INGLATERRA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO MINCEMEAT, UM CADÁVER EM MISSÃO DE GUERRA - 1943!!!

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INGLATERRA - 2ª GUERRA MUNDIAL: OPERAÇÃO MINCEMEAT, UM CADÁVER EM MISSÃO DE GUERRA - 1943!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Sex Jun 08 2018, 10:25

Compartilho com os colegas, "Operação Mincemeat, Um Cadáver em Missão de Guerra - 1943".


                                                  "OPERAÇÃO MINCEMEAT":
                                           UM CADÁVER EM MISSÃO DE GUERRA.

No momento em que a campanha do norte da África tinha terminado com êxito, o próximo alvo estratégico dos Aliados era a ilha da Sicília. Situada no meio do Mediterrâneo, esta ilha servia de ponto intermediario entre o norte da África e a Europa ocupada. No entanto, o terreno montanhoso da Sicília favorecia os defensores. Os Aliados tinham de manter em absoluto segredo os pontos para o desembarque na ilha. No entanto, tal não era suficiente, na medida em que os defensores da ilha poderiam prever esses possíveis pontos para o desembarque, reforçando-os a ponto de conseguir derrotar qualquer força invasora. A solução para esse problema foi encontrada por dois oficiais britânicos, Ewen Montagu e Archibald Cholmondley. Foi Cholmondley, o primeiro a sugerir que fossem anexados a um corpo documentos falsos dos Aliados, deixando-os cair nas mãos dos alemães. O estratagema era bastante simples, o que era difícil era conseguir enganar os alemães. Primeiro, havia que evitar que os alemães desconfiassem dos enormes preparativos da invasão da Sicília na "Operação Husky". Depois era necessário que os serviços secretos alemães não descobrissem nenhuma falha no plano, o que poderia levar ao reforço das defesas na ilha da Sicília. Apesar de tudo isto, Montagu acreditava que seria mais difícil convencer os responsáveis Aliados do que o plano iria resultar em enganar os alemães. Era um plano bastante complexo. O primeiro problema era a forma de como entregar o corpo aos alemães. Inicialmente, considerou-se que a melhor forma de fazer seria lançar o corpo a partir de um pára-quedas parcialmente destruído. No entanto, tal não seria convincente, uma vez que era extremamente raro que um tripulante de um avião transportasse consigo documentos tão secretos. Além de tudo isto, existia o problema de que uma autópsia do corpo revelaria que este já se encontrava morto, muito antes de alcançar o território inimigo. Por outro lado, os alemães não achariam estranho que um corpo flutuando no mar tivesse morrido muito antes de ser resgatado. Assim sendo, esta solução iria eliminar o problema do fato do corpo transportar documentos ultra-secretos em território inimigo. A equipe de Montagu decidiu que o corpo seria um "correio aliado" morto, quando da queda do respectivo avião no mar tendo, posteriormente, dado à costa. Os serviços secretos recorreram a um submarino para que fosse possível colocar o corpo o mais próximo da costa sem serem detectados. Tendo em conta tanto a estreita relação entre os governos da Espanha e Alemanha como a forte presença dos serviços secretos militares alemães (Abwehr) em território espanhol, a costa espanhola era uma boa solução. Depois surgiu o problema de como encontrar um corpo que servisse para o objetivo, com a idade, aparência e com a causa da morte adequada ao plano traçado. A procura de um corpo com as características desejadas teria de ser realizada com muito cuidado, tendo de fornecer o mínimo de informação acerca da futura utilização do mesmo para que os serviços secretos alemães não pudessem descobrir o plano. Próximo de desistir do plano tão audacioso, a equipe responsável pela operação tomou conhecimento de um homem com 34 anos de idade que havia morrido de pneumonia ou por ingestão de veneno rato. Além da causa da morte, os pulmões desse homem encontravam-se cheios de fluídos, reforçando a ideia de que o homem teria estado à deriva no mar, durante alguns dias. Montagu consultou o médico patologista forense Sir Bernard Spillsbury, tendo este afirmado que "o fluído que se encontrava nos pulmões do morto não era muito diferente do fluído que se esperaria encontrar nos pulmões de alguém que permaneceu a flutuar no mar durante algum tempo". Spillsbury também lhe disse: "Você não tem nada a temer de um exame pós-morte espanhol. Para detectar que este homem jovem não morreu depois do avião cair  no mar, seria preciso um patologista com a minha experiência, e na Espanha não existe nenhum". Posteriormente, Montagu contatou discretamente a família do morto, tendo-lhes dado as garantias de que o corpo seria usado para uma causa patriótica e que eventualmente