JAPÃO - BATALHA DE TSUSHIMA, NASCIMENTO DO PODER NAVAL DO JAPÃO - 1905!!!

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JAPÃO - BATALHA DE TSUSHIMA, NASCIMENTO DO PODER NAVAL DO JAPÃO - 1905!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Qua Jun 06 2018, 09:18

Compartilho com os colegas, "Batalha de Tsushima, Nascimento do Poder Naval do Japão - 1905."


                                                   BATALHA DE TSUSHIMA,
                                         NASCIMENTO DO PODER NAVAL DO JAPÃO.

O final do século XIX seria um período de expansão política e econômica na Ásia para a Rússia. Em 1891, o primeiro subsolo da ferrovia transiberiana foi criado para ligar os Urais a Vladivostok, o principal porto russo no Extremo Oriente. Ao mesmo tempo, os russos decidiram encontrar um novo porto para a frota que opera no Oceano Pacífico. Em Vladivostok, não havia infraestrutura necessária para os navios, nem trabalhadores qualificados e engenheiros navais. Tanto as tentativas de estabelecer uma base no Estreito da Coréia, quanto o aluguel do porto na costa leste da Coréia terminaram em fracasso. No entanto, em março de 1898, os russos conseguiram arrendar da China a península de Liaodong com uma base marítima chamada Port Arthur. A escolha de Port Artur como base naval foi a pior possível. A infra-estrutura precisava ser construída do zero, as fortificações foram destruídas e a entrada da base era estreita e rasa. A pequena cidade era pobre demais para aceitar e sustentar dezenas de milhares de soldados, então a água e a comida tinham que ser importadas da China e do Japão. O problema de Port Arthur retratava a desorganização que prevalecia na então Rússia czarista, especialmente em seu exército. O Japão era um concorrente natural da Rússia no leste da Ásia. Até meados do século XIX, o país governado pelo Imperador era controlado pelos americanos e britânicos, que impunham acordos comerciais desfavoráveis ​​ao povo japonês. No entanto, após a Restauração Meiji, o Japão rapidamente se modernizou e se tornou uma potência regional. Numerosas tropas bem equipadas e bem treinadas foram criadas. De 1882 a 1890, 32 navios com um deslocamento total de 30.000 toneladas entraram em serviço. Enquanto isso, a Rússia subestimou a crescente ameaça do Japão. O czar concordou com o adido militar na Coréia, que afirmou que "décadas passarão, talvez séculos, até que o exército japonês esteja em linha com o exército europeu mais fraco". O tempo mostrou o quanto ele estava errado. Rússia e Japão não poderiam concordar em compartilhar suas esferas de influência na Coréia e na Manchúria, então em 1902, o Japão concluiu uma aliança anti-russa com a Grã-Bretanha. Em 1903, o exército japonês e a marinha começaram a se preparar vigorosamente para a guerra; foi assumido que a frota do oponente seria rapidamente aniquilada e então a Coréia seria invadida. Enquanto isso, a mobilização japonesa foi desconsiderada em São Petersburgo. Havia até uma visão dominante para permitir que os japoneses entrassem na Manchúria e parassem ali. O czar e seus conselheiros acreditavam que, no caso de um conflito, seriam capazes de se deslocar rapidamente para o leste com a ajuda das ferrovias transiberianas. Na noite de 8 e 9 de fevereiro de 1904, a frota japonesa atacou, inesperadamente, os navios russos que estavam ancorados em Port Arthur. Dois navios de guerra e um cruzador foram seriamente danificados, mas o plano de afundar a frota russa falhou. Ao mesmo tempo, o exército também lançou um ataque na baía coreana de Chemulpo, onde o cruzador russo “Varyag” e o navio “Korietz” foram afundados. A frota japonesa bloqueou e minou a entrada de Port Arthur. Depois de bater numa mina, o encouraçado "Petropavlovsk" afundou, vindo a morrer o comandante do vice-almirante do porto, Stepan Makarov e o famoso pintor Vasily Verylaphepagin. Navios japoneses também foram afetados por danos causados ​​por minas. Dois navios de guerra e um cruzador foram perdidos. A declaração de guerra entre Japão e Rússia foi emitida em 10 de fevereiro de 1904, um dia depois da batalha. No dia 1º de maio, os japoneses atacam à Manchúria. Eles rapidamente aniquilam um número limitado de defensores russos e logo depois se dirigem para Port Arthur. Em 17 de julho, a infantaria japonesa já estava perto e iniciou o fogo de artilharia do porto russo. O almirante russo Witthoft ordenou a transferência dos navios estacionados no porto sitiado para Vladivostok, mas sua Frota com 6 couraçados, 4 cruzadores e 8 torpedeiros foram apanhados pela Frota do General Togo com 4 couraçados, 6 cruzadores e torpedeiros. Durante a batalha, o comandante russo foi morto e apenas algumas unidades conseguiram evitar a destruição, retornando à Port Arthur. Em 14 de junho, no Estreito da Coréia, o contra-almirante Karl Jensen, que desconhecia o fracasso da divisão de Port Arthur, foi destruído. Desta forma, a frota russa no Pacífico havia deixado de existir. Logo depois, após um cerco, o Japão capturou Port Arthur. Na época em que Port Arthur caiu, havia navios russos na costa de Madagascar, que em setembro de 1904 partiram do porto báltico de Lipawa e foram ajudar as forças no Oceano Pacífico. No início da guerra com o Japão, o czar e seus assessores decidiram enviar o chamado 2º Esquadrão do Pacífico para o leste da Ásia. Seu comandante era o Almirante Zinovy ​​Rozhestvensky. Desde o começo, tudo deu errado. A condição dos navios e o treinamento dos marinheiros era trágico e, para alguns navios, o primeiro teste foi uma viagem ao leste da Ásia. Cerca de 30% das tripulações foram destacadas da reserva, e a maioria restante eram recrutas que não tinham experiência no mar. O humor entre os oficiais é melhor ilustrado pela declaração do Comandante Nikolai Bukhvostov, o comandante do encouraçado “Imperador Aleksander III”: “Não haverá vitória, mas posso assegurar-vos: se todos nós tivermos que morrer, não vamos desistir com certeza!”