BRASIL - O TANQUE MBT EE-T2 "OSÓRIO", O MELHOR TANQUE DO MUNDO - 1988!!!

Ir em baixo

BRASIL - O TANQUE MBT EE-T2 "OSÓRIO", O MELHOR TANQUE DO MUNDO - 1988!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Dom Jun 03 2018, 09:35

Compartilho com os colegas, "Tanque Brasileiro EE-T2 "Osório", O Melhor Tanque do Mundo - 1987".


                                                TANQUE BRASILEIRO EE-T2 "OSÓRIO",
                                                     O MELHOR TANQUE DO MUNDO.

No início da década de 1980, o Brasil possuía duas empresas fortemente consolidadas na área de veículos militares: a Bernardini S.A. Indústria e Comércio e a Engesa Engenheiros Especializados S.A. A Engesa S/A desenvolveu o projeto EE-T1 e EE-T2 "Osório", um carro de combate pesado (MBT-Main Battle Tank = tanque principal de batalha), que desde o início foi projetado para usar dois tipos de canhões, um de 105mm e outro de 120mm. Os primeiros seriam mais propensos a serem absorvidos por clientes menos exigentes pela simplicidade e acessibilidade. O segundo calibre visava a "concorrência de compra de MBT pela Arábia Saudita", mas poderia ser oferecido a qualquer outro cliente com mais recursos. Para a primeira opção, o canhão de 105mm foi escolhido da série L7/M68 Inglês. O modelo possuía alma radiada, extrator de fumaça e manga térmica. A Engesa S/A, já era produtora dos famosos EE-9 "Cascavel" e EE-11 "Urutu", exportados para o Oriente Médio e que estão em uso ainda em vários países. Projetado com financiamento próprio para fazer parte da concorrência para as Forças Armadas da Arábia Saudita, o EE-T1 "Osório" foi enviado à Arábia Saudita, embarcando em um avião de carga que chegou a Riad em 20 de junho de 1985. Essa decisão foi muito contestada, já que o carro de combate tinha sido pouco testado no país, sua configuração não era definitiva e a adaptação do veículo às condições ambientais da Arábia Saudita ainda era um desafio pouco conhecido. Por outro lado, a apresentação do protótipo para as autoridades sauditas seria um grande ativo político, mostrando a capacidade da empresa de projetar e construir tanques de primeira classe. Para surpresa de muitos, testes preliminares na Arábia Saudita foram altamente satisfatórios. Algumas deficiências foram encontradas no conjunto da hélice, fabricado pela MWM. A Engesa relatou os defeitos encontrados e a MWM realizou pequenas modificações para resolvê-los. De volta ao Brasil, o protótipo foi preparado para testes realizados pelo Exército Brasileiro, que incluiu as dunas do Campo de Testes de Marambaia/RJ. A partir do desempenho demonstrado, o Exército produziu dois documentos: o RTEx (Technical Experimental Report=Relatório Técnico Experimental) e o RTOp (Operational Technical Report=Relatório Técnico Operacional). Ambos foram importantes para melhorias a serem incorporadas. Os tipos de munição que poderiam ser usados ​​pelo canhão de 105 mm variaram entre APDS (Perfurante de composto rígido), APDSFS (seta), HEAT (Altamente explosiva anti-tanque ou carga-oca), HESH (não feita para penetração, mas sua explosão lança uma onde choque pelo veículo) e SMOKE (fumigante). Antes da segunda opção (canhão de 120mm), havia um problema em usar o produto oferecido pelo mesmo fornecedor: já se sabia que o "Projeto Osório" não teria massa suficiente para absorver os efeitos cinéticos do retiro do canhão da Artilharia Real L11 de 120mm. Alternativamente, o modelo GIAT de núcleo liso foi escolhido em uma solução semelhante à adotada pelo carro francês AMX-40. A empresa inglêsa Vickers foi responsável pelo desenvolvimento das torres para as duas opções de canhão. Devido ao seu calibre maior, o canhão de 120mm poderia disparar munição com maior poder de penetração. Além do canhão, o "Osório" era equipado com duas metralhadoras: uma coaxial EX34/Hughes de 7,62mm, instalada no lado esquerdo da torre, e outra de 12,7mm, Browning/HBM2C, no lado de fora. O "Osório" ainda estava equipado com doze tubos (seis de cada lado) lançadores de granadas de 66mm, disparados individualmente ou em grupos. O sistema de tiro empregava recursos de espectro infravermelho, e havia monitores separados para o comandante e o atirador. O cérebro do sistema era um microcomputador de 16 bits que processava vários fatores balísticos de vários sensores do próprio carro, como tipo de munição, distância e velocidade do alvo, direção e intensidade do vento, inclinação do lado do carro e desgaste da alma do tubo (cano do canhão). O sistema permitia um tiro de alta precisão com o carro em movimento, bem como o engajamento simultâneo de vários alvos. A torre do canhão de 120mm chegou no início de 1986 e foi instalada no novo chassi, que já incorporava modificações apontadas pelos testes realizados pelo Exército Brasileiro, associadas às lições aprendidas na visita anterior ao deserto da Arábia Saudita com "Osório" EE-T1. Assim nasceu o definitivo "Osório", que disputaria o contrato de exportação para a Arábia Saudita. E para ajudar em suas chances, ele foi renomeado "Al Fhad", homenageando o monarca saudita. O "Osório", agora com o canhão de 120 mm, passou por mais testes no Brasil, realizados no início de 1987, simulando as condições ambientais no Oriente Médio. O protótipo EE-T2 com canhão de 120 mm foi para a Arábia Saudita em julho de 1987 para participar de uma série de testes definitivos com seus concorrentes. A equipe da Engesa estava bastante confiante, pois dessa vez eles tiveram tempo para preparar o MBT. Os testes foram realizados em uma área deserta localizada no sul do país árabe, chamada "Praça Vazia". Foram dois meses de testes duros. Em 7 de julho de 1987, o francês AMX-40, o britânico Challenger Mk.1, o americano M-1 Abrams e o EE-T2 "Osório" do Brasil foram formalmente apresentados ao príncipe Sultan. Os quatro competidores começaram os testes no dia seguinte. Os testes que duraram até 10 de setembro, foram feitos com equipes sauditas e consistiam em:

