ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: SS CAP ARCONA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FLUTUANTE - 1945!!!

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ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: SS CAP ARCONA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FLUTUANTE - 1945!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Seg Maio 21 2018, 22:23

Compartilho com os colegas, "SS Cap Arcona, Um Campo de Concentração Flutuante - 1945".


                                                       "SS CAP ARCONA,"                  
                                      UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FLUTUANTE.

Milhares de detentos de vários campos de concentração lotaram um navio de luxo no final da guerra e os nazistas não o identificaram como sendo um campo de prisioneiros. Em 3 de maio de 1945, caças-bombardeiros britânicos Hawker Typhoon Mk 1B, atacaram e destruíram o "SS Cap Arcona" e o cargueiro "SS Thielbek" com a perda de aproximadamente 7.350 vidas (2.750 mortos no "SS Thielbek" e, aproximadamente, 4.600 no "SS Cap Arcona").
O eco do horror ecoa pelos corredores, os salões de baile, as escadarias dos conveses inferiores. Quebrando as paredes e rugindo para o mar. Sam Pivnik ouve os gritos de pânico de milhares de homens. O "SS Cap Arcona" treme, ele cheira o fogo, sente o rugido dos caças-bombardeiros no céu. E acima de tudo é o pior barulho que ele já ouviu. Em 3 de maio de 1945, Pivnik foi aprisionado a bordo do "SS Cap Arcona", um prisioneiro de campo de concentração como outros 5.000. Ele experimentou o horror no campo de concentração flutuante na Baía de Lübeck. Aeronaves britânicas atacaram o "SS Cap Arcona", o ataque foi uma das maiores tragédias navais de todos os tempos. Poucos homens sobreviveram aos ataques dos aviões britânicos em baixa altitude e as explosões dentro do casco e ao fogo. Pouco mais de 300 conseguiram sair da água gelada vivos. Apenas algumas semanas antes, os nazistas começaram a realocar os prisioneiros do campo de concentração para o navio. Apenas cinco dias depois que os aviões atacaram o "SS Cap Arcona", o 3º Reich capitularia. O navio de luxo, construído pelo estaleiro Blohm & Voss, em Hamburgo e lançado em 1927, foi considerado o "navio-chefe" da Companhia de Navegação Hamburg Süd. Um imenso navio com 206 metros de comprimento, um paraíso com 850 lugares caros. Em 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra, o "SS Cap Arcona" cruzou o Atlântico Sul pela última vez. Passou para a Marinha de Guerra alemã e serviu em 1943 como um local para um filme alemão sobre o destino de outro navio: o "Titanic". Antes de Sam Pivnik entrar no "SS Cap Arcona", poucas horas antes do trágico ataque, ele nunca tinha visto o oceano. Filho de uma família judia, Pivnik então chamado de Szmuel Piwnik, cresceu em Bedzin no sudoeste da Polônia. Em seu 13º aniversário, a Wehrmacht invadiu sua terra natal. O terror entrou em sua vida: até 1943 ele teve que viver com seus pais e cinco irmãos no gueto de Bedzin, então os Piwnik foram deportados para Auschwitz-Birkenau. Depois de 10 dias no campo de concentração, todos os membros da família estavam mortos, exceto ele. O Exército Vermelho estava por chegar, então Pivnik e milhares de outros prisioneiros foram transportados para o oeste, onde sobreviveu à "Marcha da Morte" para o campo de concentração de Fürstengrube. Em 3 de maio de 1945, um barco de pesca o levou de Neustadt in Holstein para o navio "SS Cap Arcona," um navio que ficaria superlotado. Após a evacuação do campo de concentração de Neuengamme no sudeste de Hamburgo, os nazistas tinham trazido mais de 9.000 prisioneiros e colocados a bordo dos navios "SS Thielbek", "SS Deutschland" e "SS Cap Arcona". As condições a bordo eram trágicas: os prisioneiros conviviam com mortos, excrementos, passavam fome e sede. Pivnik comparou a visão em suas memórias com "uma pintura antiga do inferno". O paraíso para 850 viajantes ricos havia se transformado em mais que uma masmorra para 5.000 prisioneiros. No final de 1944, o "SS Cap Arcona" havia sido usado para transportar refugiados da Prússia Oriental. Então, o imenso navio foi incapaz de manobrar em Neustadt in Holstein na Baía de Lübeck. Assim, os nazistas o usaram como um "Campo de Concentração Flutuante". Eles não conseguiram ou "não quiseram" identificar o "SS Cap Arcona" com uma bandeira branca, símbolo para não ser atacado pelas Forças Aliadas. Do ar, o navio parecia aos caças-bombardeiros britânicos um transportador de tropas da Marinha alemã. Será que os nazistas só queriam usar o "SS Cap Arcona" como sendo uma isca, como altos oficiais da SS relataram mais tarde nas investigações