. O Comando da Marinha Russa sabia desde o início que antes do 2º Esquadrão do Pacífico chegar à costa leste da Rússia, Port Arthur entraria em colapso, por isso planejava ir a Vladivostok e tratá-lo como um ponto de partida para futuras ações contra o Japão. Na verdade era uma missão suicida, porque o contato com navios japoneses era quase certo, e Vladivostok não tinha suporte técnico para resolver qualquer dano aos navios. O czar enviou os navios para uma certa destruição, porque queria manter a opinião pública na crença de que a situação no leste estava sob controle. O rota da Frota de Rozhestvensky deveria começar no Mar Báltico, atravessar o Atlântico e terminar 18 mil milhas náuticas no estreito coreano. Uma outra Frota em separado, composta de embarcações menores, seguiria uma rota mais curta, através do Mar Mediterrâneo e do Canal de Suez. O deslocamento da Frota russa foi um enorme esforço, que exigiu, entre outras coisas: a compra de 500.000 toneladas de carvão da Alemanha; a contratação de frotas de navios comerciais noruegueses para transportar os navios através do Mar do Norte e mobilizar a polícia czarista para garantir a sua passagem através do estreito dinamarquês. O grupo liderado por Rozhestvensky parou por dois meses em Madagascar, onde tripulações de navios inexperientes treinaram tiros.Quando a frota russa entrou no estreito coreano, sua viagem já durava quase nove meses. Os japoneses conheciam bem o inimigo que se aproximava e, pacientemente, patrulhavam o estreito à espera da chegada dos russos. Em 27 de maio de 1905, um cruzador auxiliar japonês viu o Esquadra russa. O Almirante Togo tinha unidades com menos poder de fogo sob suas ordens, mas mais modernas e mais rápidas, e as equipes eram incomparavelmente mais bem treinadas. O plano do comandante japonês era cortar o avanço dos navios russos e depois destruir seus navios de guerra, que, de acordo com Togo, era a chave para a vitória. Às 11h15min, os primeiros tiros na direção dos navios de guerra russos foram disparados. Às 13h49min, uma mensagem apareceu no couraçado japonês “Mikasa”: “O futuro do Império depende do resultado da batalha. Vamos todos fazer a sua parte!”. Os navios de Togo navegavam de oeste para leste. Depois de estar à frente da Frota russa, eles de repente se voltaram para o sul e cruzaram a rota do inimigo e começaram a atirar nos navios inimigos. Rozhestvensky tentou escapar, mas a diferença de velocidade fez com que esse plano falhasse e, em pouco tempo, a formação russa entrou em colapso. As balas japonesas mais modernas penetravam facilmente a blindagem dos navios russos e a primeira vítima foi o navio de guerra “Oslyabya”, que afundou com quase 500 marinheiros a bordo, tendo seu oficial comandante se suicidado, antevendo uma enorme derrota. O capitânia da Frota “Knyaz Suvorov” (Príncipe Suvorov) foi duramente atingido por diversos disparos, mas conseguiu fugir através de uma neblina. Rozhestvensky, muito ferido, uma vez que um obus destruiu a ponte de comando do seu navio, teve que ser resgatado para um dos destróieres russos, passando o comando da Esquadra  ao contra-almirante Nebogatov. Ao voltar para o combate, o capitânia "Suvorov" foi posto a pique, logo após receber o impacto de 14 torpedos.  Os artilheiros de Togo, agora, focavam fogo cerrado no encouraçado “Imperator Aleksander III”, que após dezenas de disparos, perdeu sua capacidade de dirigibilidade, afundando a noite com quase 900 marinheiros. O encouraçado "Borodino", também foi afundado, porem tendo lutado até o fim. Apesar da escuridão, os torpedeiros de Togo, continuavam a perseguição dos navios russos, conseguindo afundar navios já danificados como o “Navarin” e “Sissoi Veliky”. Na costa de Tsushima, o cruzador de batalha "Almirante Nakhimov" foi afundado pela tripulação do próprio navio. Em 28 de maio, a Frota japonesa alcançou e afundou outros navios russos: o couraçado “Imperator Nikolai I”, os navios de defesa costeira “General Admiral Graf Apraksin” e “Almirante Seniavin”, e o cruzador “Izumrud”. O contra-almirante Nebogatov, quando viu a esmagadora vantagem japonesa, decidiu render-se, pois era uma luta perdida. Sua capitulação não foi reconhecida pelo Almirante Togo, que, como descendente de samurais, não aceitou algo como desistir. Foi apenas a intervenção de seu quadro de oficiais que salvou os russos da aniquilação total. Apenas quatro cruzadores e dois destróieres escaparam do massacre. Morreram 5.182 marinheiros russos e 5.917, incluindo o Almirante Rozhestvensky, foram capturados. As perdas japonesas foram insignificantes: três navios torpedeiros foram perdidos, vários navios foram danificados, 181 marinheiros morreram e 587 ficaram feridos. A Batalha de Tsushima terminou com a derrota total da frota russa. Seus melhores navios foram destruídos, e a reputação do Império russo e a posição de terceira potência marítima estavam em ruínas. O czar não teve outra saída se não aceitar a mediação do presidente norte-americano Theodore Roosevelt para assinatura de um termo de paz. Ele abre em 5 de setembro as negociações que conduziriam a uma paz humilhante para Moscou e que foi assinada em Portsmouth, Estados Unidos. As condições, claro, foram favoráveis ao Império do Sol Nascente. O Tratado de Paz dava ao Japão parte da Manchúria, da Coréia e do Pacífico Norte. A "primeira guerra" de vulto do século XX alçou o Japão ao patamar das potências modernas. Togo e seus homens tinham quebrado o mito da superioridade caucasiana. Sua vitória foi a primeira, na contemporaneidade, de uma nação não ocidental sobre um país europeu. A derrota na Batalha de Tsushima não representou para a Rússia apenas uma derrota para um inimigo externo. As sucessivas derrotas na Guerra Russo-Japonesa, levaram à população a manifestar sua insatisfação com as condições de vida dentro do Império russo. A sanguinária repressão aos manifestantes, resultou na chamada Revolução de 1905, considerada o prelúdio da Revolução Russa de 1917, que poria fim ao poder autocrático dos Czares russos. O Japão antecipou táticas e armamentos que seriam usados na Primeira Guerra Mundial. A partir de 1905, os nipônicos assumiram a política externa coreana e dominaram a economia do país. Em 1910, o Japão anexou formalmente a Coréia, que continuou dominada até o fim da Segunda Guerra Mundial.