Execução de 2.350km de corrida, sendo 1.750km no deserto;
Testes de aceleração, frenagem e pivotação (rotação de 180 graus);
Consumo de combustível na estrada e no deserto;
O veículo permanece parado por seis horas com o motor ligado;
6 km correndo de ré;
Reboque de um carro de combate de 35 toneladas por 10 km;
Remoção e instalação de lagartas;
Superar trincheiras de três metros de largura;
Começando o carro em rampas de 65°;
Rodar na rampa lateral de 30°;
Execução de tiros, com o veículo estacionado, contra alvos estacionados e em movimento (distância máxima de 4.000m);
Execução de tiros, com o veículo em movimento, contra alvos móveis (distância máxima de 1.500 km).

Nos testes de tiro e autonomia, "Osório" superou em muito o rival americano. Nos testes de tiro realizados, "Osório" foi o único a atingir um alvo estacionado em 4.000m. Um teste com alvos móveis também foi realizado nas distâncias de 1.500, 2.000 e 2.500 m, com um total de 12 tiros, 6 pela tripulação do país de origem e 6 por uma tripulação do Exército Saudita. Dos 12 alvos propostos, "Osório" atingiu 8, o M-1 Abrams bateu 5 e o AMX-40 e o Challenger apenas 1. No teste de autonomia, o "Osório" percorreu uma distância de 400 km retos, deixando para trás seus competidores. O protótipo EE-T2 "Osório" com seu canhão de 120mm competiu com os melhores tanques do mundo ocidental, derrotando todos os oponentes. O anúncio final saiu em fevereiro de 1988. Dos veículos que participaram da competição, o carro francês e o carro britânico foram descartados. "Osório" e Abrams foram incluídos em uma lista curta como "pode ser comprado". De fato, o "Osório" fez exatamente o que se esperava dele e foi, em algumas situações, superior ao Abrams. Naquele momento, "Osório" poderia até ser considerado um vencedor, tecnicamente. Mas a verdade é que os sauditas, oficialmente, nunca declararam que houve um vencedor após os testes. Ainda assim, a equipe da Engesa estava muito otimista sobre a possível venda do seu MBT para os sauditas. Até mesmo um contrato de venda, prevendo uma linha de montagem no Oriente Médio, chegou a ser preparado. Em 1988, os Emirados Árabes Unidos (EAU) convidaram a Engesa para demonstrar o MBT brasileiro em Abu Dhabi, junto com o MBT italiano C-1 Ariete e o frances AMX-40. Os EAU já possuíam alguns blindados de origem italiana do modelo OF-40 e procuraram complementá-los com outros veículos mais modernos. Uma competição como a realizada na Arábia Saudita era esperada. No entanto, o que foi visto foi algo incomum, que ganhou a reputação de "corrida louca no deserto". Mal ou não, "Osório" correu bem. Na ocasião, um fato curioso ocorreu, o MBT italiano sofreu um incêndio no motor e ficou preso em uma duna, e seria abandonado no meio do deserto. A equipe brasileira resolveu dar uma ajuda aos italianos já desanimados; engatou correntes, destrancou o carro italiano e rebocou o veículo de volta ao quartel árabe. No entanto, os EAU não comentaram nada sobre os três veículos, atrasando uma nova série de testes para um momento mais oportuno. Em 1993, a surpresa, foi a opção pelo MBT 56 Leclerc, fabricado na França. O número de unidades superou a encomenda saudita e 436 blindados, incluindo as variantes, foram encomendados. Na época, dizia-se que esta encomenda, a única exportação do MBT 56 Leclerc, praticamente pagava o desenvolvimento do veículo. Apenas o tipo de oportunidade que a Engesa queria para evitar o que viria em seguida. A empresa Engesa S/A acabou falindo, porque investiu sozinha no projeto do carro de combate pesado e o Exército Brasileiro não tinha dinheiro para comprá-lo (cada um custava cerca de US$ 1 milhão). Anos depois da falência da empresa, os dois protótipos EE-T1 e T2 "Osório" quase viraram sucata, mas hoje estão preservados, aos cuidados do Exército Brasileiro. Atualmente, a versão EE-T1 "Osório" esta em exposição no Museu Militar Conde de Linhares/RJ e a versão EE-T2 "Osório" esta no Centro de Instrução de Blindados (CIBld) em Santa Maria/RS.