de Nüremberg? Eles alegaram que pretendiam trazer os prisioneiros para a Suécia, pois inclusive teve participação da Cruza Vermelha sueca que acompanhou o embarque, uma pequena representação plausível. Porem, dois outros cenários são mais prováveis: o primeiro, pressupõe que os nazistas simplesmente ficaram sem alojamento para seus prisioneiros. O "SS Cap Arcona" era, portanto, apenas um abrigo de emergência. Sob certas circunstâncias, os alemães queriam usá-los como trabalhadores ou até mesmo negociar uma possível rendição com os Aliados. No entanto, o mais difundido, mesmo entre os presos sobreviventes, é uma explicação bem diferente e macabra: a SS alemã queria afundar os navios, incluindo os prisioneiros, o que seria um assassinato em massa no Mar Báltico. Alguns até vão além e especulam que os britânicos foram, deliberadamente, levados para uma armadilha. A falta de identificação nos navios, deveria fazer os pilotos das aeronaves parecer um alvo que valhesse a pena destruí-los, devido ao tamanho dos navios. Os caças-bombardeiros Hawker Typhoon Mk 1B de quatro Esquadrões da RAF/Real Força Aérea, carregados com foguetes de alto poder explosivo de 60 Lb, bombas de 230kg, bem como armados com canhões de 20 mm, roncavam seus motores na tarde de 3 de maio de 1945 na direção da Baía de Lübeck. O "SS Cap Arcona" era equipado com artilharia, além dos guardas SS e marinheiros a bordo. Parecia um navio comum. Os bombardeiros não foram exceção para o "SS Thielbek" e o "SS Cap Arcona". As aeronaves lançaram sua carga mortal sobre os navios nas baías de Kiel e Lübeck naquele dia, mais de cem navios foram afundados ou seriamente danificados. Sam Pivnik lembra o momento do ataque em suas memórias: "Eu subi por cima de outras pessoas, quando o inferno explodiu em um poderoso estrondo", ele recorda. "O que diabos estava acontecendo aqui?" Então os gritos, o pânico, o fogo e a fumaça. Pouco depois das 15 horas, o primeiro impacto foi sentido, a estibordo. O comandante-chefe nazista correu para checar a situação. O "SS Cap Arcona" apesar de seriamente avariado, ainda resistiu um pouco mais. Parcialmente consumido pelas chamas, o transatlântico, que um dia fora o orgulho da marinha mercante alemã, agonizava, assim como os milhares de seus ocupantes. Atingido por mais três bombas, ficou seriamente comprometido, o "SS Cap Arcona", então, virou e encalhou nas proximidades da costa. Milhares de prisioneiros afogaram-se ou queimaram no inferno em que se tranosformou o navio. Pivnik conseguiu se salvar, ficou agarrado a uma tábua, tendo a água fria do mar sete graus. Equipados com coletes salva-vidas, a maioria dos guardas da SS conseguiram saltar no mar do ''SS Cap Arcona". As traineiras alemãs enviadas para resgatar os tripulantes e guardas do "SS Cap Arcona", conseguiram salvar 16 marinheiros, 400 homens da SS e 20 mulheres da SS. Apenas 350 dos 5.000 presos do antigo campo de concentração flutuante "SS Cap Arcona" sobreviveram. De 2.800 prisioneiros a bordo do "SS Thielbek", apenas 50 foram salvos. Por outro lado, os presos que estavam desesperadamente lutando para não se afogarem, foram baleados sem piedade. Pivnik relata: "Eles não resgataram um único prisioneiro". Os sobreviventes que porventura conseguiram chegar em terra, foram metralhados por equipes postadas na costa. Assim, Pivnik e outros presos ficaram na água gelada, até o iníciar da escuridão. Pivnik perdeu a consciência, devido ao frio, mas foi socorrido por colegas e levado para terra. E sobreviveu. Pivnik acordou em 4 de maio e era o dia em que as tropas britânicas o libertaram. Ele estava encharcado e quase congelado. "Percebi que esta era a primeira manhã, desde minha estada em Auschwitz-Birkenau, quando não houve apito matinal, nem os latidos dos cães, nem chicotadas, nem barulho das botas." Pivnik não ouviu nenhum som, exceto o canto dos pássaros. A Paz havia chegado!!
Durante semanas após o ataque, os corpos das vítimas foram trazidos para terra pelas ondas e marés, onde foram recolhidos e enterrados em valas comuns em Neustadt in Holstein, Scharbeutz e Timmendorfer Strand. Os restos do "SS Cap Arcona" permaneceram encalhados na Baía de Lübeck até 1950, depois foram desmantelados e reduzidos a sucata. Partes de esqueletos foram levados pelas ondas e marés e encontrados em terra, durante 26 anos, sendo o último achado em 1971.
Os prisioneiros a bordo dos navios eram de pelo menos 30 nacionalidades: americana, bielorrussa, belga, canadense, tchecoslovaca, dinamarquesa, holandesa, estoniana, finlandesa, francesa, alemã, grega, húngara, italiana, letã, lituana, luxemburguesa, norueguesa, polonesa, romeno, russo, sérvio, espanhol, suíço, ucraniano e, possivelmente, outras nacionalidades.


