MEMÓRIA FILATÉLICA

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MEMÓRIA FILATÉLICA

Mensagem por Psique10 em Sab Jun 14 2008, 20:59

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach” – I

A instituição do correio existiu sempre, desde os tempos imemoriais, no Egito, na Babilônia, assim como no Império Romano, mas sob outras formas que não as de hoje.
A transmissão das mensagens era efetuada através de mensageiros, enviados pelos monarcas, príncipes, bispos, monastérios e, sobretudo, pelos mercadores e banqueiros. Era um procedimento demasiadamente oneroso, pois um mensageiro conduzia apenas uma só carta, percorrendo centenas de quilômetros, ou mesmo, milhares, quando, por exemplo, ele partia de Roma.
Somente no final do Século XIV, é qie surge o embrião do moderno correio, com cavalos de muda, mas reservadas sempre aos serviços dos reis e às autoridades públicas.
Foi primeiramente na França, durante a monarquia, com Luiz XI, e para as comunicações a grandes distâncias, com Carlos XI (Carlos V) – Casa de Habsburg, que se iniciou o novo gênero de transmissão de mensagens.
No final do Século XV, o Imperador Maximiliano I concedeu à família italiana Janetto e a Francisco Tasso, conhecidos mais tarde sob o nome de Príncipes Tour e Taxis, o privilégio de organizar, entre Insbruck, no Tirol, e as províncias dos Países Baixos, feudos da Coroa dos Habsburgs – um serviço postal regular. Os Taxis comprometeram-se a manter ao longo dessa rota, mudas de cavalos e de transportar a correspondência em sacos lacrados, com a obrigação de viajar tanto de dia quanto de noite.
Inicialmente, os correios dos Taxis transportavam unicamente mensagens imperiais, mas logo, a fim de diminuir as despesas de transporte, o Governo do Império autorizou a admissão da correspondência privada. Mas o que consistiu em uma verdadeira novidade foi a regularidade dos percursos do correio, efetuada em datas fixas, assim como o estabelecimento de uma tarifa para o transporte de cartas, bastante elevada, aprovada pelo Governo.
O monopólio dos Correios dos Taxis, concedido pela Coroa, favoreceu de tal forma a Companhia, que, já na metade do Século XVI, os Taxis, radicados em Bruxelas, organizaram, na mesma base, um correio internacional entre a possessões dos Habsburgs da Áustria, da Espanha e dos Países Baixos.
Encorajados pela experiência do correio de Taxis, que possuía como lema: “a regularidade, rapidez e o segredo da correspondência”, outros soberanos começaram a organizar correios reais.
E foi assim, por exemplo, que, em 1558, o rei da Polônia Sigismund Auguste, confia à família italiana, estabelecida na Polônia, os Provana, o transporte do correio, estipulando em Atas que o correio deveria ser público “para a comodidade de meus súditos”.
É nessa ata que aparece pela primeira vez a palavra “correios”, “posta”, em italiano. (Continua) Fonte: Revista COFI – Fevereiro/1979.
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MEMÓRIA FILATÉLICA II

Mensagem por Psique10 em Qua Jun 18 2008, 16:00

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach” – II
(Fonte: Revista COFI – Fevereiro/1979)

Outra novidade, o correio real deveria igualmente transportar as encomendas e até bagagens.
Inicialmente, o correio dos Pravana funciona bem e regularmente, entre Cracóvia e Veneza, mas, os Taxis defendem seus privilégios, tratando de impedir o trânsito através do território austríaco.
Em 1558 – Thurn, enviado extraordinário da coroa a Veneza, faz ver ao Imperador Ferdinando que o correio polonês – partindo todas as semanas de Veneza – transportava a correspondência para Viena em 5 dias, enquanto o correio imperial percorria o mesmo trajeto, no mínimo em 9 dias, de modo que o rei da Polônia era informado das notícias políticas mais cedo do que sua Majestade Imperial. Este argumento prevaleceu. A administração austríaca criava tantos obstáculos que o Rei da Polônia viu-se obrigado, a fim de ser mantida a regularidade do correio, a confiar, quatro anos mais tarde, em 1562, o correio real a Christofer Taxis.
Este exemplo faz saber o quanto já era possante a Empresa, e quantas providências foram executadas contra qualquer outra organização concorrente, compreendendo-se nestas circunstâncias, como era audacioso o plano de um correio de âmbito internacional, calcado no trânsito dos Alpes – como o que concebeu o pai do correio na Suiça – Béat Fischer de Reichenbach.
A República de Berna, assim como outros cantões, Zurique e St. Gaal, possuíam, desde o Século XIV, um serviço de correio oficial, inicialmente a pé e depois a cavalo, que a par da correspondência oficial, transportava, igualmente, mensagens privadas. Este correio, entretanto, falhava na regularidade – elemento essencial a todo correio moderno.
Para remediar este estado de coisas, em meados de 1650, as corporações comerciais de Zurique e St. Gaal organizaram um correio semanal de Zurique a Genova que, atravessando o território bernês e contornando a cidade de Berna, deveria fazer chegar a correspondência pelos mensageiros, à capital do cantão.
Havia nessa época, diversas tentativas para organizar um correio internacional, e foi, assim, que um certo Diego Maderno
propôs, em 1653, à Dieta Federal, manter uma ligação postal semanal entre Zurique e Milão através do Gothard. Esta proposição foi aceita; entretanto, cedo surgiram controvérsias entre Zurique e Maderno sobre os abusos do privilégio concedido àquele último, de modo que Maderno teve que cessar suas atividades.

(Continua)


Última edição por Psique10 em Sex Jun 20 2008, 16:50, editado 2 vez(es)
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MEMÓRIA FILATÉLICA III

Mensagem por Psique10 em Qua Jun 18 2008, 16:06

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”–III
(Fonte: Revista COFI – Fevereiro/1979)

Mas, logo, vemos aparecer um personagem que, graças à uma visão geral e a uma grande perseverança, tornou-se o criador do correio moderno na Suíça, e do trânsito internacional – Béat Fischer de Reichenbach. Seu correio funcionou durante 157 anos, de 1675 a 1832, mesmo durante os tumultuosos tempos da invasão francesa à República Helvécia.
Originários de antiga família dos Patrícios, os Fischer’s estão estreitamente ligados à história de Berna; com efeito, Bertholdus Piscator (Fischer), congnominado o “Causídico” em 1227, permanece entre os três (3) primeiros Magistrados da cidade, tendo sido, é provável, igualmente o representante do Poder Imperial, antes do interregno.
Curiosa coincidência de datas! Exatamente 600 anos mais tarde, em 1827, Frederico Emanuel, outro representante desta família, foi elevado ao cargo de Magistrado. Sendo o último Magistrado da República dos Patrícios, encerra a série prestigiosa dos 78 Magistrados do antigo Estado.
Entre os numerosos dignatários que no século XVII ocuparam altos mandatos no Conselho da República bernense, o nome de Béatus Fischer (1641 – 1698) ocupa o primeiro lugar. Educado com esmero, falando fluentemente o Francês, Italiano e o Latim, ele possuía todos os dons de um organizador nato, dotado de uma rara energia, perseverança e talentos diplomáticos.
Secretário da Câmara do Tesouro da República de Berna, em 1671, eleito membro do Conselho Soberano, dois anos mais tarde, nomeado “Bailly” do Condado de Wangen e, finalmente, membro do Pequeno Conselho (Governo Efetivo) – eis os degraus de sua carreira administrativa.
Tendo adquirido, em 1683, a Senhoria do Reichenbach (Riquebac), perto de Berna, transforma o grande castelo, ao gosto da época, ornando os salões de afrescos italianos e de famosos “panneaux”, executados por Joseph Werner, pintor de Luiz XVI, e prepara artisticamente os terraços do jardim, famosos por seus jogos d’água.
Mais tarde, acresce ao seu nome, o dessa terra, como era o hábito, e segundo atributo conferido pelo Imperador Leopoldo I. Sua atividade era intensa. Ao lado de suas múltiplas preocupações e viagens contínuas, ligadas à organização de um correio internacional, sustenta o estabelecimento dos famosos celeiros do Estado de Berna, favorece a cultura da seda, reforma da moeda, e monopoliza o controle do sal, em 1861.
Generoso, oferece à juventude bernense em 1678, a casa dos “Jogos de Pela” – espécie de clube, onde oferecia bailes públicos, jogos de bilhar e até mesmo cenas teatrais; construiu o prédio onde atualmente se encontra o Cassino de Berna.

(Continua)
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MEMÓRIA FILATÉLICA IV

Mensagem por Psique10 em Sex Jun 20 2008, 16:35

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”–IV
(Fonte: Revista COFI – Fevereiro/1979)

Mas o que mais nos interessa é saber como foi nomeado “Intendente dos Correios da República de Berna”.
Nos fins do ano de 1674, Béat Fischer apresenta ao Governo de Berna, um memorial assinado com um pseudônimo, preconizando que um Estado Soberano, doravante destacado do Santo Império pelo tratado de Westfália, deveria possuir seu próprio correio, sob a forma de um monopólio concedido aos particulares. Em seguida, propõe o estabelecimento de um serviço postal, funcionando duas vezes por semana, com a França e com a Alemanha, através de Zurique, Basiléia, Lucerna, Schaffhouse e Genebra. A 4 de janeiro de 1675, ele envia um segundo memorial, desta vez em seu nome, e, não muito tempo depois, o resultado de suas aspirações fez-se notar, quando, a 21 de junho do mesmo ano, recebe uma resposta favorável a sua mensagem do “Magistrado e Conselho” de Berna, concedendo a Béat de Fischer, agora com 34 anos, para si e seus descendentes – uma concessão exclusiva, por 25 anos – de exploração do Correio sobre o território da República de Berna.
Por outro lado, o governo assegura-lhe a defesa de seu monopólio contra terceiros, permitindo-lhe vestir os carteiros com uniformes com as cores do Estado, de emblemar as caixas postais com as armas da República e de adquirir, em Berna, um terreno para a construção de um Hotel dos Correios, etc.
Figurava uma cláusula no contrato, muito importante para Béat, a saber: uma opção preferencial para ele e seus descendentes, após o término do contrato de 25 anos. Obtém, igualmente, o direito, se lhe convier, de ceder seu privilégio a terceiros, ou bem, de escolher os associados.
Por seu turno, Béat se compromete a organizar um serviço de correios, duas vezes por semana, de forma que uma carta expedida em Berna, para Basiléia ou Genebra, possa ter uma resposta em três dias, pela volta do correio.
Por outro lado, Béat se compromete ao fornecer ao Estado, jornais estrangeiros, de transportar a correspondência do Estado graciosamente, de fixar as taxas sob uma forma “moderada” e de perceber para o transporte de ouro – ¼% de seu valor, e quanto ao dinheiro, que é mais volumoso – ½%.
Em caso de perda eventual da correspondência ou das remessas, a Companhia deveria reembolsar seu valor ao expedidor. Bem entendido, o transporte do correio seria efetuado através de cavalos de muda.
O artigo 15 da Convenção estipula que, além do transporte das cartas e das encomendas, é necessário pensar, igualmente, nos viajantes - “ sem o que impedir-se-á a burguesia de enviar seus filhos ao estrangeiro”.

(Continua)
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MEMÓRIA FILATÉLICA V

Mensagem por Psique10 em Sex Jun 20 2008, 16:41

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“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”–V
(Fonte: Revista COFI – Fevereiro/Abril/1979)

O artigo 9 foi concebido sob uma forma engraçada. Eis o seu texto integral: “a fim de que os empreiteiros tenham mais garra de executar e explorar o serviço e, em consideração às grandes despesas que farão – concedemos durante os três primeiros anos de arrendamento (do contrato) – 300 medidas de aveia de nossos celeiros”.
Como já mencionamos, Fischer comprometeu-se a fornecer ao Governo de Berna jornais estrangeiros. Deste fato, o espírito perspicaz de Béat tira proveito para si e para a coletividade. Todos os jornais da Europa passam por suas mãos. Por que não fundar um jornal? E ele funda dois. Associando-se à impressora Kneubühler, dá à Berna um jornal bisemanal, em língua francesa – “La Gazette de Berne”.
Mais tarde, provavelmente em 1689, aparece um outro jornal “Nouvelles de Divers Endroits”. Finalmente, seus sucessores editam, a partir do ano de 1790 – “Les Nouvelles Politiques”. O jornal editado por Béat Fischer foi um dos mais antigos órgãos de imprensa suíça – circulando durante mais de um século, entre 1675 a 1798. Mais tarde, surgem igualmente dois semanários redigidos em língua alemã, “Dienstagzeitung” e “Donnerstag Zeintung”.
Como Fischer já havia previsto no seu memorial, logo surgiu um conflito com o correio “Zurique e St.Gall”, que atravessava, como já dissemos, o território bernense.
Este conflito provocou muitas controvérsias e só terminou 30 anos mais tarde, com um tratado de paz assinado entre os partidos interessados, em 1708, após a morte de Béat. Daí por diante, os habitantes de Zurique deveriam ceder a correspondência entre Aarau e Genebra e Aarau Schaffhouse à autoridade territorial bernense.
Também houve alguns desentendimentos com Genebra e Lucerna. Fischer estava autorizado a instalar uma Agência em Genebra, mas com direitos limitados.
Por outro lado, os Cantões limítrofes lhe eram mais favoráveis. Friburgo e Soleure deram permissão para que ele explorasse os serviços do correio em seus territórios.
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MEMÓRIA FILATÉLICA VI

Mensagem por Psique10 em Sex Jun 20 2008, 16:48

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“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”–VI
(Fonte: Revista COFI – 24/25 - Fevereiro/Abril/1979)

Uma das primeiras tarefas do “Postherr” era a construção, ou melhor, a adaptação das agências de correio em território suíço.
Foi assim que ele construiu em Berna (em Hormanngasse, chamado depois Postgasse), o importante prédio adaptado para este fim. Em Lucerna, ele fez construir a sede do correio, em Kappelplatz, e também em outros pontos.
Entretanto, a administração do conjunto dos correios encontrava-se, de início, no Castelo de Reichenbach, onde foi instalada uma cervejaria para uso dos cocheiros, pois, na maioria, eram bávaros e davam grande valor a sua bebida nacional. Esta cervejaria sobreviveu até nossos dias.
Mas era preciso pensar, sobretudo, na criação de uma coudelaria, destinada ao tratamento dos animais que faziam os percursos dos carros postais e diligências. Com este objetivo, Béat fundou uma escola equitação para aperfeiçoar os empregados. Esta escola serviu mais tarde como importante centro e equitação, de nível superior.
Uma vez organizado o correio na Suíça, Béat de Fischer passou a trabalhar na criação de ligações diretas com o exterior. Uma de suas primeiras preocupações foi negociar com a França, o que aconteceu em 1676.
A Guerra dos Aliados contra a França aumentou a necessidade do trânsito postal pela Suíça, entre a Holanda e a Inglaterra, por um lado, e o Piemonte e Milão de outro. Os embaixadores destes países encorajaram Béat na implantação destas vias de comunicação.
Foi então, pela primeira vez, que entrou em contato com o príncipe de Taxis. Em 1691, foi assinado um acordo em Ulm. Em conseqüência, os transportes do correio de Amsterdam a Schaffhouse são feitos em 4 dias e noites, em 30 horas de Schaffhouse à Genebra, de 3 a 4 dias até Turim. Desta forma, a maior parte do tráfego é desviada das rotas da França.
Foi, assim, que as experiências de Béat de Fischer ficaram conhecidas na Europa por seu funcionamento perfeito, principalmente após o estabelecimento das comunicações entre a Espanha e o Santo Império.
O Imperador Leopoldo I gostou muito da atividade de Béat de Fischer neste campo e conferiu-lhe, em 1680, como recompensa pelos serviços prestados durante a Guerra dos Aliados a condecoração hereditária de “Cavaleiro Antigo” do Santo Império, com aumento de suas armas, esquarteladas com a tropa do correio, bem como o título de “Mestre dos Correios” dos Países Hereditários da Áustria Anterior.
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MEMÓRIA FILATÉLICA VII

Mensagem por Psique10 em Sab Jun 21 2008, 22:45

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”–VII
(Fonte: Revista COFI – 24/25 - Fevereiro/Abril/1979)

Os Fischer’s foram sempre a favor do Santo Império e sobretudo anti-franceses, isto devido a sua simpatia pelos huguenotes, principalmente depois da revolução do Edito de Nantes. Um dos filhos de Béat, Jean Rodolphe, em carta endereçada à Condessa de Thurn-Valsassina, escreveu: “como a Senhora, serei anti-francês até o fim dos meus dias”.
As relações de Fischer com a Corte de Viena eram estreitas e até mesmo íntimas. Assim, a Imperatriz Maria Tereza deu o seu retrato, bem como o do seu marido, o Imperador Stephan, aos Fischer’s. Ainda hoje, podemos admirá-los na residência dos descendentes desta família, em Berna.
Apreciando os méritos de Béat de Fischer no campo postal, o Grã-Duque Eleitor de Brandeburgo, Frederico Guilherme, concedeu-lhe a Cruz da Ordem “Pela Generosidade”.
Mas o grande sonho de Béat sempre foi o estabelecimento de um eixo entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Um projeto audacioso, mas segundo a opinião de Béat, perfeitamente realizável.
“Nil Desperadum” é a divisa da família.
Ele compreendeu, com o espírito de um estadista, que a Suiça é, como se diz atualmente, o centro nervoso da Europa.
Ninguém acreditava nisto, na época.
O grande Louvois – Mestre Geral dos Correios da França – respondeu à oferta de um trânsito postal através da Suiça, considerando-a “impossível, por causa dos Alpes”.
Para Béat Fischer, ao contrário, “nossos Alpes são um dom divino” – dizia ele.
Ao fim de criar uma rede postal Norte-Sul, foi necessário conquistar, em primeiro lugar, os colos de St. Gothard, do Simplon e do St. Bernard.
Todas estas passagens em direção à Itália estavam em poder dos 5 Cantões católicos. As de Simplon e St. Bernard, do Príncipe Bispo de Sion.
Ora, os católicos guardavam zelosamente estes locais para que eles não caíssem em poder dos naturais de Berna ou de Zurique – ambas protestantes.
Foram necessários anos de negociações durante os quais Béat exauriu seu talento diplomático até chegar, finalmente, a um acordo, em 1696.
Havia, entretanto, uma passagem para a Itália mais fácil de se conquistar, a do St. Bernard. Logo, em 1692, Béat assinou um acordo com o diretor dos correios de Turim para a passagem dos mensageiros através deste local.

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MEMÓRIA FILATÉLICA VIII

Mensagem por Psique10 em Seg Jun 23 2008, 11:24

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”–VIII
(Fonte: Revista COFI – 24/25 - Fevereiro/Abril/1979)

