BRASIL - REVOLUÇÃO FEDERALISTA: TOMADA DE CONCEIÇÃO DO ARROIO - 1895!!!

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BRASIL - REVOLUÇÃO FEDERALISTA: TOMADA DE CONCEIÇÃO DO ARROIO - 1895!!!

Mensagem por Antonio C. Pulsy em Dom Abr 15, 2018 8:32 am

Compartilho com os colegas, "Tomada de Conceição do Arroio - 1895".


                                                    REVOLUÇÃO FEDERALISTA:
                                              TOMADA DE CONCEIÇÃO DO ARROIO.
                                                         HOJE OSÓRIO/RS.

Martim Pereira dos Santos, "Baiano Candinho", nasceu no Estado do Ceará no ano de 1846, filho de José Pereira dos Santos e Rosa Maria dos Santos. Integrou o 26º Corpo de Voluntários da Pátria, da Província do Ceará para ir combater na Guerra do Paraguai. Este efetivo cearense sofreu muito com as diferenças climáticas do sul, além de estranhar a alimentação. Grande parte do efetivo pereceu, sem condições para entrar em combate. Quase no final da Guerra muitos desertaram, constando entre os mesmos, Baiano Candinho, seu irmão e mais três outros parentes, também cearenses. Buscaram refúgio no vale do rio Três Forquilhas, Rio Grande do Sul em 1871, sendo acolhidos pelo Major Adolfo Felipe Voges. Baiano Candinho assumiu nomes falsos por não ter tomado conhecimento de uma anistia, que fora dada para os desertores. Normalmente, ele alegava ser Cândido Alves da Silveira e, outras vezes, Manoel Alves da Silva. Baiano Candinho teve várias profissões, sendo o seu destaque maior o de construtor de atafonas, ofício aprendido no Ceará. Ele aperfeiçoou a atafona do Major Voges e por causa disto, conquistou alto conceito na Colônia. Era também perito construtor de taipas de pedra. Durante alguns anos, comandou um grupo de peões para fazer taipas para muitos colonos. Muitas destas taipas resistem até os dias de hoje. Na verdade, ele deveria ser considerado como um pequeno criador de gado e de cavalos, atividade que ele desenvolveu desde cedo, em parceria com o seu compadre Johann Hoffmann. Candinho teve muitas mulheres na Colônia. A princípio, viveu com a jovem viúva Anna Carolina Kratz. Ela não podia ter filhos e, além disso, faleceu cedo. Candinho herdou a propriedade da viúva. Em 1879, ao se unir com a viúva Maria Witt, ele tornou-se protestante. Casou no dia 15 de abril de 1879 no templo, diante do pastor Carlos Leopoldo Voges. Um mes depois foi ao Cartório, registrar essa união, no dia 18 de maio. Na oportunidade, alegou ser analfabeto e ter apenas 25 anos de idade, apresentando o nome falso de Cândido Alves da Silveira. O assentamento do Registro Civil pode ser encontrado no Livro de Casamentos nº 01, folha 07 do Cartório do Registro Civil, de Itati. Foram testemunhas o Major Adolfo Felipe Voges e o Professor Serafim Agostinho do Nascimento. Maria Witt trazia da união anterior, com o falecido tropeiro Beriva Athaíde (o Paulista), os filhos Henrique (19.05.1875) e Geraldino (1876 - falecido em 1883).

Filhos de Baiano Candinho com Maria Witt:
1 - Ambrosina (16.12.1881) casou com Johann Nascimento Hoffmann;
2 - Angelina (1883), casou com Luiz Jorge Hoffmann;
3 - Pasqualino (08.10.1886), casou com Maria Brando;
4 - Avelino (1888), casou com "Biluca" Hoffmann;
5 - Julia (03.04.1890), sem notícias sobre o que possa ter acontecido com ela;
6 - Realina (10.10.1892) casou com Aldino de Oliveira Mello;
7 - Ernestina (1893) casou com Avelino Brando.

Sabe-se que Baiano Candinho teve, pelo menos, três filhos extra-conjugais:
1 - Constâncio Alves da Silva, tido com Maria Luisa da Silva em 04.01.1876.
2 - Johann Candea Becker, o "Cândio Beca" tido com Maria Dorothea Becker em 29.10.1879. Cândio Beca casou com "Geraldina Preta", negrinha criada por Philipp Westphalen (o Felipe Girivá).
3 - Manoel Alves da Silva Júnior, o "Candinho Gaspar" tido com a viuva Maria Stahlbaum nascida Dresbach, em 16.09.1882.