SELO COURAÇADO RUSSO VARYAG.


CARTÕES POSTAIS JAPONENSES BATALHA DE TSUSHIMA.


ALMIRANTE TOGO.


ALMIRANTE ROZHESTVENSKY E O CZAR NICOLAU II.


ILUSTRAÇÃO PROVOCAÇÃO RUSSA CONTRA OS JAPONESES.


MAPA LOCAL BATALHA DE TSUSHIMA.


ENCOURAÇADO KNYAZ SUVOROV (PRÍNCIPE SUVOROV).


ENCOURAÇADO KNYAZ SUVOROV.


CRUZADOR RUSSO EM PORT ARTHUR.


COURAÇADO RUSSO EM ALTO MAR.


NAVIOS RUSSOS AFUNDADOS EM PORT ARTHUR.


CRUZADOR OLEG E SUAS MARCAS NA BATALHA DE TSUSHIMA.


ALMIRANTE TOGO E ENCOURAÇADO CAPITÂNIA MIKASA.


PINTURA DE SOJO SHOTARO DE 1906, ALMIRANTE TOGO A BORDO ENCOURAÇADO MIKASA.


ENCOURAÇADO MIKASA.


NAVIOS JAPONESES EM FORMAÇÃO.


XILOGRAVURA NAVIO TORPEDEIRO EM AÇÃO.


XILOGRAVURA BATALHA NAVAL DE TSUSHIMA.


XILOGRAVURA NAVIO JAPONÊS AFUNDANDO NAVIO RUSSO.


JAPONESES E RUSSOS NEGOCIANDO
O TRATADO DE PAZ - 1905.


TRATADO DE PAZ JAPÃO-RÚSSIA - 05/09/1905.


A PAZ.
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Antonio C. Pulsy

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