CARTÃO POSTAL POSTADO A BORDO "CAP ARCONA - 01/07/1928.


UM DOS SALÕES DO "CAP ARCONA".


CARTAZ DIVULGAÇÃO VIAGENS CAP ARCONA.


CAP ARCONA SAINDO DO PORTO DE HAMBURGO.


CAP ARCONA EM ALTO MAR.


HAWKER TYPHOON MK 1B.


FOGUETES 60 LIBRAS USADOS NO HAWKER TYPHOON MK 1B.


SS CAP ARCONA EM CHAMAS, APÓS BOMBARDEIO BRITÂNICO - 03/05/1945.


CEMITÉRIO JUDAICO COM VÍTIMAS NO SS CAP ARCONA EM NEUSTADT IN HOLSTEIN.


MONUMENTO AOS POLONESES MORTOS NO
                 SS CAP ARCONA.


MONUMENTO AOS MORTOS NO AFUNDAMENTO DO SS CAP ARCONA.


MEMORIAL AOS MORTOS NO AFUNDAMENTO DO SS CAP ARCONA.


MONUMENTO AS VÍTIMAS NO AFUNDAMENTO DO SS CAP ARCONA.
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: SS CAP ARCONA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FLUTUANTE - 1945!!!

Mensagem por Gnobre em Seg Maio 21 2018, 22:56

Nossa, que tragédia!
E o serviço de espionagem, nada detectou antes?
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: SS CAP ARCONA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FLUTUANTE - 1945!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Ter Maio 22 2018, 07:58

Prezado,

pelo que pesquisei em vários sites, esta ação britânica esta protegida por lei até 2045, ou seja, 100 anos após o fato ocorrido. Há sites que afirmam que os britânicos tinham conhecimento dos prisioneiros e outros não, portanto, a verdade virá a tona apenas daqui há 27 anos, quando pesquisadores tiverem acesso aos documentos desta ação.
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Re: ALEMANHA - 2ª GUERRA MUNDIAL: SS CAP ARCONA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FLUTUANTE - 1945!!!

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