                                                               Especificações:

Peso vazio: 40.400 kg.
Guarnição: atirador, municiador, comandante do tanque e motorista.
Blindagem do veículo: Placas duplas de materiais compostos, como fibra de carbono, alumínio/aço e cerâmica.
Armamento: Um canhão GIAT G1, de 120mm alma lisa ou um canhão Royal Ordnance L7, de 105mm raiado.
Alcance Operacional: 550 km.
Velocidade: 70 km/h na estrada, 50 km/h na terra.



MBT CHALLENGER.


MBT M1A1 ABRAMS.


MBT EE-T1 "OSÓRIO" CANHÃO 105MM.


MBT AMX-40.


MBT CHALLENGER.


MBT M1A1 ABRAMS.


7 DE JULHO DE 1987, OS MBT PERFILADOS SÃO APRESENTADOS AO PRÍNCIPE SAUDITA.


APRESENTAÇÃO DOS MBT AO PRÍNCIPE SAUDITA.


MBT EE-T1 "OSÓRIO".


MBT EE-T1 "OSÓRIO" NAS AREIAS DO DESERTO SAUDITA.


MBT EE-T2 "OSÓRIO".


MBT EE-T1 "OSÓRIO", MUSEU MILITAR CONDE DE LINHARES/RJ.


MBT EE-T2 "OSÓRIO", CENTRO DE INSTRUÇÃO DE BLINDADOS
SANTA MARIA/RS.


PLASTIMODELISMO HOMENAGEANDO MBT EE-T2 "OSÓRIO".


MBT C1 ARIETE - ITALIANO.


MBT AMX56 - LECLERC.
avatar
Antonio C. Pulsy

Idade : 62
Localização : Canoas/RS.
Data de inscrição : 24/04/2014

http://antonio.pulsy@bol.com.br

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: BRASIL - O TANQUE MBT EE-T2 "OSÓRIO", O MELHOR TANQUE DO MUNDO - 1988!!!

Mensagem por walkar em Dom Jun 03 2018, 09:53

Não conhecia esta história. Que bacana. Obrigado por compartilhar!
avatar
walkar

Localização : Orlando, FL
Data de inscrição : 01/01/2018

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: BRASIL - O TANQUE MBT EE-T2 "OSÓRIO", O MELHOR TANQUE DO MUNDO - 1988!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Dom Jun 03 2018, 10:29

Prezado,

agradecido.
avatar
Antonio C. Pulsy

Idade : 62
Localização : Canoas/RS.
Data de inscrição : 24/04/2014

http://antonio.pulsy@bol.com.br

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: BRASIL - O TANQUE MBT EE-T2 "OSÓRIO", O MELHOR TANQUE DO MUNDO - 1988!!!

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum