ALEMANHA - A HISTÓRIA DO VAPOR ALEMÃO CHAMADO WURZBURG - 1901 - 1937!!!

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ALEMANHA - A HISTÓRIA DO VAPOR ALEMÃO CHAMADO WURZBURG - 1901 - 1937!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qui 21 Jan 2016, 11:47

Compartilho com os amigos mais uma história naval!!! Cartão postal em preto e branco, carimbo Cöln - 13/10/1913, porte dois selos Alemanha, carimbo de chegada no destino Santos/SP - 02/11/1913, onde uma passageira brasileira em visita na Alemanha, informa para sua colega no Brasil que retornará no dia 01 de novembro e caso queira escrever para ela, informa seu endereço na Bahia como sendo "a bordo do vapor Wurzburg".

                 O VAPOR ALEMÃO WURZBURG – 1901 – 1937.

A Guerra Franco-Prussiana de 1870 teve a duração de apenas seis meses. Ao seu término, as tropas francesas do imperador Napoleão III estavam militarmente derrotadas pelo exército do rei da Prússia, Guilherme I. Unificada numa mesma nação e conduzida com punho de ferro prussiano do Imperador Guilherme I, a Alemanha cresceria, nas décadas seguintes, como uma nova potência no cenário europeu. Este novo cenário político, econômico e social constituiu um fator de forte expansão nos negócios de todas as armadoras alemãs existentes e uma das que mais cresceram foi a NordDeutscher Lloyd (NDL), baseada em Bremen. A cidade hanseática de Bremen está situada às margens do pequeno Rio Weser, distante cerca de 70 quilômetros das águas abertas do Mar do Norte. Devido ao calado restrito oferecido à navegação moderna por Bremen, surgiu no decorrer deste século, na embocadura do Weser, o novo porto de Bremerhaven. Na época, a armadora já era uma verdadeira potência marítima, pois servia nada menos do que 34 linhas de navegação diferentes. Destas, 07 eram para a América do Norte, 04 para a América do Sul, 12 em direção da Ásia continental, Extremo Oriente e ilhas da Oceania, 05 ligavam portos europeus fora do Mediterrâneo, 01 linha servia o interior desse mesmo mar e outras 05 linhas, de caráter secundário, ligavam os principais portos do Extremo Oriente entre si. Em 1906, a NDL era proprietária de 325 navios de todos os tipos, dos quais 104 eram transatlânticos de passageiros. A armadora empregava um total de 20 mil funcionários, dos quais 12 mil eram embarcados, 6 mil trabalhadores portuários ou de estaleiro e 2 mil eram empregados nos setores administrativo e técnico. A NDL transportava regularmente a média anual constante de 430 mil passageiros. Em apenas dois anos, 1904 e 1905, sairia de Bremen, a bordo dos navios da NDL, um total de 312 mil emigrantes para o Novo Mundo. Em 1900, foram lançados ao mar, das rampas do estaleiro Bremer Vulkan, situado na localidade de Vegesack, dois vapores mistos, de média capacidade de carga, que vieram se integrar à grande frota da NDL. Receberam os nomes de Strassburg e Wurzburg. Eram navios gêmeos, com desenho de prancha convencional, ou seja, superestrutura central de dois conveses, única chaminé, dois mastros, seis porões de carga, distribuídos à popa (ré) e à proa (frente).Possuíam maquinário a vapor de tríplice expansão com acoplamento a uma única hélice e modestas acomodações para tão somente 30 passageiros em segunda classe e um milhar em steerage, ou seja, nos porões. Entre a data de sua entrada em serviço, em 1901, até o início de 1907, o Wurzburg foi utilizado numa variedade das tantas linhas da NDL. Sua primeira viagem para os portos da costa Leste sul-americana aconteceu em abril de 1904 e sua utilização na Rota de Ouro e Prata prosseguiu até agosto de 1914, exceção feita a um período de 12 meses, entre fevereiro de 1906 e janeiro de 1907. Em 29 de julho de 1914, as autoridades