INGLATERRA - 1ª GUERRA MUNDIAL: SCAPA FLOW E O GRANDE AFUNDAMENTO DA FROTA ALEMÃ - 1919!!!

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INGLATERRA - 1ª GUERRA MUNDIAL: SCAPA FLOW E O GRANDE AFUNDAMENTO DA FROTA ALEMÃ - 1919!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Sex Out 12 2018, 21:43

Compartilho com os colegas, "Scapa Flow e o Grande Afundamento da Frota Alemã - 1919".


                                                          SCAPA FLOW
                                      E O GRANDE AFUNDAMENTO DA FROTA ALEMÃ.

O fato de que a Primeira Guerra Mundial terminou em 11 de novembro de 1918, é um evento bem conhecido e bem documentado que é comemorado todos os anos em todo o mundo. O que é menos conhecido é o fato de que a última escaramuça da guerra ocorreu cerca de sete meses depois nas águas em torno das ilhas Orkney, na Escócia, quando marinheiros britânicos receberam ordens de atirar em marinheiros alemães desarmados e indefesos que não apresentavam ameaça, muitos dos quais tinham as mãos levantadas em sinal de rendição, enquanto exibiam, também, uma bandeira branca, um símbolo internacional reconhecido de rendição. A guerra na lama e de trincheiras da Frente Ocidental terminou na hora marcada sob os termos do armistício que havia sido acordado entre todas as nações em guerra. A guerra no mar, no entanto, foi bem mais demorada, com muitos militares britânicos não vendo a rendição da Alemanha como completa, até que o último navio da Frota Alemã de Alto Mar se entregou aos britânicos e baixou suas bandeiras em submissão. Isso finalmente aconteceu no dia 21 de novembro, quando a frota alemã foi escoltada para o Firth of Forth (estuário do rio Forth) na Escócia, antes de ser transferida, nos próximos dias, para os ancoradouros em Scapa Flow, também na Escócia, onde aguardariam seu destino, que deveria ser decidido na próxima Conferência de Paz de Paris. A passagem da frota alemã para Scapa Flow foi um assunto tenso. Mais cedo, cerca de 40 navios de guerra e cruzadores da Real Marinha tinham deixado o Firth of Forth e se dirigiram ao Mar do Norte para se encontrar com o cruzador ligeiro HMS Cardiff, que estava escoltando a frota alemã para o cativeiro. Esses navios foram depois acompanhados por mais de 150 destróieres e outros cruzadores da Grande Frota da Real Marinha, em uma demonstração de força destinada a garantir que a Alemanha cumprisse os termos do armistício ao entregar sua frota. David Beatty, comandante-em-chefe da Grande Frota, havia sinalizado previamente a todos os navios para estarem prontos para a ação, sendo a cautela considerada necessária nesse momento tenso. A Frota Alemã de Alto Mar era flanqueada em ambos os lados, predominantemente por navios da marinha britânica, mas também por couraçados e navios de guerra franceses, uma força de escolta de mais de 250 navios, que agora navegavam em ambos os lados de um canal de seis milhas contendo a frota alemã. Isso proporcionou o espetáculo do mais poderoso encontro de navios de guerra em um só lugar na história naval e, apesar da fotografia do tempo ser extremamente primitiva pelos padrões modernos, algumas das imagens gravadas desse espetáculo são realmente de tirar o fôlego e dão uma idéia da escala desta operação. Quando os últimos navios da frota alemã foram escoltados para o Firth of Forth, Beatty deu o sinal bastante conciso: "A bandeira alemã será arriada ao pôr do sol de hoje e não será içada novamente sem permissão". Tudo tinha passado sem incidentes e o que restava era que as nações vitoriosas decidissem o destino da Frota Alemã de Alto Mar, embora poucas pessoas presentes neste dia pudessem ter imaginado que levaria 7 meses para resolver o seu destino, com consequências trágicas para alguns dos marinheiros alemães que permaneceram na guarda de seus navios. Os britânicos teriam ficado felizes em ver a destruição total da frota alemã, mas a França e a Itália queriam adquirir um quarto dos navios que agora estavam internados em Scapa Flow e, assim, as negociações em Paris centraram-se na distribuição da frota alemã entre os vitoriosos, ao invés de ser destruída. A maioria dos marinheiros alemães que trouxeram a frota para as águas britânicas foi, depois de algumas semanas, repatriada para sua terra natal, deixando para trás apenas as tripulações responsáveis em manter os 74 navios ancorados em Scapa Flow. Estes marinheiros não podiam sair em terra nem transferir-se entre navios, nem mesmo para visitas. Suas rações, mesmo quando suplementadas com pacotes de comida da Alemanha, eram de má qualidade, e, assim, as semanas se arrastavam para estes marinheiros. Embora muitos marinheiros britânicos sentissem uma simpatia natural de camaradagem aos marinheiros alemães, devido a esta situação, sempre achavam que compartilhavam um inimigo comum - o próprio mar. Muitos britânicos os consideravam covardes por estarem com seus navios ancorados nos portos na Alemanha e nos últimos dois anos, confiaram apenas na guerra com submarinos. Ao longo do curso da guerra, a Grã-Bretanha manteve uma vantagem numérica de encouraçados e cruzadores de batalha de cerca de dois para um. A Batalha da Jutlândia, durante os dias 31 de maio e 1 de junho de 1916, foi a última tentativa alemã de desafiar o domínio da Grã-Bretanha no mar e, apesar de garantir vantagens numéricas durante o conflito, deu credibilidade às suas alegações de vitória. Aparentemente, a Alemanha não pôde efetivamente contestar o poder da Real Marinha Britânica, enquanto estava em menor número do que a Frota de Alto Mar da Alemanha, esta retornou aos seus portos e nunca mais navegou para confrontar a Real Marinha durante o curso da guerra. Agora completamente desimpedido, o bloqueio da Real Marinha dos portos marítimos da Alemanha manteve um torniquete e estava começando a trazer consequências devastadoras de como a Alemanha era incapaz de negociar entregas de produtos pelo mar, assim, sua população lentamente foi submetida à fome. Em retaliação e em parte pela necessidade, e tendo como único meio disponível para estrangular as rotas de abastecimento da Grã-Bretanha no mar, a Alemanha lançou uma vasta ação com seus submarinos durante o ano de 1917. Inicialmente, isto provou ser extremamente efetivo e causa grande preocupação aos ingleses. O governo britânico estimava que a Grã-Bretanha teve, em um dado momento, menos de quatro semanas de reservas de alimentos. Jellicoe, o comandante-chefe da Grande Frota nessa época, recusara-se obstinadamente a considerar a idéia de navios mercantes viajando em comboio, por considerá-lo impraticável, dadas as diferentes capacidades de cada embarcação em relação à velocidade e, portanto, considerava "conversas de comboios" como