Livro “Selos, moedas e poder: o Estado Imperial brasileiro e seus símbolos”

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Livro “Selos, moedas e poder: o Estado Imperial brasileiro e seus símbolos”

Mensagem por Vitor Carlos em Qui Set 13 2018, 10:06



O livro “Selos, moedas e poder: o Estado Imperial brasileiro e seus símbolos” é uma adaptação da dissertação de mestrado de Luciano Mendes Cabral, que trata da imagem de Dom Pedro II nos selos e moedas durante seu reinado.

Na introdução, o autor faz uma revisão bibliográfica sobre o uso de fontes iconográficas em História, a reforma postal que deu origem ao selo e a formação dos Estados Nacionais, mostrando que os selos são uma forma de o Estado se fazer presente em todo o seu território.

O capítulo I trata dos chamados operatores, isto é, os responsáveis pela produção das imagens. O autor faz um levantamento das relações de subordinação, formação, profissão e titulação desses operatores, mostrando que tinham uma vinculação intelectual e ideológica com o Estado Imperial. O capítulo também aborda o studium, ou seja, o contexto em que a produção das imagens se baseia. Havia um conflito entre os ideais de liberdade e a produção escravista. Era também necessário manter a unidade territorial e levar a cultura a todo o território.

O capítulo II aborda a criação das imagens nos selos e moedas na década de 1840. Nesse período, em que foram emitidos os Olhos-de-Boi e inclinados, não havia nos selos uma imagem que os vinculassem ao Estado. A imagem de D. Pedro II ainda estava em construção. Os selos eram uma novidade na época e, portanto, não tinham o valor da tradição. Um fato semelhante se deu com as moedas: apenas as de ouro apresentavam a imagem do imperador, pelo simbolismo que o ouro tem no imaginário popular e por estas moedas não terem como principal finalidade a circulação.

Já a partir da segunda metade do século XIX, discutida no capítulo III, D. Pedro II conquistou o chamado capital político, com a modernização da vida cotidiana, consolidação do poder Imperial e uma imagem vinculada ao saber, que passou a ser mais veiculada nos selos, associados ao saber, e moedas, associadas ao poder. Em 1866, foram emitidos os primeiros selos com a imagem do monarca e, nos dois anos seguintes, as moedas de prata e bronze passaram a ter a efígie do imperador.

Nas considerações finais, o autor conclui que a imagem de D. Pedro II na segunda metade do século XIX representa o chamado punctum, quando o imperador passa a ser operator de sua própria imagem. O autor deixa em aberto as questões de a imagem do monarca ter desaparecido dos selos na década de 1880.

É desejável que se tenha um catálogo em mãos ao se fazer a leitura do livro, pois não há figuras para todas as peças citadas. Entretanto, as figuras contidas são suficientes para o essencial da obra.

Vitor Carlos

Data de inscrição : 20/10/2012

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