundial ao lado dos Aliados. Em 1917, Portugal enviou tropas para vários locais, entre os quais para Flandres (Bélgica) e França. Das diversas intervenções militares de Portugal na Primeira Guerra Mundial, a mais marcante foi na Batalha de La Lys, ocorrida em Flandres. Na madrugada de 9 de abril de 1918, as forças portuguesas com cerca de 20 mil homens foram atacadas pelas forças alemãs, muito mais numerosas, que tinham mobilizado 100 mil homens para esse ataque. Esse confronto fazia parte de uma operação que os alemães chamaram de "Operação Georgette". Em poucas horas, no decurso desta batalha desigual, as tropas alemãs provocaram pesadas baixas no Corpo Expedicionário Português (CEP). O número exato de baixas portuguêses não parece ser consensual. Segundo algumas fontes, esta batalha provocou nas tropas portuguesas 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros. Porém, existem outras fontes que apresentam números diferentes. O Corpo Expedicionário Português, apesar de ter tentado oferecer resistência, acabaria por sair rapidamente derrotado perante o evidente maior poderio alemão. A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra brutal e devastadora. Milhões de combatentes e civis morreram durante esta guerra, e muitos outros ficaram feridos. Quanto a Portugal, foram muitos milhares os mortos e feridos nas suas tropas. A participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial acabou por afetar negativamente a sociedade portuguesa daquela época. No final da guerra, as forças Aliadas saíram vencedoras. Após a assinatura do armistício em novembro de 1918, os portugueses desfilaram como vitoriosos nos Campos Elísios, em Paris, juntamente com as tropas Aliadas.
                                                            BATALHA DE LA LYS.

Batalha travada em 9 de abril de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, entre as forças da Alemanha e do Império Austro-Húngaro, por um lado, e a coligação de países em que se destacavam a Inglaterra, a França e Portugal, por outro. A batalha decorreu numa planície pantanosa banhada pelo rio Lys e seus afluentes. As forças portuguesas assumiram a disposição de um trapézio, cuja face voltada para o inimigo se estendia por 11 km, e dispuseram-se em três linhas de defesa. Este foi um dos mais sangrentos confrontos em que esteve envolvido o Corpo Expedicionário Português (CEP), que teve as seguintes baixas: 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7440 prisioneiros. Após hesitações e polémicas, os portugueses resolveram entrar na Primeira Guerra Mundial, justificando tal atitude com a defesa das colônias, cobiçadas pelos alemães, e a afirmação do prestígio internacional de Portugal, para além da afirmação da jovem República, legitimando assim, a pretensão de entrar em conversações de paz que pudesse retirar dividendos para a nação. O apelo da Inglaterra, velha aliada de séculos, acelerou a entrada no conflito: a pedido dos ingleses, Portugal aprisionou em 1916, cerca de setenta navios alemães fundeados nos portos nacionais e ultramarinos, o que precipitou a declaração de guerra da Alemanha a Portugal a 9 de março. Já adversários na África havia alguns anos (ataques germânicos no sul de Angola e norte de Moçambique), as hostilidades luso-alemãs passaram também para a Europa, ainda que aqui os portugueses estivessem inseridos em contingentes aliados. O governo da República decidiu criar, por isso, o Corpo Expedicionário Português. Designado por CEP, os seus dois primeiros contingentes rumaram para França em 26 de janeiro de 1917, depois de terem sido preparados sob a direção do general e ministro da Guerra Norton de Matos de forma rapidíssima (durante nove meses) nos quartéis de Tancos. Este fato se apelidou de "milagre de Tancos", devido a depressa e o bem (de acordo com relatórios oficiais) em que se transformaram em soldados aptos e capazes para um conflito duro homens que, até pouco tempo antes, tinham uma vida civil, pacata e tranquila. O CEP era comandado pelos generais Tamagnini e Garcia Rosado. O exército português estava, ao eclodir a Guerra, ainda numa fase de reorganização, num processo de alteração da sua estrutura monárquico para as novas exigências e formato republicanos. A partida de milhares de homens para Flandres gerou, no entanto, descontentamento nacional, avolumados pelos enormes gastos do governo. O primeiro grupo de militares instalou-se em Thérouane, em Flandres, constituindo aí, com os que viriam posteriormente, uma divisão com quartel-general na mesma localidade. Posteriormente, com os reforços e outros contingentes enviados, a divisão é transformada em duas, ficando a segunda com quartel-general em Fanquenbergues. Em 3 de janeiro de 1917, convencionou-se com a Grã-Bretanha que o CEP ficaria sob as ordens da British Expedicionary Force, embora tenha colocado um pequeno contingente de artilharia numa área militar francesa. A partir de maio, o CEP dispôs-se de forma definida no terreno, reforçando posições defensivas basicamente com unidades de infantaria. A 1ª Brigada instalou-se no setor de Neuve-Chapelle; a 2ª ocupou posição, já em junho, em Ferme-du-Bois, instalando-se mais tarde, em julho, uma 3ª em Fauquissart. Estas três brigadas - a 1.a Divisão do CEP - estavam taticamente ligadas aos britânicos (XI Corpo de Exército Britânico). No fim do verão, chegaria uma nova brigada, chamada "do Minho", que se colocou na frente de batalha. Com este reforço, o CEP tornou-se, do ponto de vista de estratégia militar e operacional, um corpo de exército, centrado em St. Venant, seu quartel-general. Em relação aos Aliados, subordinava-se ao 1º Exército Britânico, ocupando uma frente entre Béthune, Lavantie e Fleurbaix, na Flandres francesa. Integrados nos setores britânicos, os soldados portugueses tinham como função guarnecer as posições da frente designadas para suas brigadas, o que fizeram durante dois anos consecutivos em condições de combate extremamente duras, participando por vezes em açõess contra posições alemãs. Ao fim daqueles dois anos, permanentemente em trincheiras, foram substituídos por unidades britânicas. O cansaço e o stress de guerra acumulados naquele tempo eram demasiado grandes e a operacionalidade, o moral baixo, apesar da bravura e entrega ao combate. Durante aquela rendição, deu-se a ofensiva de abril dos alemães, um esforço para abrir brechas na frente aliada e "empurrar" os exércitos britânicos - onde estava o CEP - para o mar, tentando assim abrir caminho para a França. Esta ofensiva foi antecedida, a 9 daquele mês de 1918, de uma feroz e mortífera barragem da artilharia alemã sobre as posições do CEP, ponto nevrálgico para onde confluiria a coluna principal da ofensiva, aproveitando a extenuação e falta de reservas humanas e materiais dos portugueses, sem apoio que estavam, depois da derrota dos flancos britânicos - surpreendidos com o ataque - da frente em que se incorporavam. A resistência foi tenaz e adiou a passagem alemã, ficando célebre a Batalha de La Lys (a que os ingleses chamam Batalha de Armentières). O CEP sofreu pesadas baixas, ficando o que dele restava, depois da batalha, integrado no exército britânico.

