ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: FUGA DO CAMPO DE EXTERMÍNIO DE SOBIBÓR - 1943!!!

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ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: FUGA DO CAMPO DE EXTERMÍNIO DE SOBIBÓR - 1943!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qua Nov 21 2018, 09:17

Compartilho com os colegas, "Fuga de Sobibór - 1943".


                                                                    FUGA DE SOBIBÓR.

Sobibór foi um campo de extermínio alemão, localizado na Polônia ocupada pela Alemanha nazista, que foi parte da Operação Reinhard (em alemão: "Aktion Reinhard" ou "Einsatz Reihard" é o codinome dado ao plano iniciado em 1942 pelo Terceiro Reich para exterminar sistematicamente os judeus, os roms, os sintis e os yeniches do Governo Geral da Polônia, ocupada pela Alemanha nazista. Durante a operação, cerca de 1.700.000 pessoas foram mortas), no Holocausto. Judeus, prisioneiros de guerra soviéticos e possivelmente ciganos, foram transportados para Sobibór em comboios e sufocados em câmaras de gás (CO - monóxido de carbono) alimentadas pelo escapamento de um motor a diesel. Cerca de 250 mil pessoas foram assassinadas em Sobibór pelos alemães. Sobibór foi também o local da única revolta bem sucedida de prisioneiros de um campo alemão. Em 14 de outubro de 1943, os oficiais Reichleitner, Wagner e Gomerski de licença, a guarnição da SS estava enfraquecida, o momento da fuga chegara. Por volta das 4 da tarde, o vice-comandante Johann Niemann visitou a alfaiataria para experimentar um novo sobretudo. Lá ele foi morto por Alexsander Shubayev com um golpe de machado na cabeça. Os membros da revolta conseguiram matar secretamente 11 guardas da SS e alguns guardas ucranianos, também. Apesar do plano ter sido matar todos os guardas alemães da SS e sair pelo portão principal do campo, as mortes foram descobertas e os prisioneiros tiveram de correr para salvar suas vidas. Dos cerca de 700 prisioneiros do campo, usados como escravos, cerca de 300 conseguiram fugir. A maior parte deles foi cercada e assassinada nos dias seguintes, mas cerca de 50 prisioneiros conseguiram sobreviver à 2ª Guerra Mundial. Esta fuga forçou os alemães a fechar o campo. Eles desmantelaram e plantaram uma floresta no local para tentar esconder o que tinha se passado ali. Fala-se num judeu passivo, que foi levado sem reação para as câmaras de gás dos campos de extermínio de Auschwitz, Treblinka, Belzec, Sobibór, Chelmno e Majdanek. A maioria, de fato, não reagiu. Pos­sivelmente, estavam paralisados pelo medo e pela extrema violência da estrutura criada pelo nazismo. Mas jornalistas e historiadores têm publicado livros sugerindo que fora dos campos e nos guetos, houve certa reação. No campo de Sobibór, pelo menos 250 mil judeus foram assassinados pelos nazistas e do executor da "Solução Final", Heinrich Himmler. O soviético Alexander (Sacha) Pechersky foi o co-líder da fuga de Sobibór. Stanislaw (Shlomo) Szmajzner, "um planejador-chave na fuga, viveu em Sobibór praticamente do dia da abertura do campo até o dia da fuga". Szmajzner, que escreveu o livro "Inferno em Sobibór — A Tragédia de um Adolescente Ju­deu", morou em Goiânia, onde foi entrevistado por Richard Rashke e pela jornalista e historiadora Gitta Sereny. O fundador da capital goiana, Pedro Ludovico Teixeira, é o autor do prefácio do livro. Thomas (Toivi) Blatt, um dos líderes da revolta, também foi entrevistado por Richard Rashke. Dois livros mostram que judeus se organizaram para, mesmo com estrutura ínfima, enfrentar os alemães: "Os Irmãos Bielski - A História Real de Três Homens Que Desafiaram os Nazistas, Salvaram 1200 Judeus e Construíram uma Aldeia na Flo­resta", e "Um Ato de Liberdade - Os Guerrilheiros de Bielski: A História do Maior Resgate Armado de Judeus, durante a Segunda Guerra Mundial". Treblinka, Belzec e Sobibór eram os campos de extermínio da Operação Rein­hard (o nome era uma homenagem a Reinhard Heydrich, o braço direito de Heinrich Himmler, que havia sido assassinado). Neles, dos mais letais, foram assassinados cerca de 2 milhões de judeus. Só em Tre­blinka foram mortos 900 mil, dada sua dimensão, em comparação com o campo gigante de Ausch­witz, talvez possa ser considerado o mais terrível dos campos de extermínio. As operações de morticínio em Sobibór começaram em maio de 1942 e, por volta de setembro de 1943, cerca de 250 mil judeus já tinham sido assassinados nas câmaras de gás. Toivi Blatt, judeu da cidade de Izbica, na Polônia, foi pego pelos nazistas em 1943. Pediu ajuda para os amigos, como Janek, mas os poloneses deram-lhe as costas. “Adeusinho, Toivi. Hei de ver-te numa prateleira de uma loja qualquer que venda sabão”, disse-lhe Janek, que o delatara. Toivi era um garoto de 15 anos. Em Sobibór, sua mãe foi levada imediatamente para a câmara de gás. Nos campos abrangidos pela Operação Reinhard, como Sobibór, não havia nenhum processo de seleção à chegada. Eram todos enviados para as câmaras de gás. Mas alguns eram escolhidos para trabalhar nos campos e Toivi estava nesta lista. Quando viu o pai na fila dos que estavam sendo levados para a câmara de gás, Toivi gritou: “Ei, ele é um curtidor!” Mas os nazistas precisavam de carpinteiros, talvez precisassem de alfaiates, mas não precisavam dele. Mesmo depois de perder a mãe, o pai e o irmão, Toivi não chorou. No campo, uma das tarefas de Toivi era cortar os cabelos das mulheres que chegavam. Ele só queria sobreviver. Sobibór mudou com a chegada dos prisioneiros do Exército Vermelho, como Arkadiy Vajs­papir, em setembro de 1943. O tenente Alexander Pechersky do Exército Vermelho, começou a organizar a resistência clandestina. As revoltas anteriores haviam fracassado. Pechersky defendeu a tese que foi aceita, de que só podiam escapar por intermédio de uma resistência armada. Os judeus e os prisioneiros soviéticos aproveitaram-se da licença de vários alemães para desencadear a revolta. Eles conseguiram armas, mataram alguns integrantes da SS e escaparam. Cerca de metade dos 700 prisioneiros do campo de Sobibór conseguiu escapar. Toivi contou a um pesquisador que a revolta foi bem-sucedida, porque os nazistas não acreditavam na capacidade de reação dos prisioneiros. Os alemães não consideravam que fôssemos capazes de levar a cabo o que quer que fosse. Consideravam-nos como escória. Não esperavam que os judeus estivessem preparados para morrer, e isto por terem visto milhares que iam morrer por nada. Vários dos 300 prisioneiros que escaparam foram capturados pelos nazistas. Pechersky e alguns aliados se aproximaram de um movimento simpatizante do Exército Vermelho. Himmler, preocupado com a revolta de Sobibór, mandou executar os judeus que estavam nos campos de concentração de Trawniki, Po­niatowa e Majdanek. Foram mortas 43 mil pessoas. Num só dia, fuzilaram 17 mil judeus em Majdanek. O Documentário "Sobibor, 14 de outubro de 1943, 16:00" (hora exata da revolta) do cineasta suíço Claude Lanzmann, contém uma descrição dos acontecimentos, usando filmes da época e relatos de alguns dos sobreviventes.

                                  COMO ERA O CAMPO DE EXTERMÍNIO DE SOBIBÓR.