uma idéia antiquada da idade da vela. A necessidade o fez pensar de novo. A Conferência de Paz de Paris continuou a se arrastar, com as semanas lentamente se transformando em meses. O Tratado de Versalhes, o documento formal que encerra o estado de guerra entre a Alemanha e as Forças Aliadas, deveria ser assinado em maio de 1919, mas esse prazo passou e as negociações continuaram em junho. Um ultimato finalmente foi dado aos negociadores alemães, afirmando que qualquer falha em concordar com os termos do tratado de paz resultaria em uma retomada das hostilidades, começando com uma travessia do rio Reno pelas forças aliadas, dentro de 24 horas. Em 23 de junho, a Alemanha finalmente deu uma declaração formal de aceitação, embora a assinatura efetiva do Tratado de Versalhes não teria lugar até 28 de junho. Como mensagens um pouco confusas estavam saindo de Paris nos meses de maio e início de junho, a atmosfera em Scapa Flow permaneceu muito tensa com o confronto militar se tornando uma possibilidade real. Ambos os lados estavam agora considerando a implementação de planos que poderiam levar a essa conclusão, mas eles estavam sendo considerados por razões muito diferentes. Os alemães não queriam que sua frota caísse em mãos inimigas, especialmente se as negociações de paz fossem interrompidas, resultando assim em mais hostilidades, mas que tivessem planos para afundar a frota, se necessário fosse. Os britânicos tinham elaborado planos para embarcar e assumir o controle da frota alemã, a fim de evitar tal ocorrência, mas eles secretamente consideraram que esta seria a melhor solução para a crise, uma vez que privaria a Alemanha de uma unidade de combate formidável. Às 10h30, na manhã do dia 21 de junho de 1919, o contra-almirante Ludwig von Reuter, comandante da frota alemã internada, deu ordem para uma mensagem aparentemente inócua, a ser sinalizada para todos os outros navios da frota. A mensagem dizia: “Parágrafo onze. Confirme". Este era o comando codificado para o afundamento da frota e todo marinheiro alemão agora se ocuparia com essa nova tarefa: abertura das comportas, vigias, portas estanques e escotilhas, além de içar a bandeira alemã. O contra-almirante Ludwig von Reuter tinha escolhido bem o momento, com a maior parte dos "navios da guarda" britânica partindo naquela manhã para exercícios navais. Quando ficou claro o que estava acontecendo, uma mensagem urgente foi enviada e marinheiros foram despachados de dois navios britânicos, os destróieres HMS Vespa e HMS Vega, para embarcar nos navios alemães, a fim de tentar impedir o naufrágio destes. Receberam armas leves e ordens de usar força letal, se necessário, para realizar essa tarefa, embora a essa altura, a grande maioria dos marinheiros alemães abandonassem seus navios e se afastassem deles em pequenos botes salva-vidas. Os marinheiros britânicos que permaneceram a bordo de seus navios receberam ordens de atirar nos alemães nos botes salva-vidas, pois haviam violado os termos do armistício e suas ações eram interpretadas como um ato de guerra. Alguns tentaram remar até a costa, enquanto outros se moveram ao lado dos navios britânicos, desejando ser levados a bordo, com as mãos levantadas e bandeiras brancas sendo acenadas. A ordem não foi revogada e os disparos continuaram. No final do dia, cerca de 52 navios haviam sido afundados pelos alemães, com os britânicos conseguindo manter o restante da frota flutuando ou encalhando com sucesso. Os britânicos ficaram indignados e consideraram o afundamento da frota da Alemanha como uma ação desonrosa e infame, mas eles estavam bastante satisfeitos com o resultado, já que tinham considerado, desde o início, a destruição da frota como a melhor solução. A maioria dos navios submersos foram desmantelados durante os anos 20 e 30. Todos os navios salvos ou tiveram o mesmo destino posteriormente ou foram usados ​​como navios-alvo e, em um caso, servindo a um propósito na Segunda Guerra Mundial como um bloqueador no canal em Scapa Flow. Algumas pequenas operações de retirada de metais ocorreram após a Segunda Guerra Mundial, já que os metais de alta qualidade, enterrados em seu túmulo aquoso, permaneceram livres dos efeitos da radiação pós as bombas atômicas e foram muito procurados para uso em instrumentos científicos sensíveis. É mencionado que uma parte da "Frota Alemã de Alto Mar" resida atualmente na Lua, já que muitos componentes do programa espacial norte-americano continham metais obtidos destes navios. Nove marinheiros alemães foram mortos durante o afundamento dos navios, com outros dezesseis sendo feridos. Se isso pode ser atribuído a sorte, má pontaria ou uma relutância em atirar para matar, esta continuará sendo uma questão de mera especulação. O que é inegável é que este episódio acrescentou mais um pós-escrito à carnificina dos quatro anos anteriores e, embora os números das baixas possam ter sido mínimos, mas a natureza insensata e inútil dessas mortes rivalizava com qualquer coisa que tivesse ocorrido durante 1914-1918. Todos os membros restantes da tripulação, incluindo o vice-almirante Ludwig von Reuter, foram declarados prisioneiros de guerra por causa de suas ações e, assim, de uma só vez, esse envolvimento poderia ser justificado como guerra e não como "abate de indefesos". Oito dos alemães mortos por esta ação estão no cemitério Lyness Royal Naval Cemetery, nas ilhas Orkney. Este evento, talvez compreensivelmente, permanece relativamente desconhecido e esquecido. Bernard Emmanuel Finnigan Gribble (nasceu em South Kensington, Londres, em 10 de maio de 1872; faleceu em Poole em 21 de fevereiro de 1962) foi um artista civil na qualidade de Pintor Marítimo Oficial da Companhia de Shipwrights, e foi uma das poucas testemunhas civis a testemunhar a entrega da Frota Alemã à Grande Frota em Scapa Flow em 1918. Ele tambem foi testemunha das mortes dos alemães em Scapa Flow, pintando uma imagem notável deste incidente, intitulado: "Afundamento da Frota Alemã - Scapa Flow, sábado, 21 de junho de 1919",  óleo sobre tela: 60 x 86 cm. Esta pintura se encontra no National Museums Scotland Reserve Collection, Edinburgh, Reino Unido. Retrata este fatídico dia e garantiu que, apesar de todos os esforços para defender o indefensável, um registro visual desses eventos permaneceria vivo para as gerações futuras não esqueçerem do ocorrido naquele dia.
Hoje em dia, Scapa Flow é um local muito procurado para mergulho submarino, pois há sete navios alemães com 150 e 180 metros de comprimento ali afundados, sendo: SMS König, SMS Markgraf, SMS Kronprinz Wilhelm, SMS Brummer, SMS Köln, SMS Karlsruhe e SMS Dresden, ainda estão no leito do mar, fazendo de Scapa Flow o maior cemitério de navios da Europa.