iria receber uma sepultura digna, apesar de com outro nome. A família consentiu com a condição de que a verdadeira identidade do homem morto jamais seria divulgada. Com tudo isto, a equipe de Montagu chegou à conclusão de que seria possível levar adiante a operação. No entanto, tal operação precisaria de um nome, tendo, como é típico no macabro humor britânico, escolhido o nome "Mincemeat", em português, "Carne Picada". O passo seguinte foi o de criar uma nova identidade para o corpo. Inicialmente pensaram que deveria ser um oficial do exército, no entanto, o processo burocrático para a identificação de baixas era muito complexo, sendo também possível a fuga de informação. Também não poderia ser um "correio da marinha", visto que havia grande dificuldade em arranjar um uniforme. Sendo assim, considerou-se que o corpo pertenceria aos Royal Marines (Fuzileiros Navais). No entanto, existia mais um problema relacionado com o fato de que os Royal Marines correspondiam, mesmo em tempo de guerra, a um grupo muito pequeno e cujos os membros eram muito chegados. Com isto, decidiram que o corpo corresponderia a um Capitão (atuando como Major) chamado William Martin, nome bastante comum entre os soldados dessa unidade. Tendo já um nome e um cargo, a equipe de Montagu precisava providenciar a identidade do Major Martin, tornando-o numa pessoa real. Para isso, atribuíram-lhe uma noiva, com fotografias e cartas de amor, uma nota fiscal de compra de um anel de noivado, tudo arranjado pelas secretárias do departamento de Montagu. Acompanhando o Major, iria uma carta do pai, contas para pagar, chaves, fósforos, moedas, bilhetes de teatro e muitos outros objetos normalmente nos bolsos de um homem. As datas dos bilhetes de teatro, das contas e das cartas foram cuidadosamente coordenadas com a suposta partida da Inglaterra. Finalmente, a equipe encontrou uma pessoa viva, cuja aparência era razoavelmente parecida à do morto, tendo esta sido fotografada para se criar um cartão de identidade falso. O novo cartão de identidade encontrava-se assinalado com o nº 09650. Curiosamente, era o número real da identificação de Montagu. Enquanto a operação não era levada adiante, o corpo foi preservado numa câmara frigorifica. Iniciou-se então a fase da criação dos documentos ultra-secretos falsos a serem transportados na pasta do Major Martin. Os responsáveis pela Operação Mincemeat decidiram que para convencer os alemães de que a invasão Aliada não iria ocorrer na ilha da Sicília, os documentos teriam de referir que os Aliados invadiriam primeiro a Sardenha, estabelecendo aí um dos dois pontos de partida para o ataque a Sicília. Decidiu-se incluir também, os planos para o desembarque das tropas Aliadas nos Balcãs e nas proximidades de Kalamata, na Grécia. Os planos para a suposta invasão foram relatados numa carta pessoal de um alto oficial para outro alto oficial Aliado. Montagu decidiu que a carta devia ser escrita pelo General Sir Achibald Nye, subchefe do pessoal do Estado-maior Imperial, ao General Sir Harold Alexander, o comandante britânico no norte da África sob o comando do General Dwight D. Eisenhower. Na carta, Nye explicava a razão do pedido de Eisenhower para a operação de cobertura centrada nas ilhas gregas ter sido negado. Essa operação de cobertura tinha sido planificada para ser lançada a partir do Egito pelo Marechal de Campo Sir Henry Wilson, o comandante chefe no Oriente Médio. A carta seria usada para dois objetivos. Um deles era de sugerir que seriam lançadas duas operações no Mediterrâneo (uma a Este e outra a Oeste). Também servia para identificar a Sicília como a operação de cobertura de uma verdadeira operação a Oeste. Isso fazia com que a Sardenha fosse o alvo a Oeste e o território continental grego e os Balcãs fossem o alvo a Este. Por forma a corroborar a carta de Nye, o Major Martin também levava uma segunda carta do Lord Louis Mountbatten, chefe das Operações Combinadas para o Almirante Cunningham, Comandante Chefe das Operações Navais no Mediterrâneo. A carta referia o objetivo da viagem do Major Martin no papel de um especialista nas operações anfíbias, emprestado por Mountbatten para o planejamento das operações no Mediterrâneo. Para apresentar o Major Martin, Mountbatten menciona que Martin tinha tido sucesso no ataque a Dieppe, apesar do fracasso dos oficiais encarregados das operações terrestres. Tal seria, a primeira vez que as forças britânicas admitiam que o ataque a Dieppe tinha sido tudo, menos um sucesso. A carta de Mountbatten continha, também, um comentário extra sobre o fato das "sardinhas" (sardines) estarem a ser racionadas na Inglaterra, correspondendo a um jogo de palavras para a ilha da Sardenha (em inglês, Sardine). Tal jogo de palavras era uma isca que, segundo Montagu, os alemães não iriam resistir em não morder. O Major Martin deixou a Inglaterra pela última vez em 19 de abril de 1943, num recipiente de latão com gelo seco e sem oxigênio, a bordo do submarino HMS Seraph, comandado pelo Tenente Comandante (mais tarde Almirante) N. A. Jewell. Dias depois da partida, um avião da RAF atacou o HMS Seraph por engano, fazendo quase terminar a operação em desastre. Antes do amanhecer do dia 30 de abril, o submarino emergiu, quando se encontrava a cerca de uma milha da costa espanhola, próximo do porto de Huelva. Depois da tripulação do submarino trazer para a convés o recipiente onde se encontrava o Major Martin, Jewel ordenou que estes regressassem para o interior do submarino, permanecendo apenas os altos oficiais na coberta. Até esse momento, apenas Jewel é que sabia o que se encontrava no interior do recipiente. Rapidamente explicou aos oficiais o objetivo da operação, sendo que depois disso prepararam o corpo para o lançamento. Colocaram um colete salva-vidas no corpo e colocaram a pasta com os documentos presa ao seu pulso, rezaram uma oração do Serviço de Enterros Navais e lançaram o corpo à água. O próprio movimentar do submarino ajudou a que o corpo se deslocasse em direção à costa. Poucas horas depois, um barco de pesca resgatou o corpo transportando-o para o porto. O agente da Abwehr (Inteligência Militar Alemã) daquela zona fez o resto. Depois de algum atraso diplomático e burocrático, o governo espanhol acabou por entregar a pasta, aparentemente por abrir, à embaixada da Inglaterra. Assim que os documentos chegaram a Londres foram examinados microscopicamente, tendo revelado que os papéis haviam sido manuseados e, presumivelmente, fotocopiados. Em relação ao corpo, as previsões de Spillsbury confirmaram-se acerca dos testes pós-morte realizados na Espanha. Quando se teve a certeza de que os documentos foram analisados pelos serviços secretos alemães, foi dito ao primeiro-ministro Winston Churchill que "a carne picada foi toda comida". O Major Martin foi enterrado poucos dias depois em Huelva com todas as honras militares e rodeado de flores enviadas pela sua suposta noiva e família. A edição de 4 de junho do jornal "The Times", referia a morte de Martin na lista de baixas. A Abwehr (Inteligência Militar Alemã) teve em conta todos estes elementos. Os serviços secretos alemães consideraram os documentos autênticos. Em 12 de maio de 1943, os documentos chegaram finalmente às mãos de Adolf Hitler, tendo este emitido a ordem para dar prioridade às operações na Sardenha e no Peloponeso (Grécia) e para o reforço das defesas na Córsega e Sardenha. Além disso, Hitler enviou uma brigada adicional das Waffen SS para a Sardenha, o Marechal de Campo Erwin Rommel para Atenas, uma Divisão Panzer vinda da França e duas outras vindas da Rússia para a Grécia, algo que piorou a situação nessas frentes, principalmente, na frente russa. Simultaneamente, os alemães preparavam-se para o confronto em Kursk, a maior batalha de blindados da história até então. Quando os Aliados invadiram a ilha da Sicília, depararam-se com as tropas italianas e alemãs quase completamente desprevenidas. Os Aliados desembarcaram na costa sul da Sicília, sendo que as defesas da ilha estavam mais presentes na costa norte, virada para a ilha da Sardenha. Uma grande parte das Divisões italianas foram arrasadas de imediato. Os alemães, sob o comando do Marechal de Campo Albert Kesselring, iniciaram uma resistência determinada, mas acabaram por se retirar para Messina. No dia 17 de agosto de 1943, a Sicília havia sido tomada pelo 7º Exército do General George Patton e pelo 8º Exército do Marechal de Campo Bernard Montgomery, provando que a Operação Mincemeat havia sido um estrondoso sucesso. A confirmação do sucesso do plano foi enviado a Churchill: "Mincemeat engoliu vara, linha e chumbada".
O inexistente Major William Martin foi enterrado com todas as honras militares no cemitério de Nuestra Señora, em Huelva. Na lápide se lê:
“William Martin, nascido em 29 de março de 1907, morreu em 24 de abril de 1943, amado filho de John Glyndwyr Martin e a falecida Antonia Martin, Cardiff, País de Gales, "Dulce et decorum est pro Patria Mori, RIP” -  “Doce e apropriado é morrer pela pátria". Em 1998, o governo britânico revelou a verdadeira identidade de Martin: “Glyndwr Michael - Serviu como Major William Martin, RM (Royal Marines)”, foi adicionado à lápide. Há um memorial de guerra na pequena cidade de Aberbargoed, em Gales do Sul, em memória de Glyndwr Michael. Uma placa é inscrita com a frase galesa “Y Dyn Na Fu Erioed”. Significa, "O Homem que nunca foi".


SUBMARINO INGLÊS.


EQUIPE NA OPERAÇÃO MINCEMEAT.


TENENTE EWEN MONTAGU.


TENENTE CHARLES CHOLMONDELEY.


TEN. CHARLES E TEN. MONTAGU, AO BUSCAR O CORPO
PARA A MISSÃO.


FOTO DO ARQUIVO BRITÂNICO MOSTRANDO O
CORPO PREPARADO DO "MAJOR MARTIN", ANTES DE
SER DEPOSITADO NO OCEANO ATLÂNTICO EM 30 DE
ABRIL DE 1943.


DOCUMENTO DE IDENTIDADE FALSO MAJOR MARTIN.


FOTO NAMORADA FICTÍCIA DO MAJOR MARTIN, NOME PAM.

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OFICIAIS DO SUBMARINO HMS SERAPH.


EMBLEMA HMS SERAPH.


SUBMARINO HMS SERAPH.


OBITUÁRIO MAJOR MARTIN PUBLICADO NO JORNAL THE TIMES.


TÚMULO DE GLYNDWR MICHAEL EM HUELVA, ESPANHA.


PLACA NA CIDADE ABERBARGOED, GALES DO SUL EM MEMÓRIA DE GLYNDWR MICHAEL.


LIVRO ESCRITO POR EWEN MONTAGU.
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