O campo de extermínio de Sobibór ficava perto da aldeia de Sobibór, localizada na parte leste do distrito de Lublin, na Polônia, perto da linha férrea Chelm-Wlodawa. O acampamento ficava a 5 km do rio Bug, que hoje forma a fronteira entre a Polônia e a Ucrânia. Em 1942, a área em torno de Sobibór fazia parte da fronteira entre o Governo Geral e o Reichskommissariat Ucrânia, o terreno era pantanoso, densamente arborizado e pouco povoado. Sobibór foi o segundo campo de extermínio a ser construído como parte do programa "Aktion Reinhard", e foi construído em linhas semelhantes a Belzec, incorporando as lições aprendidas do primeiro campo de extermínio a ser construído. Nos primeiros meses de 1942, após uma visita de reconhecimento de uma pequena aeronave que circulava pela aldeia, um trem chegou a Sobibór, dois oficiais das SS desembarcavam, eles eram Richard Thomalla, que trabalhava na SS-Zentralbauleitung Zamosc, e Baurath Moser, de Chelm. Eles andaram pela estação, fizeram medições e finalmente entraram na floresta em frente à estação ferroviária. Em março de 1942, um novo ramal ferroviário foi construído, que terminava em uma rampa de terra, a rampa estava em frente ao prédio da estação. A cerca do acampamento com galhos entrelaçados foi construída de uma maneira que assegurou que o ramal ferroviário e a rampa estivessem localizados dentro do acampamento, evitando assim que os passageiros na estação observassem o que acontecia no campo. Os trens de deportação entravam na rampa por um portão e desapareciam atrás da “parede verde”. Na área da estação, três edifícios maiores existiam - a estação, a casa do engenheiro florestal e uma agência dos correios de dois andares. Havia também uma serraria e várias casas para trabalhadores. À medida que o trabalho de construção progredia, realizado por 80 judeus de guetos próximos, como Wlodawa e Wola Uhruska, o local foi inspecionado por uma comissão liderada pelo SS-Hauptsturmführer Neumann, chefe do Escritório Central de Construção da Waffen-SS em Lublin. Uma vez que os judeus completaram a fase inicial de construção, eles foram gaseados durante um gaseamento experimental. Dois ou três deles escaparam naquele momento para Wlodawa e informaram o rabino o que estava acontecendo em Sobibór. O rabino chegou a proclamar um jejum em memória das primeiras vítimas e também como sinal de resistência. Tanto os fugitivos quanto o rabino foram denunciados por um policial judeu e todos foram executados. O acampamento tinha a forma de um retângulo de 400 x 600m, cercado por uma cerca dupla de arame farpado de 3m de altura, parcialmente entrelaçada com galhos de pinheiro para impedir a observação do lado de fora. Ao longo da cerca e nos cantos do acampamento havia torres de vigia de madeira. Cada uma das quatro áreas do acampamento foi cercada individualmente: a área de administração da SS (Vorlager), habitação e oficinas do comando judaico (Acampamento 1), a área de recepção (Acampamento II) e a área de extermínio (Acampamento III), em 1943, a área de abastecimento de munições (Camp IV) foi adicionado. O "Vorlager" incluiu uma rampa, com espaço para 20 vagões de trem, bem como os alojamentos do pessoal da SS e da Trawnikimanner. Também estava incluído o portão principal, no topo do portão principal havia uma placa de madeira com cerca de 0,60 x 2,40m com as palavras " SS- Sonderkommando Sobibór", pintadas em letras góticas. Ao contrário do campo de extermínio de Belzec, os homens da SS viviam dentro da área do acampamento. Os judeus dos transportes de entrada foram levados para a "área de recepção" (Acampamento II), onde tiveram que passar por vários procedimentos, antes de morrer nas câmaras de gás: divisão de acordo com o sexo, a rendição das malas, o confisco de posses e objetos de valor, remoção de roupas e corte do cabelo das mulheres. A