Esta nova linha de correios funcionou duas vezes por semana assim como a “messagerie”, que de 15 em 15 dias transportava passageiros e mercadorias. Porém, o ponto mais importante dos planos de Béat era o St. Gothard. A hostilidade de Zurique representava um obstáculo. Era necessário negociar, chegar a um acordo.
Em 1688, ele se encontra com o Conselheiro de Zurique, Kaspar de Muralt, e conclui um tratado de 30 anos para explorar a rota do Gothard. Desta forma, o trajeto Inglaterra-Itália foi aberto em teoria. Mas os Tour e Taxis não haviam desistido – eles trabalhavam eficazmente, como veremos mais tarde.
Os Taxis dispunham, há muito tempo, de um caminho para a Itália, através do Brenner, mas para a correspondência proveniente do Norte da Europa era necessário fazer um longo desvio. Com efeito, a passagem através da Suíça levava de 5 a 6 dias a menos que a de Brenner-Mantoue.
Béat Fischer tinha a sua disposição passagens mais diretas, garantindo a rapidez, elemento essencial de qualquer correio.
Esta vantagem prevaleceu, e os Tour e Taxis se viram obrigados a ceder a linha Inglaterra-Itália aos Fischers.
No outono de 1690, Béat de Fischer, acompanhado de seu filho Béat Rodolphe, de 20 anos de idade, atravessou o Gothard para concluir um acordo com o “Postmeister” de Zurique, Daniel Orelli.
Foi aberta uma nova linha de correio (Paris-Veneza), mas desta vez pelo Simplon.
Como veremos, foi bem mais tarde que uma linha regular (Lucerne Gothard-Milão) começou a funcionar, mas Béat já havia falecido.
Fischer mostra-se incansável em suas viagens de negócios. Em 1692, ele encontra-se em St. Maurice-en-Valais, com o Chefe dos Correios do Reino da Sardenha. Foi, assim, que uma nova rota postal foi aberta através do Grande St. Bernard.
Tudo isto nos parece simples e natural, atualmente, mas como já vimos surgiram, na época, várias dificuldades de ordem religiosa, política, econômica e mesmo puramente técnica.
Para citar apenas um exemplo, lembramos que no Leste da Europa existiam, nesta ocasião, mais de 300 moedas diferentes uma das outras. Praticamente, cada cantão, Estado, principado, província e mesmo cada cidade cunhava sua própria moeda. Nestas condições, era muito difícil calcular a tarifa das cartas e encomendas.
Como manter a regularidade dos percursos, uma vez que a Europa era palco de guerras contínuas?
Béat de Fischer morreu em 1698, com 57 anos. Seus filhos continuaram sua grande obra.

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MEMÓRIA FILATÉLICA IX

Mensagem por Psique10 em Ter Jun 24 2008, 14:25

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”– IX
(Fonte: Revista COFI – 24/25 - Fevereiro/Abril/1979)

Desta forma, quando seu pai ainda vivia, Béat Rodolphe assinou, em 1694, um tratado com o Mestre dos Correios holandeses, Bors, para troca de correspondência entre a Inglaterra, a Holanda, Flandres, o Santo Império, o Piemonte e a Suiça.
Logo depois, Béat Rodolphe entra em contato com o “Postmeister” de Berlim para a troca de cartas e encomendas entre a Suiça, o Piemonte, Lion e vice-versa.
No mesmo ano da morte do fundador do correio bernense, seus sucessores voltaram a tomar posse dos correios de Valais. Em 1699, dos de Friburgo e Neuchafel; em 1705, do de Schaffhouse; em 1736, foi a vez de Genebra.
Para ampliar seu império postal, os Fischers não recuaram diante de nenhum sacrifício financeiro. Assim, para conquistar o país aliado dos Valais – detentor dos colos de Simplon e do Grande St. Bernard – eles concederam a todos os habitantes do Valais a franquia postal. Como lucrariam os habitantes do Valais se o correio dos Fischers funcionasse até hoje!
Fazendo concessão de seus correios aos Fischers, Friburgo obteve também algumas vantagens. Esta região rica, mas essencialmente agrícola situada um pouco distante da Gruyère, não tinha correios. Os Fischers preencheram esta lacuna.
Em 1700, após ter expirado o contrato de 25 anos, o Governo de Berna exigiu dos Fischers uma taxa para a execução dos serviços, que se elevou de 1718 a 1778 para 30.000 libras anuais. De 1793 a 1808, para 75.000 libras bernenses. Por seu lado, Friburgo exigiu 500, Soleure 1.000 libras e assim por diante. Alguns cantões não cobraram taxa dos Fischers.
Os sucessores de Béat ampliaram continuamente o campo de atividade de seus correios internacionais. Assim em 1709, o Duque Eberhart de Wurtemberg nomeia os Fischers “Mestres Gerais dos Correios de Wurtemberg”.
Apesar de todos estes esforços dos concessionários, o objetivo principal, isto é, a abertura definitiva da rota do Gothard, não tinha sido atingido, apesar de ser este o interesse de todo o norte da Europa.
Assim, por exemplo, o embaixador da Grã-Bretanha estimulava os Fischers a acelerar estas negociações. Para atingir tal objetivo, Béat Rodolphe provocou até mesmo uma intervenção do Papa Inocêncio XII.
O apoio deste último “amaciou” um pouco a intransigência dos 5 Cantões católicos, que monopolizavam a rota do Gothard, guardando zelosamente a passagem contra as tentativas dos “heréticos” – segundo eles, os Fischers associados aos Muralts.