alemãs iniciaram o envio de mensagens, via telégrafo sem fio (tsf), aos seus navios, ordenando que estes voltassem imediatamente para um porto alemão ou neutro. Em 03 de agosto de 1914, encontrando-se em navegação no Atlântico Central, o Wurzburg foi levado para a Ilha de São Vicente (Cabo Verde) e aí ficou estacionado. Acabara de eclodir na Europa a Primeira Guerra Mundial e aos navios mercantes da Alemanha, que se encontravam fora das águas territoriais, só restava uma saída: refúgio em porto neutro. Quase 70 vapores alemães refugiaram-se em portos do território continental ou ultramarino de Portugal no decorrer daquele mês e ano. Entre fevereiro e março de 1916, estes vapores foram requisitados pelas autoridades portuguesas.
Dentre esses, o Wuzburg, ao qual foi dado o nome de São Vicente, passando oficialmente à propriedade do governo português através da empresa estatal Transportadora Marítima do Estado (TME). No ano seguinte, foi arrendado ao governo britânico e entregue por este ao gerenciamento operacional da armadora Furness Witty. A partir desse momento, o São Vicente, ex-Wurzburg, foi utilizado pelos britânicos numa variedade de rotas ligadas às operações de guerra em curso, sobretudo no Mediterrâneo Oriental. Findo o conflito, em novembro de 1918, a Furness Witty reteve ainda, por vários meses, o vapor português; o São Vicente foi subfretado às autoridades francesas para repatriar tropas, permanecendo nesta função até outubro de 1920, quando foi então consignado o retorno à TME. Estava em péssimo estado, desgastado, por uso e precária manutenção. A partir de maio do ano seguinte, o São Vicente iniciou, após as devidas manutenções, o serviço de passageiros da TME entre Lisboa e Nova Iorque, via escala nos Açores. Permaneceu nessa carreira até 1925, quando foi vendido para a Companhia Colonial de Navegação (CCN), que lhe deu o nome de Loanda. Passou então para o serviço das linhas coloniais africanas da CCN, navegando em conjunto com outros vapores da armadora, tais como Amboim, João Belo e o Guiné. Na época, possuía casco com cor cinza e chaminé amarela, com duas faixas verdes e uma branca. Por quase dez anos, o Loanda percorreu a rota africana sem incidentes. Porém, em dezembro de 1934, houve uma violenta colisão, no porto de Leixões, com o transatlântico de passageiros holandês Orania. O choque da proa (frente) do Loanda com o costado de bombordo (lado esquerdo) do Orania provocou um enorme rombo que, em poucos minutos, através do alagamento do casco, causou o afundamento deste último. O Loanda pôde ser reparado e retomou serviço, mas, em 1937, era um vapor definitivamente ultrapassado, cuja manutenção não mais se justificava, do ponto de vista econômico. Foi, portanto, retirado de linha e encostado. A CCN o vendeu, no início do ano seguinte, a uma empresa demolidora italiana, que o desmantelou e sucateou no porto de Gênova/Itália.
                    
                             ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS:

> Outros nomes: São Vicente, Loanda. > Bandeira: alemã.
> Armador: NordDeutscher Lloyd (NDL). > País construtor: Alemanha.
> Estaleiro construtor: Bremer Vulkan. > Porto de construção: Vegesack.
> Ano da viagem inaugural: 1901.  > Tonelagem de arqueação (t.a.b.): 4.985 t.
> Comprimento: 122 m.  > Boca (largura): 14 m.
> Velocidade média: 12 nós (22 km/h).  > Passageiros: 1.030.
> Classe: 2ª - 30 passageiros. > Classe emigrante - 1.000 passageiros.

              FOTOGRAFIA PRETO E BRANCO VAPOR "WURZBURG".


            CARTÃO POSTAL PRETO E BRANCO CARIMBO CÖLN - 13/10/1913.


        VERSO CARTÃO POSTAL CARIMBO CHEGADA EM SANTOS/SP - 02/11/1913.




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