SELO HMS CARDIFF.


EMBLEMA HMS CARDIFF.


PINTOR BERNARD
F. GRIBBLE.


"AFUNDAMENTO FROTA ALEMÃ - SCAPA FLOW - 21/06/1919".


HMS CARDIFF.


HMS CARDIFF A FRENTE FROTA ALEMÃ A CAMINHO DE SCAPA FLOW.


FROTA ALEMÃ EM SCAPA FLOW - 28/11/1918.


MARINHEIROS ALEMÃES PESCANDO.


SMS DERFFLINGER AFUNDANDO.


SMS BAYER AFUNDANDO PELA POPA.


SMS HINDENBURG AFUNDADO EM SCAPA FLOW.


SMS KÖNIG.


PLASTIMODELISMO SMS KÖNIG.


SMS MARKGRAF.


PLASTIMODELISMO SMS MARKGRAF.


SMS KRONPRINZ.


PLASTIMODELISMO SMS KRONPRINZ.


SMS BRUMMER.


PLASTIMODELISMO SMS BRUMMER.


SMS CÖLN.


SMS KARLSRUHE.


SMS DRESDEN.


PLASTIMODELISMO SMS DRESDEN.


CEMITÉRIO NAVAL DE LYNESS E OS OITO TÚMULOS DOS MARINHEIROS ALEMÃES.


LIVRO: "O GRANDE AFUNDAMENTO".






































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Antonio C. Pulsy

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