ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: O CORSÁRIO ALEMÃO KMS ATLANTIS - 1940!!!

Ir em baixo

ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: O CORSÁRIO ALEMÃO KMS ATLANTIS - 1940!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Sab Nov 24 2018, 08:51

Compartilho com os colegas, "O Corsário Alemão KMS Atlantis - 1940".


                                              O CORSÁRIO ALEMÃO KMS ATLANTIS.

Ao iniciar a Segunda Guerra em 3 de setembro de 1939, a Alemanha tinha uma marinha muito inferior à britânica em navios de superfície, contava com sua especialidade, os submarinos e com poucos navios de linha, em especial o Bismarck e seu gêmeo, o Scharnhorst, mas carecia de cruzadores. A Kriegsmarine lançou mão de uma arma auxiliar de pouca importância estratégica, mas de grande importância psicológica, os chamados "cruzadores auxiliares" (em alemão, Hilfskreuzer) ou "corsário", na verdade navios mercantes armados, mas com disfarce de pacíficos navios cargueiros, sendo identificado como Schiff (em alemão, navio) 16. Dez navios foram requisitados, armados e lançados ao mar para atacar o tráfego marítimo inglês. O mais conhecido deles foi o KMS Atlantis, construído pelo estaleiro Bremer Vulkan que era o antigo navio cargueiro Goldenfels que foi armado com 6 canhões 150 mm bateria principal, 1 canhão de 75 mm e 4 canhões de 37 mm bateria secundária, 6 tubos de torpedos, 92 minas e dois aviões Arado Ar 196 (um desmontado no porão). Era um navio de 7.762 t, dois motores diesel com potência de 7.400 HP e preparado para longos períodos de navegação. O Atlantis realizou um feito extraordinário, navegou por quase  dois anos sem voltar à Alemanha, 161 mil km, em 603 dias, foi até o oceano Pacifico e operou no Atlântico Sul e Índico, afundou 16 navios mercantes perfazendo 112.355 toneladas e capturou 6 navios, perfazendo 38.395 toneladas, uma tonelagem total de 150.750 toneladas brutas registradas, até ser afundado em 11 de novembro de 1941 pelo cruzador pesado britânico HMS Devonshire, quando foi surpreendido a noroeste das ilhas Ascenção, enquanto reabastecia o submarino alemão U-68. O Atlantis era comandado pelo capitão Bernhard Rogge, um cavalheiro do mar que fazia questão de salvar os passageiros e tripulantes dos navios afundados e jantava com os capitães desses navios em longas conversas sobre a guerra, a vida, as famílias e a História. Os passageiros e tripulantes que capturava eram enviados à Alemanha por navios capturados, com pouquíssimas perdas. O Atlantis iniciou sua saga em novembro de 1939, dois meses após o início da guerra, quando foi para o estaleiro para ser convertido num navio "corsário". Após sua conversão, deixou as águas alemãs em 30 de março de 1940 e chegou ao Atlântico sem problemas. Entrou no Atlântico Norte disfarçado de navio soviético, o Krin, com chaminés, pintura e bandeiras em perfeito disfarce, depois mudou para o japonês Kasii Maru. A tripulação de 347 homens era altamente treinada em montar disfarces, pintavam todo o navio com as cores do pretenso cargueiro, alguns passeavam no convés como senhoras com carrinhos de bebê, disfarces para "acalmar" o futuro alvo. Se aproximavam do navio alvo com atitude pacifica, só tomava posição de ataque bem perto, com aviso de não usar o radio sob pena de afundamento imediato. Faziam todos descer, depois vistoriavam o navio, pegavam provisões e afundavam o navio. Para montar os disfarces, seguiam o livro da Lloyds Register of Shipping, que tinha as fotos de cada cargueiro em navegação no mundo, mudavam o disfarce a cada captura de navio. Na Oceania, o Atlantis conseguiu aportar em ilhas desertas para reabastecimento de água doce e descanso. As 7hs:00 h do dia 11 de novembro de 1940, o SS Automedon encontrou o navio corsário Atlantis, a cerca de 400 km a noroeste de Sumatra , aproximando-se de um ponto que aproximaria os dois navios. Às 8hs:20, quando o SS Automedon estava a menos de 5 mil metros de distância, o Atlantis descobriu suas armas e abriu fogo. O SS Automedon imediatamente respondeu transmitindo um sinal de socorro, mas só conseguiu enviar "RRR - Automedon - 0416N" ("RRR" significava em código "sob ataque de atacante armado"), antes que os alemães interferissem em suas transmissões. Os artilheiros do Atlantis abriram fogo a partir de um alcance de 2 mil metros, quatro salvas atingindo a ponte e a seção central do SS Automedon matando todos que estavam na ponte, inclusive seu capitão e todos seus oficiais. Quando o grupo de abordagem do Atlantis subiu a bordo do SS Automedon, eles foram recebidos pelo primeiro imediato do navio. A carga do cargueiro tendo aviões, automóveis, peças sobressalentes, bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos destinados a Penang, Cingapura, Hong Kong e Xangai era valiosa, mas de pouca utilidade para o Atlantis. Uma busca mais minuciosa no navio, no entanto, encontrou 15 sacos de "Correio Secreto" para o Comando do Extremo Oriente Britânico, incluindo uma grande quantidade de tabelas de decodificação, ordens de frota, instruções de artilharia e relatórios da Inteligência Naval. A descoberta mais significativa foi, no entanto, uma pequena bolsa verde descoberta na sala de mapas perto da ponte. Marcado como "Altamente Confidencial" e equipado com buracos para permitir que ele afundasse, caso tivesse que ser jogado ao mar, o saco continha um envelope endereçado a Robert Brooke Popham, Comandante-em-Chefe do Comando do Extremo Oriente Britânico. O envelope continha documentos preparados pela Divisão de Planejamento do Gabinete de Guerra Britânico, que incluíam suas avaliações da força e status das forças terrestres e navais