                                                             SOLDADO MILHÕES.

Aníbal Augusto Milhais, (nasceu em Murça, Valongo, 9 de julho de 1895 - faleceu em 3 de junho de 1970), mais conhecido por "Soldado Milhões", foi o soldado portugês mais condecorado da I Guerra Mundial e o único soldado português premiado com a mais alta honraria nacional, a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, no campo de batalha. Na Batalha de La Lys a 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP) foi completamente dizimada, sacrificando-se nela muitas vidas, entre os mortos, feridos, desaparecidos e capturados como prisioneiros de guerra. No meio do caos, distinguiram-se vários soldados, anônimos na sua maior parte. Porém, um nome ficou para a História: o "Soldado Milhões". Seu verdadeiro nome Aníbal Augusto Milhais, viu-se sozinho na sua trincheira, apenas munido da sua arma, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os lusos como a Luísa. Munido de muita coragem, enfrentou sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, o que em último caso permitiu a retirada de vários soldados portugueses e ingleses para as posições defensivas da retaguarda. Vagueando pelas trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelos alemães, o "Soldado Milhões" continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de cunhetes de balas que foi encontrando pelo caminho. Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um médico escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado. Regressando a um acampamento português, o comandante Ferreira do Amaral saudou-o, dizendo o que ficaria para a História de Portugal, "Tu és Milhais, mas vales Milhões!".


SELO EM HOMENAGEM AO SOLDADO PORTUGUÊS "MILHÕES".


SOLDADO AUGUSTO ANÍBAL MILHAIS.


CONDECORAÇÃO ORDEM MILITAR DA TORRE E ESPADA.


MEDALHA DE CRUZ E GUERRA.


CARTAZ COMEMORATIVO ALIANÇA PORTUGAL E GRÃ-BRETANHA.


POSTAL COLORIDO PORTUGUÊS 1ª GUERRA MUNDIAL.


PARTIDA DOS SOLDADOS DA CEP EM 1917.


EMBARQUE DAS TROPAS PORTUGUESAS NO CAIS DE ALCÂNTARA - 1917.


GENERAIS TAMAGNINI, HACKING E GOMES DA COSTA NA FRANÇA.


SOLDADOS PORTUGUESES NAS TRINCHEIRAS.


SOLDADOS PORTUGUESES NA BATALHA DE LA LYS.


SOLDADOS PORTUGUESES DESFILAM NOS CAMPOS ELÍSIOS, PARIS. O DESFILE DOS VITORIOSOS!!!


CEMITÉRIO PORTUGUÊS EM RICHEBOURG, FRANÇA.


MOSTEIRO DE SANTA MARIA DA VITÓRIA - TÚMULO DO SOLDADO DESCONHECIDO.


TÚMULO DO SOLDADO DESCONHECIDO.


MONUMENTO AOS COMBATENTES PORTUGUESES NA 1ª GUERRA MUNDIAL - LISBOA.
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Antonio C. Pulsy

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