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MEMÓRIA FILATÉLICA X

Mensagem por Psique10 em Ter Jun 24 2008, 14:33

Memória Filatélica

“O Império Postal de Béat Fischer de Reichenbach”– X
(Fonte: Revista COFI – 24/25 - Fevereiro/Abril/1979)

Entretanto, a abertura das passagens foi de curta duração. Os cantões católicos, incitados principalmente pelos Tour e Taxis, criaram novas dificuldades.
Parece que o tráfego do St. Gothard normalizou-se apenas pelos idos de 1718.
Apesar de todas estas dificuldades, a família lucrava de maneira apreciável. Só na circunscrição de Berna, o lucro líquido, de acordo com uma pesquisa feita em 1790, era em média de 128.000 libras berlinense por ano.
Entretanto, as tarifas postais não eram tão altas. Para um percurso Berna-Zurique ou Neuchâtel, cobrava-se por uma carta o equivalente a 15 cêntimos.
A correspondência, assim como as encomendas, eram transportada em sacos ou pequenos cofres lacrados, para garantir a integridade e o segredo postal, que muitas vezes não era rigorosamente observado. Os Fischers simplesmente confiscavam qualquer correspondência prejudicial ao Estado.
Deveria ser consagrado um capítulo especial às marcas e sinetes que fechavam os sacos postais.
Em 1968, por ocasião do Congresso Internacional das Ciências Heráldicas, em Berna, foi apresentada em vitrinas especiais, marcas de cera relativas aos correios de Fischers, o grande sinete dos Intendentes ou da Agência Geral, assim como um grande número de sinetes de diversas agências situadas ao longo da estrada.
Trata-se de verdadeiras obras-primas de gravura, sempre com as armas da família - a estrela e o peixe esquartelados, ora com o peixe isolado do feudo de Reichenbach, ora com a trompa do correio acrescentada pelo Imperador Leopoldo I às armas primitivas dos Fischers. É interessante constatar que a trompa do correio dos Fischers tornou-se atualmente o emblema dos Correios Federais, assim como o dos correios de muitos países da Europa, como a Suécia, a Noruega, a Áustria, etc.
Mas logo surgiram tempos conturbados para a Suíça – a invasão das tropas da França Revolucionária.
A constituição de 1798 tinha transformado a Suiça em uma República unitária. Os cantões tornaram-se simples divisões administrativas.
A 1º de setembro de 1798, os Conselhos Legislativos adotaram uma Resolução segundo a qual “como acontece em todos os países civilizados, o correio deve tornar-se um direito regular para o Estado”. Eles decidiram que o correio seria administrado sob a fiscalização do Estado.
Mas esta lei só foi aplicada em um dos cinco distritos postais, criados pelo novo regime – o de Berna, onde o correio foi confiado aos Fischers, cobrando-se uma taxa de 76.500 francos, com a seguinte cláusula: O Estado tem o direito de nomear e demitir os funcionários postais.
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