caminho da câmara de gás, as vítimas nuas passaram por vários prédios, alguns alojamentos de armazéns, uma segunda ex-casa do engenheiro florestal, que servia de escritório e alojamentos para alguns dos homens da SS, separados por uma cerca alta de madeira, um pequeno campo agrícola, área com estábulos para cavalos, gado, suínos e gansos e cerca de 250m ao sul das câmaras de gás, uma pequena capela católica de madeira, à sombra de pinheiros altos. A área mais isolada do acampamento era a área de extermínio (Acampamento III) localizada na parte noroeste do campo. Continha as câmaras de gás, valas comuns e moradias para os prisioneiros judeus empregados ali. Um caminho de 3 a 4m de largura e 150m de comprimento, "Die Schlauch" (o Tubo) cinicamente conhecido pelas SS no campo, enquanto a  "Himmelfahrtstrasse" (Rua para o Céu) levava da área de recepção para a área de extermínio. De ambos os lados, o caminho era cercado de arame farpado, entrelaçado com galhos de pinheiro. Através dela, as vítimas nuas foram conduzidas para as câmaras de gás. O "quartel do barbeiro", onde o cabelo das mulheres judias eram cortado, foi construído perto do final do "tubo". O cabelo foi usado pelos alemães para uma série de usos, como colchões, chinelos, etc. As três câmaras de gás estavam dentro de um prédio de tijolos - as câmaras individuais eram quadradas, 4 x 4m e tinham capacidade para 160 - 180 pessoas. Cada câmara de gás se entrava através de uma pequena porta, que dava para uma varanda que corria ao longo do comprimento do edifício. Depois de gasear os corpos, estes eram removidos através de uma porta dobrável de 2 x 2m, oposta à entrada, e colocados em uma segunda varanda. Do lado de fora do prédio havia um anexo em que um motor a diesel produzia o mortal gás monóxido de carbono, e os canos de água conduziam o gás até as câmaras de gás. As valas comuns tinham 50-60m de comprimento, 10-15m de largura e 5-7m de profundidade, as paredes de areia foram construídas obliquamente para facilitar o enterro dos cadáveres. Uma ferrovia de bitola estreita foi construída a partir da estação que levava aos túmulos, nos quais um pequeno trem de uma serraria local puxava carros basculantes, contendo as vítimas que haviam morrido.
Estimativas oficiais variam de 150 mil a 250 mil, mas Erich Bauer, conhecido como "Gasmeister/Mestre do Gás", mencionou em seu depoimento/julgamento, após a guerra:
"Estimo que o número de judeus que foram atacados por gás em Sobibór era de cerca de 350 mil. Na cantina, ouvi uma vez uma conversa entre os oficiais SS Frenzel, Stangl e Wagner e eles estavam discutindo o número de vítimas nos campos de extermínio de Belzec, Treblinka e Sobibór e lamentaram que Sobibór "tenha chegado em último lugar na competição."
Um dos piores assassinos em Sobibor foi o SS-Oberscharführer Erich Bauer,  o "Gasmeister/Mestre do Gás". Ele foi reconhecido nas ruas de Berlim pelo sobrevivente Samuel Lerner. Em 8 de maio de 1950, Bauer foi condenado à morte, mas esta foi comutada para prisão perpétua, pois a pena de morte havia sido abolida. Erich Bauer morreu na prisão de Tegel em Berlim em 1980.


CARTÃO POSTAL ORIGEM SOBIBÓR, CARIMBO CHOL...18/06/1942.


SELO SOVIÉTICO "FUGA DE SOBIBÓR".


FDC 50º ANIVERSÁRIO DA LIBERTAÇÃO DOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO.


MAPA CAMPO DE EXTERMÍNIO DE SOBIBÓR.


SOVIÉTICO ALEXANDER PECHERSKY E POLONÊS STANISLAW
SZMAJZNER, MOROU EM GOIÁS, PARTICIPARAM DA REVOLTA.


HERSZEL CUKIERMAN E JOSEF ZUKERMAN
PARTICIPARAM DA REVOLTA.


ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE SOBIBÓR.


ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE SOBIBÓR (HOJE).


VISÃO EXTERNA DE SOBIBÓR.


ERICH BAUER, O GASMEISTER.


MEMORIAL AS VÍTIMAS DE SOBIBÓR.


LIVRO: "FUGA DE SOBIBÓR".
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