Baiano Candinho teve diversas propriedades na Serra do Pinto e no vale de Três Forquilhas. Ele era um homem abastado, se comparado com a situação em que vivia a maioria dos colonos de descendência alemã, no vale do rio Três Forquilhas. No final, Candinho veio residir na propriedade que mais lhe agradava, às margens do Arroio Carvalho (hoje Itati-RS), ao lado da estrada rumo a Serra, a aproximadamente 1,5 quilômetros, antes da subida da Serra do Pinto. Seu posto e graduação na Revolução Federalista era Major de Cavalaria e Comandante do "Esquadrão Josaphat" (integrado por três Pelotões). No dia 12 de abril de 1895, as tropas revolucionárias federalistas marcharam sobre a cidade de Conceição do Arroio (hoje Osório-RS). Eram quase 500 homens, vindos simultaneamente de Palmares, Santo Antonio da Patrulha, São Francisco de Paula e, o efetivo de Martim Pereira dos Santos, “Baiano Candinho”, da Serra do Pinto, que seguiu via Colônia de Três Forquilhas, no município de Itati-RS. Baiano Candinho vinha à testa do Esquadrão Josaphat, com quase 150 homens. Contava com o reforço dos sobreviventes do Pelotão Avulso que acompanhara Gumercindo Saraiva na jornada até Curitiba e que retornara em fuga. Estes eram combatentes experientes que haviam tomado parte do Cerco da Lapa e da tomada da Capital do Paraná. A cidade de Conceição do Arroio não estava preparada para tal invasão. As lideranças castilhistas se atormentaram, procurando refúgio no prédio da Câmara Municipal. No princípio até pareciam querer ensaiar algum tipo de resistência. Major Baiano Candinho passou a comandar as negociações, exigindo a rendição incondicional da cidade. Ele desejava somente ocupar, simbolicamente, a Intendência e a Câmara Municipal. Queria cumprir um juramento que ele fizera para si mesmo, de sentar na cadeira do Intendente de Conceição do Arroio. Ele haveria de poupar a vida de todos. Grande foi o abatimento da população, quando viram as horas transcorrendo sem que os revolucionários se dispusessem a sair da cidade. No período de tempo em que as negociações com as lideranças castilhistas pareciam não progredir, Candinho autorizou os integrantes do “Pelotão Serrano” a buscar suprimentos junto ao comércio local. Seria o preço da derrota sofrida pelos republicanos da cidade. Para Candinho, interessavam apenas alimentos, armas e munições. Candinho decidira cobrar esse tributo que, no seu entender, a cidade devia para o movimento federalista. Ele levava em conta que a morte de Major Luiz Henrique Moura de Azevedo, Chefe Maragato de Conceição do Arroio e do Padre Fernandes, precisava custar alguma coisa aos “arroienses”. A vida daqueles dois chefes revolucionários não poderia jamais ser devolvida, porém, a cidade teria que ter recordação, por muito tempo, que ele, Baiano Candinho, viera reclamar da atrocidade cometida contra esses homens de bem. Quando a visita aos estabelecimentos iniciou, os comerciantes se apavoraram. Não tinham como evitar o saque. Diversos peões rudes e analfabetos do “Pelotão Serrano”, que não haviam, até então, conhecido botas ou bombachas decentes, aproveitaram para logo se vestirem melhor. Eles limpararm alguns guarda-roupas e baús de cidadãos arroienses. Além disso, duas carretas ficaram cheias de suprimentos (charque, farinha e rapadura) além de munições, armas e cavalos. Enquanto isto, as lideranças castilhistas procuravam ganhar tempo, na esperança da vinda de algum socorro de fora. Insistiam sempre numa mesma e única resposta: os termos de rendição formulados por Candinho eram inaceitáveis. Jamais haveriam de entregar o prédio da Intendência Municipal aos maragatos. Finalmente, o Capitão Estevão Brandão, comandante das Forças Republicanas de Conceição do Arroio, mandou atear fogo ao prédio. Enquanto o fogo ardia, ele e diversos correligionários aproveitaram o momento para fugir pelos fundos, através dos matos, em busca do refúgio nos morros próximos. Na oportunidade, as lideranças castilhistas queimaram não apenas um prédio. Foi destruído todo o acervo histórico da cidade. Preciosos documentos e arquivos foram perdidos, em meio às chamas. Esse prejuízo poderia ter sido evitado. Era sabido que os maragatos não desejavam se apossar de nada disto. Apenas fariam a tomada simbólica do Governo Municipal, com garantias de vida para todos, além, é claro, do saque indiscriminado ao comércio local. O Governo da Província encaminhou medidas urgentes com o objetivo de socorrer Conceição do Arroio. Foram convocados o 6º Corpo do Exército de Porto Alegre, o Esquadrão de Cavalaria de Viamão e o 18º Batalhão de Infantaria, da própria cidade de Conceição do Arroio, que, entretanto, se encontrava na fronteira, realizando missões de combate aos revolucionários federalistas. Baiano Candinho tomou conhecimento da movimentação dessas forças. Decidiu deixar a cidade. Estavam em Conceição do Arroio outros efetivos federalistas de diversos municípios próximos e cada efetivo tomaria o seu próprio rumo. Candinho seguiu na direção da Colônia de Três Forquilhas. Parecia não ter nenhuma pressa. Ele sabia que os efetivos do governo demorariam para alcançar Conceição do Arroio. No dia 23 de agosto de 1895, na cidade de Pelotas, é assinado o armistício, dando fim à Revolução Federalista. Foram 31 meses de lutas e um saldo de mais de 12 mil mortos, sendo, talvez, a metade pelo método da degola, pratica usada por ambos os lados. Três dias após o armistício, aparece um estafeta na Serra com um comunicado urgente destinado ao Major Baiano Candinho. Todos os oficiais rodearam o chefe. Curiosos, desejavam saber se haveria alguma nova missão para eles. Baiano Candinho mandou ler o comunicado. Era apenas um lacônico aviso:

“O  armistício foi assinado em Pelotas, no dia 23 de agosto de 1895. A Revolução acabou. Deponham as armas. Cada qual retorne para a sua família e propriedade. A ordem é de paz para todos”.

O efetivo do “Esquadrão Josaphat” não queria acreditar na ordem. Devia ter algum engano. Eles estavam ali com a força plena, em condições de continuar a Revolução. E como haveriam de terminar com o movimento revolucionário, se a ditadura castilhista não fora ainda derrubada? Candinho teve que falar energicamente com os integrantes de sua tropa. Explicou que não existia mais nenhuma possibilidade de continuar a Revolução, pois em muitos lugares, os efetivos maragatos haviam sido totalmente destroçados. Ordenou que todos retornassem para suas casas e lavouras ou ao serviço tropeiro. Ficou extinto, definitivamente, o “Esquadrão Josaphat” e, em conseqüência, os Pelotões “Três Forquilhas” e “Serrano”. Baiano Candinho não sabia e nem imaginava, mas ele estava marcado para morrer por causa da humilhação que ele infligira ao povo “arroiense”. Todos os principais líderes revolucionários da Serra do Pinto constavam de uma "lista negra". Chegara uma ordem secreta para o escrivão Christovam Schmitt que não poderia haver nenhum registro de óbito de tais mortes. Devia ser difundida a idéia que meros bandidos da Serra do Pinto haviam sido eliminados. Tratava-se somente de um serviço de limpeza, em favor da segurança pública. Aconteceram entre 30 a 50 assassinatos no Arroio Carvalho (hoje município de Itati-RS) e na Serra do Pinto. Baiano Candinho era fervoroso devoto dos “Reis”, e apreciava a tradição natalina conhecida como “Canto dos Reis” ou “Terno de Reis”. Era a Noite de Reis, no dia 06 de janeiro de 1898, quando Baiano Candinho ouviu a chamada “Louvação dos Reis”, diante do seu rancho. Ele desarmou-se e foi ao encontro dos cantores. O estratagema utilizado foi o de incluir entre os cantores uma escolta armada. Ele estivera marcado para morrer por decisão das autoridades castilhistas de Conceição do Arroio e da Capital do Estado, sendo um dos motivos, "o desplante de ter invadido a cidade osoriense em 1895, causando uma dura humilhação às autoridades castilhistas daquela cidade." Quando Baiano Candinho estendeu o braço para entregar a oferenda, em dinheiro, destinada para o “Deus Menino”, foi agarrado pelos braços fortes de dois negros, o Custódio e o João Macaco. Negro Custódio, devidamente instruído, degolou-o, no ato. Certificando-se da morte, deixaram o corpo jogado, ao lado do rancho. Baiano Candinho tinha 52 anos, e a notícia de sua morte correu célere não só pela Colônia, mas chegou logo até os líderes castilhistas de Conceição do Arroio e Porto Alegre. Para eles foi um motivo de grande júbilo. Haviam tirado a vida de Martim Pereira dos Santos, Baiano Candinho, inclusive até a sua honra e dignidade!


SELO CARIMBO OSÓRIO/RS.


CONCEIÇÃO DO ARROIO.


UMA DAS RARAS IMAGENS DE BAIANO CANDINHO.


O ÚLTIMO TERNO DE REIS DE BAIANO CANDINHO.


TÚMULO DE MARTIM PEREIRA DOS SANTOS, BAIANO CANDINHO/ITATI-RS.
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Antonio C. Pulsy

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