britânicas no Extremo Oriente, um relatório detalhado sobre as defesas de Cingapura e informações sobre os papéis a serem desempenhados dos australianos e das forças da Nova Zelândia no Extremo Oriente, caso o Japão entrasse na guerra do lado do Eixo. O capitão Bernhard Rogge do Atlantis, fixou um limite de três horas, durante as quais 31 tripulantes britânicos e 56 chineses, 3 passageiros, suas posses, toda a carne congelada, alimentos e os papéis e malas postais do navio fossem transferidos. O SS Automedon foi afundado às 15hs:07, depois de ter sido avaliado como muito danificado para ser rebocado. Seus sobreviventes chegaram a Bordeaux, na França, a bordo do petroleiro norueguês Storstad. O Capitão Rogge logo percebeu a importância do material que capturara do SS Automedon e rapidamente transferiu os documentos para o navio Ole Jacob, capturado anteriormente, ordenando que o tenente comandante Paul Kamenz e seis tripulantes assumissem o navio e levassem o material capturado aos representantes alemães no Japão. O navio Ole Jacob chegou ao porto de Kobe, no Japão, em 4 de dezembro de 1940. Em 5 de dezembro, os documentos chegaram à embaixada alemã em Tóquio e foi levada à Berlim por via ferroviária transiberiana. Uma cópia destes documentos foi dada aos japoneses e, muitas vezes, é argumentado que isso desempenhou um papel importante na decisão japonesa de iniciar o que se referiu como a "Grande Guerra da Ásia Oriental". Após a entrada do Japão na guerra e na queda de Cingapura, o capitão Rogge foi presenteado com uma katana (espada samurai) ornamentada, em 27 de abril de 1943. O Japão só presenteou três pessoas com essa espada, sendo as outras duas para Hermann Göring e Erwin Rommel. Em 18 de outubro de 1941, capitão Rogge recebeu ordens para se encontrar com o submarino U-68 a 800 km ao sul da ilha Santa Helena e reabastecê-lo, depois, reabasteceria o U-126 em um local pré-estabelecido ao norte da Ilha de Ascensão. O Atlantis se encontrou com o U-68 em 13 de novembro e em 21/22 de novembro com o U-126. A instrução do OKM (Comando Naval Alemão) enviada para o U-126 ordenando este encontro foi interceptada e decifrada em Bletchley Park, Inglaterra, centro de contra-inteligência aliada que havia quebrado o código de criptografia da máquina Enigma alemã e foi repassada para o Almirantado, que por sua vez despachou o cruzador pesado HMS  Devonshire para a área do encontro. No início da manhã de 22 de novembro de 1941, depois de 601 dias de viagens pelos mares, o Atlantis estava fornecendo combustível e víveres no meio do Atlântico sul ao submarino U-126. O Atlantis foi avistado pelo HMS Devonshire. O U-126 sumergiu, imediatamente. Às 8hs:40, o Atlantis transmitiu um relatório de disfarce como sendo o navio holandês Polyphemus. Às 9hs:34, o HMS Devonshire recebeu a confirmação de que este relatório era falso. O Atlantis tentou fugir e lançou uma cortina de névoa artificial. A partir de uma distância de 14-15 km, fora do alcance do Atlantis com seus canhões de 150 mm, o HMS Devonshire iniciou o bombardeio com sua bateria de 203 mm. A segunda e terceira salva de tiros atingem o Atlantis em cheio, provocando destruição, mortes e incendio no navio. Sete marinheiros foram mortos, e sua tripulação abandonou o navio. O capitão Rogge foi o último a deixar o navio. A munição do navio explodiu, e logo após, começou afundar. Enquanto isso, o HMS Devonshire estava se afastando, provavelmente temendo um ataque do submarino. O U-126 só interveio no socorro dos náufragos, resgatando 300 marinheiros alemães e um prisioneiro americano ferido. Ele então rebocou os botes salva-vidas baleeiros por três dias, até encontrar o navio de abastecimento Pithon, que atravessava o Atlântico Sul com a missão de reabastecer os submarinos, transferindo os náufragos para o navio. A presença do navio de abastecimento Pithon e outros submarinos eram de conhecimento dos britânicos, que os procuravam com uma dúzia de navios na região do Equador. Em 1º de dezembro, enquanto o Python estava reabastecendo o submarino U-126 e outro submarino, outro cruzador britânico, o HMS Dorsetshire, procurando os atacantes, apareceu. A tentativa de fuga do navio alemão foi inútil, e sua tripulação afundou o navio para evitar que caisse nas mãos dos ingleses, que recomeçou nova odisseia de náufragos. O HMS Dorsetshire, temendo por sua integridade, se afastou. Foram enviados  dois submarinos U-68 e U-124 e quatro submarinos italianos baseados em Bordeaux ("Tazzoli", "Finzi", "Calvi" e "Torelli"), resgatando todos o 414 náufragos do Atlantis e do Python. Os britânicos sofreram a perda de um de seus cruzadores antigos, o HMS Dunedin, torpedeado em 26 de novembro pelo submarino U-124, a cerca de 240 milhas a noroeste da ilha de São Paulo.  O capitão Bernhard Rogger foi promovido a capitão de navio, recebendo do governo alemão a cruz de ferro com folhas de carvalho. A história do Atlantis foi material de vários livros e um filme.
Em junho de 1986, uma senhora contatou um antiquário querendo livrar-se de uma maquete de 1,5 m de um navio sem identificação. Este navio era diferente: portinholas escondiam canhões e metralhadoras, um painel removível revelava um avião, os mastros podiam subir e descer, não era um navio qualquer. O filho da proprietária da maquete, seu antigo dono, morrera alguns anos antes. Ele era oficial na 3ª D.I.A., a Divisão que tomara a região de Berchtesgaden, onde se encontrava o Ninho da Águia, o refúgio de Hitler. Finalmente surgiram as plaquetas de identificação: era uma maquete fiel do "corsário alemão Atlantis". Esta maquete ultra-secreta só poderia estar no escritório do próprio Hitler!


