RÚSSIA - GUERRA RUSSO-JAPONESA: O PRIMEIRO SUBMARINO RUSSO - 1903!!!

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RÚSSIA - GUERRA RUSSO-JAPONESA: O PRIMEIRO SUBMARINO RUSSO - 1903!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qui Jun 07, 2018 10:53 am

Compartilho com os colegas, "O Primeiro Submarino Russo".


                                                  O PRIMEIRO SUBMARINO RUSSO.

A primeira embarcação submersível experimental da Rússia foi construída no estaleiro Báltico em 1866. Ela foi projetada por Ivan Alexandrovsky, um fotógrafo de profissão que ficou obcecado com a idéia de fabricar uma arma que daria à Rússia uma vantagem muito eficaz sobre a poderosa Marinha Britânica. O projeto foi aprovado pelo próprio Imperador Alexandre II. Testes realizados no mar revelaram numerosos defeitos e, em 1871, o submarino afundou durante um dos testes, porem toda a tripulação conseguiu abandonar o submarino com sucesso. Após este desastre, Alexandrovsky caiu em desgraça com o Conselho do Almirantado Russo e acabou morrendo na pobreza e seus projetos esquecidos. Em 19 de dezembro de 1900, o czar deu aprovação para projetar o primeiro submarino de batalha russo. A Marinha Russa formou um comitê especial encarregado de desenvolver embarcações submergíveis militares. A composição desse comitê incluía o assistente sênior de construção naval Ivan Bubnov, o engenheiro mecânico sênior Ivan Goryunov e o tenente Mikhail Beklemishev - os três homens que acabaram projetando todos os submarinos russos da época. O trabalho foi realizado no mais estrito sigilo. Era proibido usar em documentos e correspondências a palavra "submarino". O navio submarino foi chamado primeiro como  "Destróier nº 113". Em seguida, substituiu este nome para "Dolphin", e depois um novo termo "torpedo Dolphin". Coordenado pelo tenente Mikhail Nikolayevich Beklemishev, o projeto foi apresentado em 3 de maio de 1901 sob o nome "Destroyer nº 113" (ainda não havia a classe de submarinos na Marinha Russa). Depois que o projeto foi aprovado, a construção foi iniciada no Estaleiro do Báltico, em São Petersburgo, sob a direção de Ivan Gregoryevich Bubnov. O primeiro submarino russo capaz de combater, o Dolphin foi comissionado em 1901. O Dolphin, navio icônico da Marinha Russa, cujo lançamento é considerado a data do nascimento de sua arma submarina. A vida operacional deste navio (1903-1920) coincidiu com o início das hostilidades da Guerra Russo-Japonesa. Ele foi designado para a Frota do Báltico, mas acabou na Frota do Pacífico. O czar Nicolau II providenciou que as primeiras unidades de submergíveis fossem trazidas do Báltico para Port Arthur de trem desmontados, enquanto o 2º Esquadrão do Pacífico dava a volta ao mundo para chegar ao teatro de operações no Pacífico. As operações de combate com submarino começaram em março de 1905. Os princípios sobre os quais a construção do submarino deve basear-se, foram:
> Economia de custos;
> A velocidade na superfície deve ser suficiente para atacar navios;
> A construção foi inteiramente feita com materiais e engenharia russa, apenas o motor de combustão (Daimler), baterias e motores elétricos (França) foram comissionados fora do país.
O "Destróier nº 113" deslocou 135,5 toneladas submersas (113 toneladas na superfície), com dimensões de 25,9m × 3,4m × 3,0m. Poderia submergir a uma profundidade de 55 metros. Atingiu uma velocidade de superfície de 9 nós, com um alcance de 243 km. Com o motor elétrico e imerso chegou a 4,5 nós, com um alcance de 28 km. A tripulação era de 20 marinheiros e 2 oficiais, todos voluntários. O casco era suportado por 32 longarinas externas e 8 longarinas internas. As armações foram feitas em 2 peças unidas por soldas. Os anteparos externos foram forrados com tábuas de lariço (madeira da família das pináceas). Tinha duas escotilhas, uma na casamata central e outra no capacete para carregar as baterias e outros equipamentos. Os tanques de lastro estavam localizados nas extremidades do submarino. Tinha para o manejo do navio três pares de lemes verticais e horizontais, bem como outros lemes semi-fixos que compensavam a flutuabilidade positiva do navio. O armamento consistia em dois torpedos Schwartzkopff de 15", modelo 1898. O torpedo Schwartzkopff era uma cópia do tipo britânico Whitehead, mas tinha uma construção em bronze para melhorar a resistência à corrosão, o que resolveu parcialmente os desafios dos torpedos montados externamente. Em março de 1902, ele foi nomeado na Marinha Russa com o nome de "Destruidor nº 150". Em maio de 1903, o “Destruidor 150” foi lançado e em outubro do mesmo ano, os testes no mar começaram. O teste final em 14 de outubro de 1903 é considerado a data de criação da arma submarina russa. Até o outono de 1904, o "Destruidor 150", mais conhecido como Dolphin, era um navio escola, através do qual os oficiais e marinheiros que queriam servir na arma submarina passavam. Em 29 de junho de 1904, o Dolphin sofreu um acidente no rio Neva. Na ausência de seu capitão, o submarino tinha uma tripulação superior à normal, composta em sua maioria por marinheiros muito inexperientes em treinamento. O excesso de peso e uma escotilha de superfície não fechada direito, provocou tal acidente. Um rebocador passou muito perto do submarino, provocando uma forte onda contra o submarino. Pela escotilha mal fechada, a água entrou no compartimento interior do submarino, desencadeando pânico entre os marinheiros. Devido a grande quantidade de água que entrou, o submarino afundou. Um oficial e dez marinheiros conseguiram escapar, o tenente Cherkasov (no comando) e outros 23 marinheiros se afogaram. Em 1º de julho, foi resgatado e, após sua reparação, em 15 de novembro de 1904, foi enviado à Vladivostock para participar da guerra russo-japonesa. Os submarinos enviados para o Extremo Oriente, o Dolphin entre eles, foram desmontados e enviados por partes via ferrovia Transiberiana, tendo que ser remontados no destino. Uma unidade submarina foi formada em Vladivostock sob o comando do tenente Alexander Plotto, o Dolphin, algumas unidades construídas na Rússia às pressas e outras 6 compradas dos EUA. Em janeiro de 1905 já estavam prontos para os primeros testes, com ausência dos torpedos. O Dolphin, juntamente com o Som, fizeram seu primeiro teste no dia 14 de fevereiro de 1905. A primeira missão operacional com torpedos não pôde ser realizada até 13 de março de 1905. Os russos planejaram controlar com esta nova arma os estreitos da Coréia e Tsungaru, atacando o transito comercial e os navios de guerra que viessem a encontrar. Devido à sua curta amplitude de ação, não foi possível chegar a esses locais de patrulha por seus meios, assim, foi planejado que eles seriam rebocados, durante a noite por cruzadores até o seu destino. O vice-almirante Skrydlov considerou esses planos impraticáveis e passou a usar seus submarinos em missões de vigilância costeira e da base de Vladivostock. Em 9 de abril, uma missão de reconhecimento de 7 dias foi realizada na costa da Coréia. Em 11 de maio, os submarinos Dolphin, Kasatka e Som em uma missão de patrulha distante, encontraram forças inimigas perto da ilha Askold, a cerca de 70 km de Vladivostock. O Som avistou destróieres japoneses e o comandante Príncipe Trubezkoi ordenou atacá-los, a operação de imersão normalmente exigia 5 minutos. Os japoneses viram os submarinos lançarem seus torpedos. Apesar de não ter o resultado pretendido, essa ação não foi em vão, porque os japoneses corroboraram a existência dessa nova arma e, mais importante, que os submarinos pudessem atuar em alto mar. Nesta época, a Batalha de Tsushima não havia acontecido, portanto, essa informação era muito importante. Em 18 de maio de 1905, o Dolphin sofreu outro acidente. Para reparar um problema com o leme vertical, teve que abrir os tanques de combustível e uma explosão ocorreu no seu interior e uma grande nuvem de fumaça negra saiu através da escotilha do submarino, quando chegou o pessoal de apoio, houve uma nova explosão, afundando lentamente o Dolphin, ficando a uma profundidade de cerca de 14 metros. Acredita-se que a causa tenha sido uma faísca, quando a iluminação no interior foi ligada, entrou em contato com os vapores de combustível, porque os tanques estavam abertos. Mais uma vez à tona, seu conserto terminaria quando a guerra terminasse. O Dolphin continuou em serviço até 1917 e em 1920 foi tirado definitivamente de qualquer tipo de operação. No final da guerra com o Japão, em setembro de 1905, os russos tinham 13 submarinos em Vladivostock, embora apenas dois ou três pudessem operar ao mesmo tempo, devido aos constantes problemas técnicos. O Almirantado Russo chegou à conclusão de que um submarino era uma arma defensiva de "valor muito limitado", e não houve tentativas mais efetivas de continuar seu desenvolvimento. No início da Primeira Guerra Mundial, a arma submarina russa estava muito atrasada em relação aos demais países. Os planos russos, durante a Guerra Russo-Japonesa, tendo suas forças submarinas baseadas em Vladivostock, era que estas deveriam controlar alguns dos estreitos que dão ao Mar do Japão. Em março de 1905, eles estavam prontos para agir com um número suficiente de unidades. Esta missão teria sido para que o 2º Esquadrão do Pacífico tivesse uma maior chance de sucesso ao chegar ao Extremo Oriente sem incidentes, porem as decisões dos russos limitaram-se a monitorar a área costeira perto de sua base e, assim, outra grande oportunidade foi perdida para mensurar a efetividade do uso dos submarinos.

MÁXIMO POSTAL SUBMARINO RUSSO - 1982.


SUBMARINO "DOLPHIN".


TENENTE MIKHAIL NIKOLAYEVICH BEKLEMISHEV.


ESTALEIRO BÁLTICO E SUBMARINO "DOLPHIN".


CZAR NICOLAU II VISITANDO SUBMARINO "DOLPHIN" - 1903.


SUBMARINO "DOLPHIN" NAVEGANDO - 1904.


TORPEDO SCHWARTZKOPFF.


SUBMARINOS DESMONTADOS LEVADOS VIA TREM PARA VLADIVOSTOK.
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Antonio C. Pulsy

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