CRUZADOR PESADO HMS DEVONSHIRE.


HMS DEVONSHIRE.


MAPA ROTAS DE ATUAÇÕES NAVIOS CORSÁRIOS ALEMÃES.


POSIÇÃO ARMAMENTOS INSTALADOS NO ATLANTIS.


CAPITÃO BERNHARD ROGGE.


OFICIAIS ALEMÃES DO ATLANTIS COM CAPITÃO ROGGE.


ARMAS DO ATLANTIS.


PINTURA EM ALTO MAR. MANUTENÇÃO ERA CONSTANTE.


DIFERENTES DISFARCES DO ATLANTIS.


FOTO PUBLICADA NA REVISTA LIFE. FOI CRUCIAL PARA IDENTIFICAR O ATLANTIS.
O REPÓRTER ESTAVA NO NAVIO CAPTURADO PELO ATLANTIS. O REPÓRTER FOI
LIBERTADO PELO CAPITÃO ROGGE.


SS AUTOMEDON.


FOTOS AFUNDAMENTO SS AUTOMEDON.


SUBMARINO ITALIANO PETRY CALVI E U-68 RESGATANDO OS ALEMÃES.


"O ATACANTE ALEMÃO
ATLANTIS".
avatar
Antonio C. Pulsy

Idade : 62
Localização : Canoas/RS.
Data de inscrição : 24/04/2014

http://antonio.pulsy@bol.com.br

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum